18 de nov de 2011

SACRIFÍCIO RITUAL: ATRASO OU AUTENTICIDADE?

Enquete: proibir sacrifícios de animais em rituais...
  • Sou contra a proibição. É uma falta de compreensão das culturas religiosas e do caráter sagrado das oferendas: 28%.
  • Sou a favor da proibição. A fronteira entre o animal e o humano é muito tênue e não temos direito de sacrificar outros pelas nossas crenças: 72%.
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A votação ainda estará aberta por um mês aí na coluna ao lado, mas a importância do tema no contexto das celebrações da “consciência negra” entre nós já demanda agora uma reflexão, que traga mais esclarecimento à controvérsia sobre os sacrifícios. Pois há uma falta de consciência antropológica sobre as formas da religiosidade humana e uma militância ideológica em favor do trato "humano" dos animais, que acabam discriminando os nossos povos Indígenas e os Terreiros afro-negro-brasileiros como cultuadores de uma tradição atrasada.
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Estes são os resultados parciais da sétima enquete do nosso blog, na qual 74 pessoas já opinaram. Proibir sacrifícios de animais em rituais... É uma falta de compreensão das culturas religiosas e do caráter sagrado das oferendas... Ou a fronteira entre o animal e o humano é muito tênue e não temos direito de sacrificar outros pelas nossas crenças?! A grande maioria, 72%, é a favor da proibição. A questão começou a ser colocada na Europa, onde o Parlamento holandês aprovou, em 27 de junho passado, uma lei que proíbe o sacrifício de animais em rituais. Suécia, Noruega, Áustria, Estônia e Suíça, também contam com algumas leis que proíbem direta ou indiretamente esse tipo de práticas. Com a onda politicamente correta de defesa dos Direitos Humanos, mas também dos Animais, essa é uma discussão que acabou viajando pelo mundo globalizado - e sensibilizando até o pessoal “cabeça” e engajado que frequenta aqui o blog!
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Com efeito, muitos povos (veja aqui uma brincadeira com o fato), em culturas de "dom e contra dom", realizam sacrifícios rituais de animais (substituindo às vezes antigos sacrifícios humanos) para renovar ou permutar a vida com o mundo espiritual, para agradecer ou adivinhar, para assegurar um favor mágico ou afastar o mal, para ratificar um acordo com os espíritos da natureza. Outros povos sublimam as oferendas ou substituem o "bode expiatório" pelo "cordeiro que se imola" mais simbolicamente, em um auto-sacrifício moral. De todo modo, é difícil avaliar bem os valores de uma tradição religiosa que não é a nossa: uma coisa é a função manifesta e pretendida pelos participantes, outra é a função latente de um sacrifício - que um observador externo pode concluir ser o verdadeiro efeito da prática! Seja como for, não há vida social sem algum tipo de pacto sacrificial e, pelo nível de conhecimentos que temos hoje, fica difícil dizer que um modo de administrá-lo seja mais desenvolvido do que o outro... 
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“As sociedades politeístas recorrem ao sacrifício a cada vez que se trata de reatar o laço social. É um sacrifício ao(s) deus(es). As religiões monoteístas administram de outra maneira o sacrifício: ele é assumido, expresso pela Escritura. É um sacrifício de Deus. (...) Essa diversidade é certamente efetiva, mas será ela suficiente para questionar a permanência do sacrifício nas sociedades humanas? Qualquer que seja a diversidade, o sacrifício remete sempre à representação e à introjeção da morte na constituição de um sistema social e simbólico. (...) O fato de dizer certas palavras sobre um pedaço de pão é tão satisfatório para o espírito quanto a degola de uma vaca, observava, de modo muito pertinente, Georges Bataille. Em que, com efeito, os ritos sacrificiais dos conans e búlgaros do Volga, que juravam sobre um cão degolado e aliviavam-se bebendo em uma taça de ouro algumas gotas de seus próprios sangues, seriam menos ‘evoluídos’ que aqueles dos cristãos que vão sacrificar todos os domingos, enquanto o padre lhes ordena: ‘bebei, este é o sague do Cristo; comei, este é o corpo do Cristo’? (...) O sacrifício, fundamento das socialidades, está inscrito no espaço trinitário. ‘Eu’ e ‘tu’ devem comer ‘ele’, o ausente, para poderem estar juntos” (DUFOUR, D. Os mistérios da trindade. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2000; p. 158-161).
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No Brasil essa discussão interessa mais diretamente às religiões tradicionais, de matrizes indígenas e africanas (veja aqui a polêmica causada por Luciana Gimenez no seu programa na televisão), mas na Europa a questão é com rituais muçulmanos e judaicos, onde os animais são degolados e dessangrados (sem anestesia como nos matodouros), para se obter a carne halal para os muçulmanos e a carne kosher para os judeus. De acordo com especialistas, cerca de dois milhões de animais são sacrificados anualmente em rituais, somente na Holanda - onde foi aprovado o projeto da lei de proibição, apresentado pelo Partido para os Animais (que possui duas cadeiras no Parlamento) e que vinha sendo muito debatido, porque até cristãos defendiam que a proposta era contrária ao direito constitucional que protege a liberdade religiosa. No fim, foi feita uma emenda que ainda permite às organizações muçulmanas e judaicas realizar sacrifícios caso demonstrem "cientificamente" que seu método causa menos dor ao animal do que as formas "regulares" de sacrifício para abate... Legislação muito estranha! Todavia, se lá o sacrifício está mais ou menos proibido, a gente faz o serviço aqui e exporta pra eles (ao mesmo tempo em que expõe, nas câmeras de TV e nas câmaras legislativas, uma suposta desumanidade e atraso no trato com os animais, sobretudo das "religiões afro-brasileiras").
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Pois segundo a Folha de São Paulo, “... Em 2010, o Brasil exportou 475 mil toneladas de carne para países que exigem abate halal ou kosher (39% do total exportado). ‘O abate kosher não é um ritual. O ideal judaico é o vegetarianismo. Consumir carne é uma concessão a alguém de alma fraca’, diz o rabino Ruben Sternschein, da Congregação Israelita Paulista. Segundo ele, o abate kosher ‘deve ser feito com o mínimo de sofrimento para o animal’. Já o abate halal de bois, aves e carneiros é um sacrifício religioso, diz Mohamed Hussein El Zoghbi, diretor da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil. ‘Mas prima pelo bem-estar como nenhum outro. A morte por degola não causa sofrimento. A ruptura das veias e da traqueia faz com que o animal morra rapidamente. Quem vê pensa que está sofrendo, mas já está morto, se debate por reflexo’. De acordo com o presidente do CEN (Coletivo de Entidades Negras), Márcio Alexandre Gualberto, o bicho morto no candomblé também é consumido - nada a ver com a imagem de feitiçaria e galinha em encruzilhada. ‘Tem quem faça isso, mas não é nossa tradição. Usam partes da tradição para fazer coisas que não são nossas’. Segundo ele, o sacrifício é praticado por sacerdotes treinados para minimizar o sofrimento. 'O animal não pode sofrer. Somos preocupados com o bem-estar dos animais oferecidos aos deuses’".
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Então, se devemos discutir sacrifício ritual de animal no Brasil, não é tanto por causa das religiões afro, em cujos rituais normalmente os bichos "sacrificados" têm as suas vísceras entregues aos orixás e as carnes cozidas e compartidas pela "família de santo". Apenas algumas delas fazem oferendas em nossas encruzilhadas e duvido que, somando todos os frangos aí depositados, chegue-se às quase 500 mil toneladas de carne que a gente mata conforme prescrito e exporta todo ano para judeus e muçulmanos, principalmente dos lugares onde o sacrifício é proibido. Mas todo esse debate e defesa prévia, sobretudo lá pro Sul do país, é porque há recurso no Supremo Tribunal Federal para impugnar uma lei gaúcha que permite sacrifício de bichos em rituais de matriz africana. Depois, nestes dias, também um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa de São Paulo quer proibir o uso e o sacrifício de animais em cultos religiosos. Mesmo longe de ser votado, o projeto mobiliza religiosos e protecionistas. O debate contrapõe tradição cultural e direito animal e mostra contradições ou paradoxos na atual legislação brasileira. Para o deputado Feliciano Filho (PV), o autor do projeto paulista, ele não propõe nada além do que a lei prevê, apenas fixa multa para quem praticar o sacrifício, que já é proibido segundo a Constituição e a Lei de Crimes Ambientais. Uma garante que os animais não sofram crueldade e a outra criminaliza os maus-tratos. E matar sem anestesiar constituiria maus-tratos, é o que se argumenta. Mas a Carta Magna também garante liberdade de culto. E aí: o que vem em primeiro lugar?
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De um lado, ainda segundo a matéria da Folha, acusa-se a proibição de preconceituosa: "As motivações da lei são o preconceito e a ignorância. Se o deputado estivesse preocupado com animais, deveria bater na porta de frigoríficos". Para Antonio Carlos Arruda, coordenador de políticas públicas da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Pauo, o projeto é "inaceitável. Liberdade religiosa é princípio da democracia". De outro lado, os defensores dos animais consideram o projeto bom ao menos por levantar o debate: a veterinária Ingrid Eder, da ONG WSPA Brasil, pergunta: "Que cultura é essa que causa maus-tratos aos animais? A cultura evolui de acordo com o conhecimento. Hoje, sabemos que os animais sentem dor". Reginaldo Prandi, antropólogo, acredita que a evolução deve vir de dentro da religião: "Há segmentos do candomblé que não matam animais. Pode ser que, no futuro, a religião evolua para um sacrifício mais simbólico, mas isso não pode ser imposto. Não se muda uma religião por decreto".
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Se essa onda proibitiva chegar também ao Recife, terra do Xangô afro-brasileiro, até nossos times de futebol vão ampliar os seus problemas. Conta-se que Pai Edu recebeu a promessa de que se o Náutico começasse a ganhar, Zé Pilintra ganharia um boi em sacrifício. Em 1967, o Náutico foi pentacampeão, mas a dívida não foi paga. Somente em 1999, quando não só o boi, mas quatro bodes e oito galinhas foram entregues em pagamento da promessa, é que voltaram as boas campanhas. E ainda teve um porém: como a Globo divulgou a história, o Fórum de Proteção Animal, de São Paulo (antecipando-se a essa discussão toda de agora?!), mandou um fax pro secretário de Segurança Pública de Pernambuco dizendo que o sacrifício era ilegal - e a Polícia Civil baixou no Terreiro pra prender/proteger ao menos o boi (dizem que o bicho foi sutilmente liberado quando o delegado descobriu quem era agora o seu "dono"). Já o Sport devia um boi aos orixás desde 2008, quando conquistou a Copa do Brasil. O animal finalmente foi entregue em março deste ano de 2011. O time melhorou das pernas, mas, por via das dúvidas, Pai Carlos doou o boi para um abrigo de idosos - que resolveu adotá-lo como bicho de estimação!
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Enfim, estamos diante de uma grande tensão/transformação cultural e religiosa com esse tema do sacrifício em nossa "aldeia global" e devemos acompanhar em especial os grupos historicamente mais fragilizados. Se o "texto" do rito sacrificial devesse mudar em aldeamentos Indígenas e nos Terreiros afro-brasileiros, caberia a essas comunidades decidirem como. Mas uma sensibilidade que inclua os outros animais nos cuidados humanos surgirá somente em um novo contexto educacional, científico e econômico. No mundo cultural em que vive a maioria da nossa gente por aqui, com um senso natural/rural das coisas, feliz é a família, seja de qual religião ou filosofia for, que tem uma galinha no quintal pra matar em dia de festa - e nem precisa ser de santo! "Sacrificar" e compartilhar uma criação com os amigos nesse contexto tradicional, é uma autêntica e irrepreensível celebração da vida, mesmo fora do ambiente religioso. Outra coisa é a sensibilização que talvez já possa ser feita em Terreiros urbanos, de que a matéria das suas oferendas públicas (a famosa "galinha preta", então) deve se adequar às exigências ecológicas e sanitárias das encruzilhadas modernas, sem que isso diminua o sagrado e o segredo do Axé! Esperemos que algum profeta dê um sinal por lá... 
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Gilbraz Aragão.
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E você, o que pensa dos sacrifícios rituais de animais? Por quê?!
Veja aqui duas opiniões e acrescente o seu comentário...

É o seguinte: nossos orixás nos dão de comer, nos dão as dádivas da natureza, nos dão o axé, a força da vida. Então é normal que a gente ofereça, como agradecimento, as vísceras dos animais de sua predileção, junto aos seus assentamentos sagrados. E as carnes são cozidas e compartilhadas entre os seus filhos e convidados. É uma tradição familiar, que remonta aos antepassados! Quando surgiu, todo bicho era morto assim mesmo para consumo... Agora, se a forma de abate hoje é mais "humanizada" talvez a gente possa rever a forma, mas não o princípio do sacrifício, que é um modo digno de relação com o sagrado. Afinal, mesmo quem é vegetariano mata animais pra poder fazer a sua agricultura. A questão é a proporção e a relação, porque não há vida que não se tire da vida (ou morte!). Axé pra vocês! (Juana Andrade - Belo Horizonte).
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Ao longo da história, o uso de animais humanos passou a ser abominado pela espécie (embora às vezes surjam notícias de que tais atos continuem acontecendo), infelizmente os animais de outras espécies ainda o continuam sendo. Ao longo da história, muitas vozes também têm se levantado contra o hábito alimentar humano de servir-se de outras espécies (Anna Kingsford, Helena Blavatsky, Gandi, Henry Salt, Schopenhauer, Plutarco e tantos outros nomes) e muitos humanos entenderam que o sagrado do seu prato é justamente não se alimentar de seres sencientes, aprenderam que "não devem e não precisam" se alimentar dos corpos dos animais não-humanos. Assim como muitos seres humanos trocaram e trocam seus hábitos a cada dia, substituindo os animais do seu prato por uma infinidade de alimentos sem precisar da morte de seres sencientes, as religiões que ainda os usam poderiam fazer o mesmo. (Maria de Fátima - Porto Alegre).
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Veja mais sobre a temática no blog:
Veja também comentários de outras enquetes:

11 comentários:

  1. Tirem as mãos dos nossos terreiros! Vão cuidar das suas missas e deixem a fé da gente em paz!

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  2. Oxente: quando a gente discute e problematiza e questiona a religião da gente, vocês acham bom e entram na discussão... Porque não se pode conversar sobre a religião de vocês, mesmo que seja pra defendê-la ou aperfeiçoá-la?! Não tou entendendo...
    Manoel Mendonça.

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  3. Isso se chama pré-conceito contra as religiões afro-brasileiras!
    Sou vegetariana porque não suporto a idéia de comer algo que desde seu nascimento sofre em vida. A criação feita pelas grandes industriais são torturas, torturas horríveis que vocês que são contra o sacrifício de animais tão nem ai, afinal vocês recebem sua carninha prontinha sem “qualquer vestígio de sofrimento”. Todos nós iremos morrer um dia, e a morte não é ruim, ruim é ser morto em vida, é não poder bater as asas e correr pelo campo, ciscar e dar bom dia ao sol. É nunca ver o seu filhote e ensiná-lo a andar, ou receber constantemente injeções de hormônios, e ter seus peitos mutilados por maquinas frenéticas.

    Animais humanos se preocupem com isso, com a tortura contra nossos irmãos animais. Vamos cair em cima das grandes industriais, que inclusive modificam de tal maneira os animais, que quem os comem poderão sofrer com doenças por isso. Mas, não! As grandes industriais tem muito dinheiro para calar a todos, e muitas pessoas também não querem deixar de ter sua carne TODO dia no prato. Se as grandes industriais continuam com isso, é porque tem grande apoio da população.

    A única palavra que me vem com essa situação é “falso moralismo”!

    Pois bem, sou vegetariana, e se for convidada a participar de um rito de candomblé, talvez comerei a carne ali sacrificada, pois pelo menos em sua morte, o animal teve sua sacralidade reconhecida.

    Todos que comem carne sacrificam animais! A diferença é o modo como isso é visto e direcionado. Considero muito mais digno e honesto, aquele que sente o corpo quente do animal, olha em seus olhos e agradece por ele estar morrendo, para que o outro continue vivendo.

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  4. tamos subindo de nível, né?
    viva!!!

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  5. Tudo é muito cultural e relativo. Na verdade Deus ou como querem chamar o TRANSCENDENTE não precisa dos nossos rituais.. Ele está acima de tudo isso. Porem, acho muito bom o debate, pois precisamos discutir mesmo onde a RELIGIÃO ENTRA, OU ESTÁ A CULTURA, ONDE FICAM AS IDEOLOGIAS E FINALMENTE : ONDE ESTÁ DEUS... TALVEZ RINDO DE TODOS NÓS !!!!

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  6. Assalamu Alaykum wa'Rahmatullah wa'Barakatuh.

    Prezado(a) irmão(ã),

    Os absurdos (que agora são notórios) praticados por entidades responsáveis pelo abate "halal" no Brasil, tomaram conta de páginas das agências de notícias em todo o país:

    - www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/01/120125_refugiados_maus_tratos_sadia_jf.shtml;

    - www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?tl=1&id=1217199&tit=Sadia-e-investigada-apos-denuncia-de-trabalho-escravo;

    - www.paraiba.com.br/2012/01/27/93340-ministerio-publico-abre-investigacao-sobre-maus-tratos-em-fabrica-da-sadia-contra-muculmanos;

    - correiodobrasil.com.br/refugiados-denunciam-maus-tratos-em-fabrica-da-sadia/363864.

    Trata-se de uma vergonha que deve ser usada para iniciarmos um debate aberto e sem fronteiras sobre que tipo de Dawah desejamos no Brasil.

    Que Allah, Al'Quddus, nos encha de coragem e força para enfrentar os infames e corruptos.

    Grato,
    Eduardo Santana
    CPF.: 973 907 984 91
    Muçulmano desde 1999 e Professor da Rede Pública Estadual/PE

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  7. Oferendas sem agredir a natureza (no Diário de Pernambuco)
    Anamaria Nascimento
    anamarianascimento.pe@dabr.com.br
    A palavra de ordem do século 21, sustentabilidade, foi colocada como prioridade no rol de preocupações das religiões de matrizes africana e indígena do estado. Conhecidas por serem manifestações que cultuam elementos da natureza e pela estreita relação com o meio ambiente, elas encabeçam um movimento pela preservação dos recursos naturais pernambucanos. A preocupação surgiu também na agenda pública. A falta de informação de alguns membros das religiões afrobrasileiras acendeu uma luz vermelha para as autoridades. Isso porque ainda existe o costume de se jogar recipientes de vidro ou plástico no mar como oferenda ou de descartar resíduos em matas após os trabalhos, por exemplo.
    Um guia de orientação aos religiosos quanto à necessidade de olhar para o meio ambiente com maior cuidado, lançado pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, aponta para as posturas que devem ser adotadas pelos dirigentes e membros dos cultos.
    Segundo o secretário executivo de promoção da igualdade racial do estado, Jorge Arruda, a cartilha Orientações para as práticas religiosas é uma forma de mostrar a preocupação das religiões e do estado com a preservação ambiental. “No material, que está sendo distribuído em todas as escolas públicas estaduais e nos terreiros da Região Metropolitana do Recife, indicamos que os objetos plásticos sejam trocados por materiais biodegradáveis, por exemplo. Outra dica é que as velas de parafina sejam substituídas pelas de cera de abelha.”
    O professor e integrante do Movimento Negro Unificado de Pernambuco (MNU-PE) Carlos Tomaz frisou que a preocupação é pertinente, mas que o preconceito contra as manifestações negras ainda são muito fortes. “É comum ouvir pessoas falando que nós poluímos as águas, as matas. Algumas pessoas ligadas às religiões de matriz africana, mas que não têm consciência crítica, infelizmente, acabam sujando nossa imagem. Porém, por cultuarmos os elementos da natureza, prezamos o cuidado do meio ambiente.”
    Alexandre L’Omi L’Odò, juremeiro e coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho, destacou que a mata é um espaço sagrado e, por isso, deve ser cuidada. “Indicamos os produtos biodegradáveis, ou seja, que a própria natureza vai regenerar, para a realização dos trabalhos. Vai fazer uma oferenda pra Iemanjá? Jogue apenas o líquido do perfume no mar e não o vidro. Se for deixar cana no mato, coloque em uma quenga de coco e não em garrafas”, aconselhou. “O povo de terreiro tem mudado em relação ao meio ambiente. A sustentabilidade é uma preocupação atual do mundo, então, temos que nos atualizar também”, completou.
    Os dirigentes e simpatizantes das religiões de matrizes africanas devem seguir as leis civis e naturais, primando pelas práticas adequadas na confecção de oferendas e despachos. Deve ser feita uma limpeza no local do trabalho para que não se crie um depósito de lixo. É preciso substituir os materiais sintéticos por orgânicos, de rápida decomposição e absorção pela natureza .
    ...

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  8. ... (CONTINUAÇÃO)
    Não se deve deixar vidros ou plásticos nos locais de oferenda. Basta despejar as bebidas no solo para a liberação dos fluidos
    Não se deve usar materiais plásticos para a oferenda de doces, animais, frutas e flores. Esse tipo de material demora para se decompor. O correto é utilizar materiais de fácil decomposição, como folhas de bananeiras.
    Prefira locais afastados, com pouca movimentação, onde as entregas possam ocorrer de maneira harmônica e sem perturbações. Deve-se evitar largar as oferendas em vias públicas, parques ou praças.
    É importante estar atento ao local onde velas, cigarros e charutos são colocados.
    O uso desses materiais pode provocar acidentes, principalmente, em áreas de vegetação. A utilização de velas, cigarros e charutos perto de raízes de árvores, folhas e materiais inflamáveis pode causar incêndio com danos irreversíveis ao meio ambiente.
    Os dirigentes dos templos são responsáveis pelo recolhimento e destino dos materiais usados nas oferendas.
    Os terreiros que usam atabaques devem respeitar os horários e as potências dos caixas de som. É preciso respeitar os vizinhos, cumprindo os horários permitidos por lei.
    Fonte: Cartilha Orientações para as práticas religiosas de matriz africana e afrobrasileira em Pernambuco.
    Veja a matéria no site do jornal:
    http://www.diariodepernambuco.com.br/2012/02/05/vidaurbana7_0.asp

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  9. “Temos uma moral que exige sacrifícios humanos, e o Ocidente não tem intenção de violar essa moral. Comete genocídios por razões morais, obrigado pelo dever. É moralmente lícito não cometer um genocídio? Essa é a pergunta do Ocidente. A moral do Ocidente exige mais sacrifícios humanos do que qualquer sociedade anterior” (F. Hinkelammert).
    Karina

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  10. Animais mortos são encontrados embaixo de viaduto no Recife
    ONG de proteção animal suspeita de ritual de magia negra
    Diário de Pernambuco. Publicação: 26/08/2012 16:25
    Vísceras de animais não identificados, além de galinhas e cachorros mortos foram encontrados por populares neste domingo (26), embaixo do viaduto Dois Irmãos, próximo à BR-101. A denúncia é feita pela ONG de proteção animal SOS Quatro Patas. Avisada por conhecidos por volta das 13h30, a presidente da organização, Conceição Maciel, seguiu imediatamente para o local.
    Na opinião dela, o cenário encontrado está associado a rituais de magia negra. "Havia garrafas quebradas, vísceras de animais muito grandes, provavelmente de bovinos ou caprinos, e também galinhas e cachorros mortos", diz.
    A presidente da ONG afirma que vai se reunir com outras associações de proteção animal e buscar orientação da Delegacia de Polícia do Meio Ambiente (Depoma). "Vamos tomar providências para que casos desse tipo não voltem a se repetir", garantiu Conceição Maciel.
    http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2012/08/26/interna_vidaurbana,393063/animais-mortos-sao-encontrados-embaixo-de-viaduto-no-recife.shtml

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  11. Delegacia irá apurar matança de animais
    Folha de Pernambuco 28/08/2012 02:08 - CAMILA LINDOSO
    O espanto tomou conta das pessoas que passaram sob o viaduto Dois Irmãos, próximo à BR-101, no último domingo. Restos de animais mortos, ossos, patas e vísceras que pareciam ser de caprinos e aves, estavam a céu aberto sob o elevado. Os restos podem ser parte de um ritual de oferenda dos terreiros de religião afro-brasileira que, no mês de agosto, época do orixá Exú, realizam a prática para pedir paz e saúde à divindade.
    O sacrifício de animais é uma prática comum em terreiros de Umbanda, Jurema e Candomblé. A prá­tica, além de servir como homenagem, é também encarada como uma forma de fornecer alimento à comunidade, já que, no ritual, a carne é distribuída para todos os presentes. As sobras, no entanto, como alguns órgãos, pele, pata e rabo, que não servem para o alimento, são oferecidas à divindade por meio da entrega desses restos à natureza. “A oferenda deve voltar para o meio ambiente, na mata, que são lugares sagrados. Pode ser que os praticantes desse caso, se for realmente ligado à religião afro-brasileira, não tenham um olhar apurado sobre essa questão”, disse Jorge Arruda, secretário executivo do Comitê Estadual de Promoção da Igualdade Racial (CEPIR), órgão ligado ao Governo do Estado.
    Alexandre L’Omi L’Odò, coordenador da Comissão de Acompanhamento contra a Intolerância Religiosa de Pernambuco, garante que não existe tipo algum de maus-tratos no ritual. “Não existe sofrimento, pancadaria, nada disso. O processo é rápido com o mínimo de sofrimento, até porque os animais são sagrados também. É um simbolismo de milhões de anos”, explicou ele.
    A Delegacia de Política do Meio Ambi­ente (Depoma) ficou responsável pela investigação do caso, iniciada ontem. “É importante colocar a discussão acerca do sacrifício de animais e até que ponto essa prática é realmente necessária. Torturar e maltratar é crime e vamos trabalhar com base nas leis”, disse a delegada. Apesar de a Constituição Federal garantir, no artigo 5º, a liberdade religiosa, há também a Lei de Crimes Ambientais 9.605 de 1998, que puni com três meses a um ano a pessoa que praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, doméstico, nativos ou exóticos, com pena aumentada de um sexto a um terço caso haja a morte do animal. A delegacia ainda não sabe quem foram os responsáveis pelo ato.
    http://www.folhape.com.br/cms/opencms/folhape/pt/edicaoimpressa/arquivos/2012/08/28_08_2012/0035.html

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