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14 de dez. de 2013

PROFESSOR DA UNICAP NO COMITÊ DE RELIGIÕES DA REPÚBLICA

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) está convocando os representantes da sociedade civil selecionados para compor o Comitê Nacional de Diversidade Religiosa. Entre os dez titulares está o professor Gilbraz Aragão, da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP). A sua candidatura, através de edital público, foi apresentada pelos colegas da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Teologia e Ciências da Religião (ANPTECRE), de cujo Conselho Diretor o professor faz parte. O mandato de dois anos no Comitê será considerado uma prestação, não remunerada, de serviço público relevante, relacionado à articulação de políticas de promoção da liberdade religiosa e da laicidade do Estado.

Face à complexidade do fato religioso e às demandas desse campo para a administração pública, houve entendimento por parte da Ministra da SDH/PR, Maria do Rosário, que deveria haver nessa Secretaria da Presidência da República uma área específica para a questão religiosa, contemplando a sua diversidade e relações com os valores republicanos. Tal dimensão da vida mereceria um destaque maior na construção de políticas públicas de Direitos Humanos, tendo em vista não apenas ações específicas na temática da religiosidade, mas ações envolvendo as questões espirituais na transversalidade das políticas. Assim, foi criada, em 2011, uma Assessoria da Política de Diversidade Religiosa vinculada ao gabinete da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos.

No período de 2011 a 2013 diversas ações de promoção dos direitos humanos e diversidade religiosa foram realizadas a partir de visitas a locais vulneráveis à intolerância religiosa, de contribuições em debates, audiências públicas, seminários e eventos e do incentivo aos estados e municípios para criação de comitês de diversidade religiosa. Está em andamento a reedição da cartilha e do vídeo Diversidade Religiosa e Direitos Humanos, a produção de materiais didáticos para escolas e a organização de um livro com temáticas relacionadas à diversidade religiosa e à laicidade do Estado. A capacitação em nível nacional sobre Educação em Direitos Humanos no contexto da Diversidade Religiosa Brasileira deverá alavancar significativa e qualitativamente as ações dessa dimensão em diversas regiões do país.

Nesse contexto, o Comitê Nacional de Diversidade Religiosa, que já vinha sendo ensaiado, foi configurado pela portaria 92, de 24 de janeiro de 2013, com a finalidade de promover o direito ao livre exercício das diversas práticas religiosas, disseminando uma cultura da paz, da justiça e do respeito às diferentes crenças e convicções. O Comitê, com função de assessoramento da Ministra, irá contribuir na elaboração de políticas e no estabelecimento de estratégias de afirmação da diversidade e da liberdade religiosa, inclusive o direito de não ter religião, da laicidade do Estado e do enfrentamento da intolerância religiosa.

Na candidatura do professor Gilbraz ao Comitê, a ANPTECRE argumentou que ele trabalhou com Dom Helder Câmara, para quem coordenou o Movimento Encontro de Irmãos. Engajado teologicamente na Igreja Católica, é membro da Comissão de Pastoral para Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da Arquidiocese de Olinda e Recife e da Equipe de Reflexão da Comissão Episcopal de CEBs e Laicato da CNBB. Formado em filosofia e teologia, fez mestrado com Paulo Suess em São Paulo e doutorado com Maria Clara Bingemer no Rio de Janeiro. Já em sua monografia teológica, o tema foi "Os Negros e as CEBs: problematizando a causa negra para a evangelização popular do Recife". No mestrado, dissertou sobre "Pobre Evangelizando Pobre: Experiência Libertadora do Espírito no Encontro de Irmãos do Recife" e, no doutorado, defendeu a tese “A Dança dos Orixás e o Canto dos Santos: Inculturação do Cristianismo e Diálogo com as Religiões Negras do Recife”.

Gilbraz é reconhecido na comunidade de estudos da religião pela sua militância em grupos de diálogo inter-religioso e pelos seus trabalhos de reflexão sobre o encontro entre tradições espirituais, através da metodologia transdisciplinar: “A lógica do terceiro incluído, quando debruçada sobre o fenômeno das religiões e as contradições que surgem de seu pluralismo, remete à busca de um outro nível de realidade, àquela ética do amor, que pode religar crentes antagônicos em uma fé que se faz ato e permite o acesso ao sagrado, silencioso e místico, entre e além” - afirma ele.

O professor coordenou o Curso de Teologia da UNICAP e, há cinco anos, anima o seu Mestrado em Ciências da Religião, onde tem orientado pesquisas sobre questões do (des)encontro entre culturas e religiões. Em 2005, ele criou aí um Grupo de Estudos Transdisciplinares sobre o Diálogo Inter-religioso, que organiza cursos sobre espírito dialogal e visitas guiadas a centros religiosos, além de lançar um GT de Espiritualidades e Diálogos, junto com grupos congêneres, nos congressos da ANPTECRE/SOTER. Em 2007, organizou o Observatório Transdisciplinar das Religiões no Recife, um site onde disponibiliza pesquisa universitária na área para a comunidade, além de coordenar um Simpósio Internacional sobre “Pluralismo Religioso: as muitas faces de Deus”, tendo colaborado depois em nova edição do Simpósio, com o tema “Religiosidades populares e multiculturalismo: intolerâncias, diálogos, interpretações”.

Todo esse esforço acadêmico vem sendo acompanhado, desde 2007, por um grupo de animadores religiosos da região, o Fórum Inter-Religioso da UNICAP, com quem o Grupo de Gilbraz se encontra a cada mês para uma roda de conversa. Esse Fórum, agora, está se transformando em uma rede de Fóruns e Feiras de Diálogo nas escolas da Região Metropolitana, e vem colaborando na gestação do “Parque/Museu das Religiões de Pernambuco”, com base em espaço cultural e centro museológico, tendo por objetivos promover o conhecimento e diálogo entre as tradições religiosas e a educação para a convivência entre os seguidores dos diversos caminhos espirituais. Por isso tudo, certamente, a candidatura do professor Gilbraz para o Comitê Nacional de Diversidade Religiosa obteve êxito, entre as 50 inscrições homologadas pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Parabéns ao professor e à sua equipe na Católica de Pernambuco, cujos trabalhos agora ganham maior incidência e reconhecimento.


Gilbraz (à esq.) no Fórum Diálogos na Assembleia Legislativa de Pernambuco.
Abaixo, atividades da Diversidade Religiosa no Fórum Mundial de Direitos Humanos
(clique com o botão direito pra abrir ampliado em outra guia):

11 de dez. de 2013

PARTIU MAURÍCIO PARANT

Faleceu ontem (10/12) o padre jesuíta francês (nascido em Madagascar) Maurício Parant, que viveu no Recife de 1962 a 2005, tendo sido grande colaborador de Dom Helder Câmara. Maurício organizou, junto com sua grande amiga Lisette, uma Pastoral de Promoção da Mulher, que trabalhou com as "meninas" prostitutas, desembocando mais tarde na Associação das Empregadas Domésticas e Sindicato dos Trabalhadores Domésticos, que fez história no movimento popular da cidade. Passamos a palavra ao próprio Maurício, que deixou saudades pelo seu jeito discreto e firme em defesa das pessoas exploradas e humilhadas, que marcou a caminhada de estudantes e professores da Universidade Católica de Pernambuco, pelo seu forte testemunho humanista:

"... Com um grupinho de leigos, começamos, em 1967, um serviço pastoral com as vítimas da prostituição: a atividade principal desse serviço consistia em fazer visitas a essas mulheres, no próprio local onde elas exerciam sua atividade, sem outra preocupação, senão estabelecer entre elas e nós um clima de amizade. No início, elas ficaram admiradas de se encontrar com pessoas que as tratavam como gente, sem nenhum interesse de dinheiro, ou outra vantagem: apenas a simplicidade de uma conversa natural, sem antecipar conselho algum, porque, antes de tudo, é preciso se conhecer, mostrando respeito pelo outro. Em particular, sabendo o quanto essas pessoas sofrem condenação e discriminação, nós devemos tomar a iniciativa da atitude fraterna. Assim começa uma evangelização, de acordo com o exemplo muitas vezes repetido do próprio Senhor Jesus..."

15 de nov. de 2013

QUAL É A MISSÃO DA RELIGIÃO?!

Há uma discussão teológica propondo a mudança do conceito religioso de missão: ao invés de converter o mundo à minha doutrina e implantar a minha Igreja, ajudar na disponibilização, contextualização e interpretação das mensagens de todas as tradições espirituais, para quem delas necessite em seu processo de educação (e transcendência) humana e humanizante, favorecendo assim a compreensão e a paz entre os povos...
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Você sabia disso? Não?! Então precisa conhecer o Mestrado em Ciências da Religião da UNICAP: a sua linha de pesquisa Tradição Judaico-Cristã, Cultura e Sociedade, colabora para a hermenêutica teológica dos símbolos cristãos, em diálogo com a história comparada das religiões e a crítica psicossocial ao fenômeno religioso. 
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As informações e o edital para seleção de nova turma estão aqui e um encontro preparatório aberto aos candidatos acontecerá no próximo dia 20 de novembro, das 9 às 12h, no anfiteatro do 3º andar do bloco G4.
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13 de nov. de 2013

RELIGIÃO RIMA COM EVOLUÇÃO?!


...Galileu, físico responsável pela revolução científica moderna, estava convencido de que o mundo é criação de Deus, que se revela através de dois livros: as Escrituras Sagradas, escritas em linguagem religiosa; e o livro da natureza, escrito em linguagem “matemática”. Mas então, como explicar os cientistas que fazem pregação anti-religiosa, bem como os grupos religiosos fundamentalistas que crescem entre nós, esconjurando a teoria da evolução das espécies e da matéria?!

Você faz ideia? Não?! Pois precisa conhecer o Mestrado em Ciências da Religião da UNICAP: a sua linha de pesquisa "Campo Religioso Brasileiro, Cultura e Sociedade", estuda os fenômenos religiosos em sua formação histórica, seus desdobramentos político-sociais e os seus contextos antropológicos...

As informações e o edital para seleção de nova turma estão aqui e um encontro preparatório aberto aos candidatos acontecerá no próximo dia 20 de novembro, das 9 às 12h, no anfiteatro do 3º andar do bloco G4.
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9 de nov. de 2013

RELIGIÃO TEM A VER COM BODE?!

Bode é bom para fazer buchada e também fazer arte: Ariano Suassuna, por exemplo, deu-se o título de Cabreiro Tresmalhado. Mas você sabia que o bode/cabra é animal sagrado em muitas tradições culturais e tinha um significado libidinoso, que unia homens e deuses?

O ritual do seu sacrifício nas festas de Dionísio, na Grécia, está na origem da tragédia, palavra que significa "canto do bode". Em Roma, a divindade Mamúrio era também representada com uma pele de bode. As palavras capricho e capricórnio, ligadas à astrologia, resultam da raiz latina caper, que quer dizer bode.

Imolado nos rituais bíblicos de expiação dos pecados, no Antigo Testamento, o bode foi, nos tempos medievais, conotado com o demônio pelos cristãos. O Deus Cornífero dos antigos pagãos, símbolo fálico pintado como homem de barba com casco e chifres, passou a representar o diabo, sendo associado às práticas de bruxaria e à luxúria.

Aqui no Recife, contudo, Xangô recebe oferendas de carneiro do Povo de Terreiro e seu santo católico sincrético é São João, imaginado sempre em companhia de um cordeiro, da mesma família caprina... Teólogos e antropólogos discutem hoje sobre os conceitos contraditórios de "bode expiatório" e "cordeiro imolado", enquanto o bicho virou até comida sagrada, que fascina e amedronta!

Você sabia disso? Não?! Então precisa conhecer o Mestrado em Ciências da Religião da UNICAP, onde se promovem pesquisas sobre o sentido dos símbolos de tradições religiosas através da história. 

As informações e o edital para seleção de nova turma estão aqui e um encontro preparatório aberto aos candidatos acontecerá no próximo dia 20 de novembro, das 9 às 12h, no anfiteatro do 3º andar do bloco G4. Participe e amplie a sua visão: das religiões, dos bichos... dos humanos.

5 de nov. de 2013

PROFESSOR DO MESTRADO RECEBIDO PELO PATRIARCA DE CONSTANTINOPLA


O professor colaborador do Mestrado em Ciências da Religião da UNICAP, Dr. Riccardo Burigana, e sua esposa, Dra. Eleonora, foram recebidos hoje (5/11), em audiência privada (em Istambul-Turquia, antiga Constantinopla), por Sua Santidade Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico de Constantinopla. Na ocasião, o Prof. Riccardo entregou ao Patriarca seu livro "I Papi in Terra Santa" (Os Papas na Terra Santa). Trata das viagens de Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI à Terra Santa e foi publicado em Firenze - Itália, pela Fondazione Giovanni Paolo II, neste ano de 2013. O volume foi prefaciado pelo Patriarca Bartolomeu I e faz parte da Coleção "Quaderni di Colloquia Mediterranea".

Em janeiro de 2014 comemora-se a visita de Paulo VI a Jerusalém e seu encontro com o Patriarca Athenagoras, sinal concreto do caminho ecumênico que as Igrejas católica e ortodoxa começaram a trilhar. Bartolomeu I é importante ator dessa história: ele é um religioso grego (e um cidadão turco), Patriarca de Constantinopla, principal bispo da Igreja Ortodoxa, desde o ano de 1991. Uma das características de seu patriarcado é o Diálogo Ecumênico, a aproximação com a Igreja Católica e maior diálogo com as demais Igrejas Orientais, além das demais confissões religiosas. Esteve na missa de posse do papa Francisco, mas já tinha se reunido com os papas João Paulo II e Bento XVI. 

Do primeiro recebeu as relíquias dos Santos Patriarcas Ecumênicos João Crisóstomo e Gregório Nazianzeno em 2005; assinou uma declaração conjunta e discutiu sobre o problema da criação de patriarcados latinos no Oriente. Com o segundo, encontrou-se por diversas vezes e assinou uma declaração comum. Em 2008, por convite do mesmo papa, participou do Sínodo dos Bispos em Roma. Bartolomeu I também é conhecido por seus trabalhos em causas de defesa ao meio-ambiente, os quais lhe conferiram o epíteto de Patriarca Verde. Viajou à América Latina, onde visitou Cuba e a Amazônia brasileira.

26 de out. de 2013

MESTRE DISCUTE SINCRETISMO NA TV

Fábio Medeiros Cordeiro é Mestre em Ciências da Religião pela UNICAP, professor da FAFIRE e de outras Faculdades do Recife. Nesses dias, para satisfação e orgulho da gente, participou do Projeto Educação, da TV Globo, orientando uma discussão sobre "sincretismo" para estudantes, principalmente os que estão fazendo provas do ENEM. Visando ilustrar a relação histórica entre santos e orixás, estabelecida para sobrevivência das religiões africanas durante a escravidão no Brasil, a reportagem visitou o Terreiro de Xambá, em Olinda...

"... O preconceito ainda existe, mas aos poucos vai sendo vencido. “As pessoas respeitam mais, como cidadãos. Agora, queremos ser respeitados mais como religião. Os artistas, como Clara Nunes, que particularmente se abriu para canais de TV dizendo que era de religião de matriz africana, deu sensibilidade maior, de a gente se sentir mais acolhido dentro da sociedade. Quando viemos da África, trouxemos também nossa religião e queremos poder dizer que Xangô é Xangô, Iemanjá é Iemanjá”, comentou o babalorixá Ivo de Xambá.

O sincretismo religioso, então, aparece como uma forma de continuar cultuando as suas divindades. “Nesse sentido, aqui presenciamos a resistência através do sincretismo. Ou seja, os orixás, elementos da natureza, se apresentam em especial por trás dos santos católicos”, destacou Fábio Medeiros.

O Brasil é um estado laico, o que significa que os brasileiros podem escolher a religião que pretendem praticar sem retaliações, perseguições ou preconceito. Para que crenças completamente diferentes convivam em um mesmo país, cidade ou bairro em paz, o melhor caminho é o conhecimento. “Como fé é diferente, mas também busca ideias que todo ser humano busca em especial na construção de vida, que é a felicidade, o bem comum”, finalizou o professor."

Assista a reportagem completa por aqui e o bate-papo aqui.

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29 de set. de 2013

PARTIU O VELHO E BOM SNOEK

Dia desses passamos pela UFJF para uma animada Semana de Ciências da Religião e esta semana vamos voltar à Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas, para participar de importante Congresso Nacional de Ensino Religioso. Tivemos e vamos ter o prazer de encontrar velhos amigos por lá e também de rever nossos estudantes da UNICAP que aproveitam os bons ares do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião daquela Federal. Aliás, o campus lá é muito agradável e é preciso passar por ele pra entender porque a área acadêmica dos Estudos da Religião no Brasil começou, já em 1969, com um curso de teologia por ali: é que ele fica numa montanha, literalmente no meio das nuvens!

Nesta volta, porém, vamos sentir a falta de um santo homem que faleceu nesta tarde de 29 de setembro, o Padre Jaime Snoek. Ele partiu com 92 anos, após 20 dias internado no Albert Sabin de Juiz de Fora, e o sepultamento será amanhã às 15h, no Cemitério da Glória de lá. Padre Jaime nasceu na Holanda em 1920 e chegou ao Brasil em 1953, como padre católico redentorista. Em sua trajetória missionária, lutou pela promoção da vida e da formação humana. Dedicou-se a causas sindicais e defendeu a liberdade ideológica no período do regime militar. Escreveu várias publicações no campo da ética e teologia moral, sendo considerado grande referência para diversos pesquisadores e acadêmicos. Tivemos a sorte de tê-lo como professor de ética no ITER do Recife, e de trabalhar o seu formidável e emancipador livro Ensaio de ética sexual.

Em Juiz de Fora, fundou o Ambulatório Nossa Senhora da Glória em 1953. Juntamente com as Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, criou a Faculdade de Serviço Social da Universidade Federal de Juiz de Fora, no ano de 1958. Foi um dos fundadores do Programa de Pós em Ciências da Religião da UFJF, em 1976, onde também foi professor. Destacou-se, ainda, por organizar um dos mais importantes acervos bibliográficos no campo das ciências humanas e sociais do país: a Biblioteca Redentorista, um quesito importante para a aprovação do curso de Ciências da Religião. Com mais de 70 mil livros e seis mil periódicos, o espaço é aberto ao público e fica localizado ao lado da Igreja da Glória, onde Jaime Snoek sempre atuou. Em 1980, fundou o Centro de defesa dos Direitos Humanos (CDDH) e, em 1986, fundou o Centro de Orientação Familiar (COFAM). Homem livre, misto de intelectual e cuidador, unia com fineza e firmeza a saúde com a salvação. Deixa saudades e exemplo pra gente.

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20 de set. de 2013

PELA BIBLIOTECA DO DOM

A Revista Aurora, publicação de cultura do Diário de Pernambuco, neste domingo (22/09), traz a matéria "Uma incursão pela biblioteca de Dom Helder", que reproduzimos aqui para o nosso orgulho e como homenagem a Lucy e ao seu "objeto/sujeito" de estudo. A reportagem traz texto de Jailson da Paz e um álbum fotográfico de Maria Eduarda Bione, e trata da dissertação de Mestrado em Ciências da Religião pela UNICAP da historiadora Lucy Pina Neta. A pesquisadora (na foto ao lado, também apresentada na matéria), que já está se preparando para o doutorado, traçou um perfil do religioso a partir de seus livros, muitos deles anotados e grifados pelo antigo bispo do Recife. Anime-se com essa incursão e faça também uma visita do Memorial Dom Helder, onde está essa biblioteca e muito mais material para quem deseja conhecer e se envolver com um cristianismo despojado e servidor - mas estudioso e dialogal...

"Grifava trechos, escrevia às margens das páginas, quer fosse para análises pessoais ou para debates com amigos-leitores. Assim lia dom Helder Camara, ex-arcebispo de Olinda e Recife: deixando rastros. É o que revela a historiadora Lucy Pena, na dissertação Helder Pessoa Camara: Elementos de seu perfil intelectual a partir de suas bibliotecas, orientada pelo professor Luiz Carlos Luz Marques, do mestrado em Ciência da Religião, da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).

Entre os diálogos recuperados pela pesquisadora estão as leituras conjuntas de algumas obras, à distância, entre dom Helder e a literata Virgínia Cortês de Lacerda. Os dois se conheceram no Rio de Janeiro, cidade onde o sacerdote residiu entre 1936 e 1964. À literata, explica Lucy, deve-se o começo da mudança da formação intelectual do padre. Antes, ele era um leitor solitário e dedicado à burocracia educacional.

A recomposição dos diálogos entre os dois parte de publicações que integram as coleções das bibliotecas de dom Helder. Ele teve três. Da primeira, montada em Fortaleza (Ceará), onde nasceu, quase nada sobrou. Poucos exemplares dessa época foram recuperados, e o que se resgatou foi misturado à biblioteca estruturada no Rio de Janeiro. É em obras da coleção formada no Rio que se elucida o pensamento de ambos. Lucy Pina saca algumas conversas manuscritas de dom Helder e Virgínia de um exemplar de O Diário intimo de uma adolescente, escrito pelo ensaísta e psicólogo argentino Aníbal Ponce. Na época, os dois brasileiros haviam trabalhado juntos na Faculdade de Letras das Irmãs Ursulinas, experiência que os fazia ver com ressalvas as análises de alguns pensadores clássicos.

O pai da psicanálise, Sigmund Freud, cai na teia das ressalvas, quando Helder e Virgínia avaliam a afirmação de Ponce de que o diário da pintora russa María Bashkirtseff seria falso. E que a carta de Freud, que prefacia o livro, representa a prova. Diante disso, dom Helder questiona na margem inferior do livro: “Possível, Freud?”. Virgínia responde: “Acho possível (juízo temerário)”. Ao que ele rebate: “Possível é. Mas não acha provável”. A conversa continua, tendo dom Helder, em um dos pontos, dito que Freud pareceu ser sincero, o que a literata retruca sem piedade: “Pareceu-me um maníaco”. Por fim, o diálogo, que deve ter durado dias para ser escrito, no vaivém do livro, termina com a observação do sacerdote de que “mania e sinceridade são dados compatíveis”. Detalhe: os dois tinham o diário de María e planejaram lê-lo para confrontar com Ponce. Queriam a prova dos nove.

As conversas manuscritas entre dom Helder e Virgínia dão tom da importância da literata para o amadurecimento intelectual do amigo. Ela sugere, numa das páginas do livro de Ponce, a leitura dos clássicos Ilíada e Odisseia. “Virgínia era de conhecimento excepcional. Lia esses clássicos no original. Em grego”, revela Lucy. Dominava bem a língua de Sófocles e Eurípides. Mas os dois clássicos de Homero, Helder e Virgínia leram em francês. O Diário intimo de uma adolescente, de Ponce, foi lido em espanhol.

O estudo conjunto dos dois era intenso. Dava-se nos livros e na troca constante de correspondências entre 1944 e 1952, quando Virgínia adotou o pseudônimo de Caecilia. Dom Helder, que optou por ser Padre Albertus nas cartas, enxergava uma inteligência privilegiada na companheira de estudo. Em determinados diálogos, há a impressão de divergências entre os dois, mas prevalecia a procura pelo amadurecimento mútuo. O sacerdote contribuía com o espiritual, fazendo Virgínia, como ele afirma, retornar à casa do Pai (Deus). Ela, por sua vez, levava-o a mundos diferentes dos até então conhecidos por dom Helder, centrado na área do ensino. “O que ele escreveu sobre ela, e o que juntos escreveram dão pistas de que ela, provavelmente, foi uma das maiores referências intelectuais com quem ele teve uma relação tão próxima”, salienta Lucy. Virgínia faleceu em 1959.

Com a morte da amiga, dom Helder entra em uma nova fase. Mergulha nas leituras sobre a história da igreja, ecumenismo e práticas religiosas influenciadas pelo anúncio, feito pelo papa João XXIII, da convocação do Concílio Vaticano II (1962-1965). A biblioteca do Rio de Janeiro se amplia em número de volumes. Quando ele chega ao Recife, em abril de 1964, uma nova começa a ser montada, somando aproximadamente 1,2 mil livros até 1985, ano em que dom Helder repassa o comando da Arquidiocese de Olinda e Recife para dom José Cardoso Sobrinho. Desses 1,2 mil livros, detalha a dissertação, mais de 200 possuem algum tipo de marcação ou anotação manuscrita por dom Helder. A biblioteca recifense tinha, em 1999, ano da morte do arcebispo, mais de dois mil livros publicados em cinco idiomas: português, francês, inglês, espanhol e italiano.

As obras deixadas na biblioteca do Recife ajudam a entender o amadurecimento intelectual do arcebispo. Como leitor, dom Helder ampliou o leque de questões estudadas, conectadas à visibilidade que ele ganhou a partir do Vaticano II e na luta pelos direitos humanos, o que lhe rendeu centenas de convites para palestras e seminários. No concílio, o arcebispo se destacou pela capacidade de articulação. E articular exigia poder de organizar. Isso dom Helder fazia bem ao adotar um esquema geralmente com a mesma estrutura, incluindo justificativa pela escolha do livro, comentário sobre o autor e a circunstância em que fez a leitura — as expressões mais comuns, pontua Lucy, são “nuns minutos vagos” ou “durante a vigília”. Tais frases apontam para disciplina do arcebispo, um homem que aproveitava horas das madrugadas para ler, refletir e escrever.

Em alguns desses momentos, dom Helder comentou Diálogos com Paulo VI, livro de memórias do pontífice. A leitura, em 1969, coincide com um dos momentos mais difíceis da vida do arcebispo, então perseguido por integrantes do regime militar, que metralharam duas vezes sua casa, no Derby, e sofrendo a perda do auxiliar para assuntos da juventude, padre Henrique Pereira Neto, encontrado morto com sinais de tortura. O objetivo era silenciar o arcebispo. Ele compreendia a mensagem, tanto que, em uma das páginas da obra escrita por Jean Guitton, destaca que “na arte dos sons, uma das notas é o silêncio”. O registro o leva, segundo a pesquisadora, a escrever a meditação De que não é capaz o silêncio:

“De que não és capaz, silêncio?
Que sentimento não consegues traduzir?
E com te fazes entender com muito menos risco de distorções que a palavra, tua irmã…
Quando mais me emocionas
É quando silencias de todo,
Silêncio, chegada a tua vez de adorar o senhor e escutar!…”

Na época, dom Helder também sabia do intuito de membros da Cúria Romana de reduzir o seu número de viagens e conferências internacionais. As exigências para limitá-lo ao Brasil eram sutis, com argumentos de cuidar das questões da igreja local. As páginas do livro Diálogos com Paulo VI, papa de quem se tornou amigo antes mesmo de ele assumir o pontificado, foram usadas para desabafos contra a imposição do silêncio. Daí, escrevendo verticalmente na página 25 do livro, o arcebispo reclama que “não há desvio senão nas inteligências magnânimas e generosas. Dizendo de outro modo, não se corrige senão os vivos e, quando se corrigem, admiram-se. E diria mesmo que às vezes se invejam.” A imposição da Igreja veio à tona com a denúncia do jornalista francês José de Broucker, na época. Agora, a análise cuidadosa dos manuscritos deixados em livros por dom Helder ajuda a aprofundar a compreensão não apenas da sua história, mas da Igreja e do Brasil."

17 de set. de 2013

JUVENTUDE TRANSVIADA OU TRANSRELIGIOSA?!

MOTA, Antonio e LIBÓRIO, Luiz (Orgs.).
Juventude, experiência religiosa secularizada na cultura pós-moderna.
Recife: FASA, 2013.

Eis aqui uma coletânea organizada pelos professores de Ciências da Religião da UNICAP, Mota e Libório, para divulgar e discutir a sua pesquisa sobre experiência religiosa juvenil. A obra tem participação do professor João Luiz e dos egressos Maria Piedade e João Carlos, além de jesuítas famosos, companheiros de Mota: Libânio e Henrique Vaz.

O livro mostra que os jovens hoje querem felicidade imediata, buscam prazer e liberdade, sensações e não compromissos, perdem-se em consumismo utilitarista, mas também exigem coerência ética e cuidado pela terra, cobram escolhas convictas e dispensam tradições. Como ajudá-los, através de místicas inculturadas no espírito juvenil, em meio às luzes e sombras do nosso tempo pós-moderno, a fazer uma experiência de fé libertadora - e não meramente religiosa, cultural, emocional - no divino que Jesus apresentou?

A leitura é indicada para quem se preocupa com essa pergunta ou se ocupa de pastorais juvenis cristãs. Aponta para avaliações das imagens de Deus que prevalecem entre nós, de um poder de justiça, capaz de inspirar atitudes e comportamentos de crítica social e política; de um Deus da experiência interior do Espírito, que irrompe como força transformadora da existência individual; de um Deus da pluralidade cultural, que se manifesta por caminhos e formas diversas nas tradições religiosa dos povos e fundamenta uma ética universal da convivência humana; de um teísmo filosófico que não precisa cair no panteísmo da razão imanente ao universo, mas pode se abrir ao panenteísmo cósmico que vislumbra o Ponto Ômega...

Mais informações e aquisição com o Pe. Mota,
 que também é reitor do Santuário de Fátima no Liceu Nóbrega, da UNICAP: amota@unicap.br

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3 de set. de 2013

CAFÉ COM DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO

Moisés Germano, junto com Carlos Vieira, Mestres em Ciências da Religião pela UNICAP, continuam multiplicando o Fórum Inter-religioso na Escola Petrônio Portela, em Jaboatão. É uma iniciativa mais avançada, de uma rede de Fóruns e Feiras das Religiões que está se construindo pelas escolas da Região Metropolitana do Recife, com o nosso apoio e colaboração, e no espírito do Fórum Inter-religioso que viemos ensaiado na UNICAP (veja aqui).

Na manhã de hoje (03 de setembro), os funcionários e colaboradores da Fundação Antônio dos Santos Abranches (Fasa), na Universidade Católica de Pernambuco, participaram de encontro institucional onde puderam conhecer essa experiência: após um café da manhã, assistiram às palestras do Pró-reitor Comunitário, Padre Lúcio Flávio Ribeiro Cirne, e de Moisés Germano de Andrade, idealizador do Fórum há três anos, tratando do Pluralismo Religioso e do projeto Inter-religioso na Escola Petrônio. 

É o nosso Mestrado fazendo escola e retecendo as práticas pedagógicas nas escolas da região, mormente pela construção de uma educação religiosa consoante com a pluralidade cultural do povo brasileiro e compromissada com a defesa da diversidade religiosa e do diálogo entre tradições religiosas e não-religiosas de espiritualidade. Parabéns a Moisés e companheiros e conheça melhor a sua experiência exitosa por aqui.





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Observatório das religiões

21 de ago. de 2013

JUVENTUDE EM BUSCA DO SAGRADO



No último final de semana fui convidado para assessorar um encontro com jovens do 9º ano do fundamental até o 3º ano do ensino médio no Colégio Nossa Senhora da Piedade, em Lagarto, Sergipe, pertencente às Irmãs Franciscanas do Bom Conselho. É surpreendente como numa manhã de sábado, sem ser obrigatório, sem ter caráter avaliativo, sem nenhuma pressão para que eles participassem, os jovens encheram o auditório do Colégio! Tema? Diversidade Religiosa e direitos Humanos. Fiquei surpreso com a maturidade dos meninos e meninas, católicos, espiritas, protestantes, "sem denominação religiosa", e jovens que dizem não acreditar em "nada", mas que estavam ali para, juntos, refletir sobre um mundo mais justo e mais fraterno, com o suporte da espiritualidade. Sob inspiração do "Pai Seráfico", São Francisco, na construção de uma pedagogia da Paz e do Bem, passamos um final de semana com alunos, professores, pais de alunos, aprofundando a beleza da diversidade religiosa e da necessidade de uma partilha e de um respeito profundo entre as religiões e Igrejas.

Apresentei com carinho aos professores e aos pedagogos presentes a proposta do nosso Mestrado, dizendo que uma Rede de Fóruns e Feiras Inter-religiosas está se espalhando por várias escolas da região, inspirando-se no seu trabalho de extensão acadêmica no Fórum Inter-religioso da UNICAP (que fica no Observatório Transdisciplinar das Religiões no Recife). Lembrei aos mesmos que a Universidade Federal de Sergipe oferece também, em Aracaju, uma graduação e está começando a oferecer um Mestrado em Ciências da Religião. Aprofundei um pouco, com eles, a importância e as oportunidades intelectuais e profissionais que podemos conquistar dentro de um Mestrado na área dos estudos da religião, ressaltando que o maior ganho é a abertura da mente e do espírito para o fenômeno religioso plural.

Com a meninada, o papo foi maravilhoso: apresentações, debates, teatro, dinâmicas de grupo, partilhas! Realmente, quem pensa que essa garotada não entende de religião está realmente por fora do que pensa a nossa juventude. Nossos jovens têm uma busca profunda do sagrado e acredito que, muitas vezes, as religiões e as igrejas não consigam oferecer uma fonte onde eles possam beber e se banhar. Porque têm uma linguagem doutrinal e os jovens querem vivências e experiências, eles não andam em busca de verdades abstratas, mas de pessoas verdadeiras, que transpareçam humanidade, santidade.

No final, ficou claro para mim, como presbítero católico, que o Mestrado em Ciências da Religião está me ajudando profundamente na Missão que assumi na minha vida, de anunciar as maravilhas do Senhor Jesus Cristo, de anunciar a alegria da fé no divino, de ajudar em experiências de grande sentido para a vida, que impliquem na percepção do Todo e de algo incondicional. E quanto mais a gente segue a Jesus, que não anunciou a si nem a Deus direta e imediatamente, mas sim o Reinado de Deus, então a gente fica aberto para colaborar com as lufadas do seu Espírito, que sopra onde quer, por diversas tradições religiosas e culturais também.

O Mestrado nos dá uma capacidade de diálogo, de interação, de abertura ao diferente, uma visão do sagrado que encanta as pessoas que nos escutam. E no final do encontro, uma professora protestante me dizia no pé do ouvido: "Deus é maior do que tudo que aprendemos nas igrejas"! Fiquei estupefato, pasmo, incrédulo, diante de tal colocação! E assim sigo animado, mais ainda com a proximidade do IV Congresso da Anptecre, que o nosso Mestrado vai acolher em setembro na UNICAP e pretende analisar o futuro das religiões no Brasil: espero encontrar colegas de todo o país e discutir esse futuro, pensando principalmente nos jovens, que buscam tanto o sagrado e que muitas vezes não são ajudados por nós que deveríamos caminhar ao lado deles, acompanhando, refletindo com eles e não apenas apresentando regras e normas de vida!

Sandro Lemos,
presbítero católico em Palmares, mestrando em Ciências da Religião.

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7 de ago. de 2013

HISTÓRIA DA ASSEMBLEIA DE DEUS VIRA EBOOK

Seguindo a tendência crescente de compartilhamento da produção científica através de livros eletrônicos ou ebooks, o nosso Mestre em Ciências da Religião pela UNICAP, Moisés Germano, acaba de disponibilizar gratuitamente o seu livro Assim falou Pedro Trajano: uma história da Assembleia de Deus (Recife: FASA, 2010).

Com 60 páginas cheias de ilustrações, formatado agora em PDF, o livro de Moisés percorre o surgimento e história da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, que surgiu em Belém-PA com a pregação de pastores que trouxeram de grupos negros dos Estados Unidos a doutrina cristã do batismo no Espírito Santo, com a glossolalia, o falar em línguas espirituais.

A Assembleia de Deus tornou-se a maior Igreja evangélica do Brasil e uma das maiores do mundo, dividindo-se em diversas ramificações, e Moisés, através de entrevista ao octogenário Auxiliar de Trabalho Pedro Trajano, nos dá uma ideia desse trajeto pelas memórias da Congregação da Assembleia de Deus em Cavaleiro-PE. Leitura instigante para quem pesquisa o protestantismo no Brasil.

Baixe o livro por aqui.


Moisés Germano de Andrade, recifense, Mestre em Ciências da Religião e Especialista em História Regional do Brasil: Nordeste, pela UNICAP. É também licenciado em Estudos Sociais com habilitação plena em História, pela FAINTVISA. É professor efetivo da rede pública do Estado de Pernambuco. Coordenador do Projeto Social Vida e Ação (agência experimental de estágio, curso e emprego no bairro de Sucupira, Jaboatão dos Guararapes). Fundou a Biblioteca Prof. Michel Zaidan Filho, na Faculdade de Vitória de Santo Antão. Apresentou programa nas rádios Harmonia e Criatividade. Criou com seus amigos o Fórum Inter-religioso do Petrônio, para trabalhar tolerância e convivência religiosa na Escola Petrónio Portela, em Jaboatão. Já é autor do livro Ordem para os pobres e progresso para os ricos (2004) e Além da alienação: a conversão religiosa como forma de ressocializar pessoas oriundas do mundo da criminalidade (Recife: FASA, 2010), premiado pela Secretaria de Educação e lançado na Bienal do Livro de Pernambuco (veja aqui).

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20 de jul. de 2013

NOSSOS MESTRES BRILHAM NO CONGRESSO DAS CATÓLICAS



Os professores e pesquisadores da Unicap Luis Carlos Pacheco e Valter Luis de Avellar apresentaram o Painel “Religião e Espiritualidade no Ciberespaço” durante o Congresso Mundial de Universidades Católicas – CMUC 2013, entre os dias 18 a 21 de julho de 2013, na PUC Minas.

O painel foi realizado nos dias 19 e 20. No primeiro dia os painelistas da Unicap apresentaram suas pesquisas desenvolvidas no Programa de Mestrado em Ciências da Religião da Universidade Católica de Pernambuco, que resultaram em suas Dissertações de Mestrado e repercutiram em publicações de livros e artigos em revistas e anais de congressos. O pesquisador Luis Carlos Pacheco apresentou sua reflexão sobre o audiovisual como lugar da experiência espiritual na Internet e a utilização do vídeo como subsídio para o Ensino Religioso no Brasil. A partir da pergunta sobre o audiovisual como oportunidade para a vivência da experiência do sagrado na cultura contemporânea, marcada pela tecnologia eletrônica, foi realizada a análise de produções audiovisuais utilizadas pelos professores do Ensino Religioso no Brasil. A eletrônica possibilita novas tecnologias de comunicação e informação, onde o fluxo de imagens e sons gera novas formas de compreensão do real, sobretudo das novas gerações que já nasceram imersas nessa nova cultura. Nessa perspectiva o painelista salientou a importância da reflexão dos educadores em torno das novas tecnologias de informação e comunicação.

O pesquisador Valter Luis de Avellar apresentou sua reflexão sobre Espiritualidade e Internet através da análise do fenômeno da troca de mensagens humanísticas e espirituais nos e-mails. O ciberespaço e as novas questões que congrega se tornou campo para fenômenos religiosos. Nesse contexto, a pesquisa procurou entender o porquê de tantas pessoas se utilizarem do e-mail para divulgar mensagens de atitude positiva, valores, otimismo, sabedoria, espiritualidade e sentido da vida. O que as motivam e quais são os efeitos em suas vidas? O painelista Valter Avellar analisou também os efeitos terapêuticos dessas mensagens através de uma forma de conhecimento humano denominado Logoterapia.

No segundo dia os painelistas compartilharam algumas experiências sobre a universidade católica como lócus da reflexão sobre a diversidade religiosa e a cultura das mídias, e as novas formas de espiritualidade resultantes desta relação, a partir das experiências realizadas na Unicap em torno destes temas. Foram apresentadas as experiências do Observatório Transdisciplinar das Religiões no Recife, do Projeto Bíblia, Comunicação e Arte e do Instituto Humanitas Unicap. Estes projetos utilizam tanto dos meios acadêmicos tradicionais, tais como fóruns, conferências e debates, como dos meios eletrônicos, tais como vídeos, documentários, programas de entrevista, artigos e pesquisas acadêmicas veiculadas na Internet.

Pesquisas e vivências desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisa Religiões, Identidades e Diálogos do Programa de Mestrado em Ciências da Religião da Universidade Católica de Pernambuco, resultaram na realização de um Observatório Transdisciplinar das Religiões do Recife, veiculado na Web. O site disponibiliza pesquisas, material didático e vídeos sobre as diversas tradições religiosas presentes em Pernambuco. Desde 2007 o Grupo de Pesquisa promove o Fórum Inter-Religioso através de uma série de encontros de animadores das tradições religiosas da região, para conhecimento mútuo e exercício da tolerância cultural, para a tentativa de uma veneração pluralista pelo sagrado. Para cada encontro foi preparado um vídeo documentário com imagens dos ritos e depoimentos dos representantes das tradições religiosas, resultando num acervo de 30 documentários disponibilizados no site do Observatório. Tendo a transdisciplinaridade como referencial de conhecimento foram realizadas diversas pesquisas que também estão disponíveis no Observatório.

O projeto Bíblia, Comunicação e Arte é fruto de um intercâmbio cada vez mais fecundo entre a Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP e Universidade Católica de Portuguesa – UCP. O projeto se propõe a refletir sobre a Bíblia como fonte de inspiração cultural em duas culturas com uma matriz lingüística comum. Ele busca articular, de forma interdisciplinar, três lugares específicos, a saber, a Bíblia, os Meios de Comunicação e as Artes. O projeto propõe, através da articulação desses campos, o dialogo intercultural, em nossas sociedades marcadas pela cultura moderna e pós-moderna. Através das diversas manifestações artísticas, tais como o teatro, as artes plásticas, a literatura, o cinema, o projeto busca construir um diálogo com o saber acadêmico, que encontra seu espaço privilegiado na universidade. São realizados eventos culturais, tais como exposições artísticas e mostras cinematográficas, conferências e debates, além do Programa Teologando, um programa de entrevista com teólogos, biblistas, artistas e representantes da cena cultural, veiculado no site do projeto.

O Instituto Humanitas Unicap é uma experiência inspirada no Instituto Humanitas Unisinos e tem como objetivo principal estabelecer um espaço de reflexão nas fronteiras do conhecimento e ser um canal aberto no diálogo com a cultura e a sociedade. Ele deseja associar-se a uma concepção de ensino segundo a qual a missão da universidade compreende três níveis intimamente entrelaçados: compreender a realidade, responsabilizar-se por ela e nela intervir como um instrumento de efetiva transformação social. No coração do Nordeste, o IHU está atento ao dinamismo de universalização do mundo contemporâneo, com seus desafios e possibilidades. Os painelistas Luis Carlos Pacheco e Valter Luis de Avellar apresentaram o site do IHU e falaram sobre os seus cinco pólos temáticos, a saber: 1) Teologia, Ciência e Cultura; 2) Mercado, Pobreza e Desigualdades; 3) Ecologia, Desenvolvimento e Sociedade Sustentável; 4) Gênero, Diversidade e questão Étnico-racial; 5) Democracia, Sociedade e Políticas Públicas.

Conheça um pouco mais essas experiências:
Observatório das Religiões no Recife: www.unicap.br/observatório2
Projeto Bíblia, Comunicação e Arte: www.unicap.br/pagens/arte
Instituto Humanitas Unicap: www.unicap.br/ihu

16 de jul. de 2013

APROVEITE PERNAMBUCO NA ANPTECRE




Quem vem pro Congresso da ANPTECRE na Universidade Católica de Pernambuco, tem motivos pra chegar antes ou voltar bem depois. É que localizado no centro do Nordeste do Brasil, Pernambuco é um dos mais completos e atraentes estados da região. Uma das primeiras áreas do Brasil ocupadas pelos portugueses, o estado tornou-se um grande produtor de açúcar e durante muitos anos foi o responsável por mais da metade das exportações brasileiras. Esta atividade econômica, predominante durante toda a fase de formação histórica e social, marcou profundamente a cultura pernambucana. Mais de 500 engenhos de cana-de-açúcar chegaram a operar simultaneamente. Neles nasceram o modo de pensar e agir do pernambucano, diversas manifestações culturais e a tradição da mesa farta, repleta, claro, de doces de todos os tipos.

Foi também a riqueza da cana-de-açúcar que atraiu novos colonos europeus que terminaram por construir em Pernambuco um dos mais ricos patrimônios arquitetônicos da América Colonial. A mistura de etnias europeias, africanas e indígenas, somada a influências das culturas árabe e judaica deu origem a um povo guerreiro, criativo, que no passado lutou com garra pelos seus ideais e hoje coloca Pernambuco na vanguarda da produção cultural do país. Some a tudo isso o privilegiado litoral, com 187km de praias de águas mornas e transparentes, moderna infraestrutura aeroportuária, rodoviária e hoteleira e você entenderá por que Pernambuco é um dos mais completos e atraentes estados da região.

Para completar, o Congresso da ANPTECRE, de 4 a 6 de setembro, acontece por ocasião da 10ª MIMO, uma Mostra Internacional de Música que começou em Olinda, no Grande Recife, capital de Pernambuco, e está se espalhando por outras cidades do país. Com programação inteiramente gratuita e de excelência, em imponentes cenários do patrimônio histórico (igrejas, museus, monumentos, teatros) e ao ar livre, a Mostra dá aos espectadores a oportunidade de experimentar momentos inesquecíveis da cena musical contemporânea do planeta, com concertos de música erudita, popular, jazz, world music e música brasileira. Nesta edição, de 2 a 8 de setembro, Olinda vai receber Nelson Freire, Guillaume Perre, Ibrahim Maalouf, Omar Sosa, Stefano Bollani, Raul de Souza, Richard Galliano e Gilberto Gil. E então: é só chegar!


Saiba mais sobre a cultura e as atrações turísticas de cada região de Pernambuco por aqui.
Descubra a programação completa da MIMO por aqui.

28 de jun. de 2013

DA TRANSCENDÊNCIA À IMANÊNCIA



É com imenso orgulho que comunicamos o lançamento do livro Da transcendência à imanência, da Mestre em Ciências da Religião pela UNICAP, Josineide Silveira de Oliveira. A publicação resultou da sua dissertação, defendida em agosto passado, sobre o "Sagrado como semeador de estratégias de viver", que versa sobre o trabalho da Comissão de Ensino Religioso do estado do Rio Grande do Norte (CER-RN), que está completando seus 40 anos de existência.

A reflexão, aprofundada agora no livro, busca compreender como a educação religiosa pode ajudar a criar ressonâncias do sagrado, principalmente pelas entrelinhas dos eixos temáticos propostos nos Parâmetros Curriculares do Ensino Religioso. O sagrado aparece como uma dimensão humana capaz de abrir portais de transcendência e inspirar atitudes como temperança, prudência, tolerância, resistência e perseverança, sabedorias necessárias à formação do sujeito responsável.

Josineide também possui mestrado em Ciências Sociais e doutorado em Educação pela UFRN. Atua como educadora em Natal, é professora na Universidade Potiguar e na UERN, onde coordena especialização em Ciências da Religião. Além disso tudo, é pesquisadora do Grupo de Estudos da Complexidade da UFRN. Estamos todos vibrando com mais um sucesso de Josineide.

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9 de jun. de 2013

EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS DA RELIGIÃO




“A Educação, reproduz, assim, em seu plano próprio a estrutura dinâmica e o movimento dialético do processo histórico de produção do homem. Para o homem, produzir-se é conquistar-se, conquistar sua forma humana. A pedagogia é antropologia" (FREIRE, 1970).

Caros amigos do Mestrado e do Blog!

Exatamente há um ano, nós que formamos a oitava turma estávamos concluindo o primeiro semestre de aulas e preparando nossa confraternização e também um passeio, que acabou acontecendo no segundo semestre e selando a nossa parceria e sintonia. Para vocês da nona turma, desejo com carinho um final de semestre iluminado e abençoado pelo divino, que vai se manifestar maravilhosamente agora nas expressões culturais das nossas festas juninas. Como é bonito, a partir das Ciências da Religião, perceber a religiosidade do nosso povo, nas diversas tradições culturais deste mês de junho, nas devoções populares de Santo Antônio, São João e São Pedro. Que a alegria das nossas festas simbolizem a esperança de tempos mais justos para o nordestino, principalmente os que sofrem com o drama da seca.

Partilho com todos vocês dois envolvimentos meus neste começo de ano: o primeiro é a participação na equipe gestora da FAMASUL, Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul. Fui convidado pelo presidente da autarquia que administra a Faculdade, para ser vice-diretor da instituição, sendo assim adjunto do Professor Lourival, Mestre em Matemática, que assumiu a direção. A ideia era justamente essa, juntar um Matemático e um mestrando em Ciências da Religião. O desafio foi aceito, e cheio de contentamento quero compartilhar com vocês, colegas antigos e novos do Mestrado e com nossos professores, a satisfação de ajudar na formação acadêmica da Região da Mata Sul de Pernambuco, já que nossa Faculdade atinge mais de 40 municípios.

E já temos novidades: estamos formando um Grupo de Pesquisa para trabalhar sobre a questão da Religião na Mata Sul de Pernambuco e estamos nos preparando, com o apoio e a parceria da UNICAP, para oferecer uma Especialização em Ciências da Religião aqui na Faculdade. Ainda tem mais: a inclusão, no curso de História, da cadeira História das Religiões no Brasil, como componente curricular optativo. Celebramos também na Faculdade uma "Páscoa Ecumênica", uma celebração com todas as expressões religiosas que encontramos dentro da Faculdade e esperamos em breve realizar um Seminário no Departamento de História sobre a Persistência do Sagrado, um debate sobre a religião hoje, com os futuros historiadores e aberto às outras graduações.

Desejei partilhar tudo isso, pois é uma forma de agradecer à UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO, através do MESTRADO EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO, a oportunidade de estar recebendo uma formação acadêmica transdisciplinar e dialogal e, ainda como estudante do Mestrado, já poder contribuir com a formação universitária dentro de uma região tão sofrida como a Zona da Mata. Acreditem, eu cresci e estou ajudando o meu povo a crescer como gente, também no que diz respeito à fé esclarecida. Testemunho que os estudos da religião têm muito o que colaborar para a educação, seja dentro das nossas tradições religiosas, seja no espaço público escolar.

A segunda novidade é justamente a formação de um Grupo de Pesquisa Juvenil, no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, que pertence à Congregação das Irmãs Franciscanas do Bom Conselho, em Palmares. Esse grupo está sendo formado com alunos do ensino médio, aproximadamente uns 25 adolescentes, que irão se encontrar conosco uma vez por mês, para discutirmos temas relacionados a religiões e religiosidades. O grupo terá como objetivo desenvolver nos jovens o interesse pelo Pluralismo Religioso e ajudar a perceberem a importância do estudo das espiritualidades, a necessidade da tolerância religiosa, já que no grupo temos católicos, evangélicos, espíritas e até jovens que se dizem agnósticos. Uma realidade que nos dá esperança, na alegria de vermos jovens de vários credos reunidos na pesquisa sobre o universo do sagrado.

Conto com o apoio, a amizade e as "orações" de todos, para que tudo isso seja para a construção de um mundo mais justo e mais fraterno. Um mundo em que existam escolas tão humanizadas, onde se manifestem pedagogias tão humanas, que toquem no divino mistério da realidade!

Um abraço!

Sandro Lemos,
presbítero católico em Palmares, mestrando em Ciências da Religião.

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28 de mai. de 2013

O AMOR E SUAS FORMAS

João Luiz Correia Júnior e Nilo Ribeiro Júnior.
O Amor em suas múltiplas formas.

São Paulo: Paulinas, 2013.

A busca pelo amor, assim como a busca pela felicidade, é uma das principais preocupações do ser humano. Uma busca confusa e desenfreada em que muitas vezes não se consegue nem mesmo identificar o objeto ou o objetivo. Afinal, o que é o amor, o que significa amar? 

São múltiplos os significados que o termo "amor" apresenta na linguagem comum, na vida cotidiana, segundo os vários gêneros literários, para os estudiosos da Bíblia, da Teologia ou da Filosofia. Seja qual for o meio utilizado para se tentar defini-lo, o certo é que o amor modifica nossa vida, transfigura e reconfigura o mundo conforme o conhecíamos, e é excelente antídoto à violência. 

É interessante e necessário, portanto, distinguir os diversos tipos de amor, e é o que se pretende com esta obra. Os autores identificam e nomeiam as diversas formas de amor: amor agape, amor philia, amor eros, amor conjugal, amor de parentesco, amor-companheirismo, amor-cuidado. Nomeando-as, os autores situam-nas em planos que se complementam, explicitam o que é peculiar a cada uma e favorecem a tematização do que é vivenciado. 

O leitor seguirá conduzido por dois olhares: o bíblico-teológico (através do Antigo Testamento, dos relatos evangélicos, das cartas de Paulo, das cartas joaninas) e o filosófico (segundo a perspectiva de Emmanuel Levinas, Paul Ricoeur e Xavier Lacroix). João Luiz e Nilo Ribeiro, como professores universitários (lecionam na Universidade Católica de Pernambuco), desejam, ainda, aguçar a curiosidade dos leitores, em especial dos jovens, suscitando não só a reflexão e a pesquisa sobre o tema, como também o cultivo, a vivência e a partilha do amor em suas mais variadas formas.

Os Autores são professores do Mestrado em Ciências da Religião da UNICAP:
JOÃO LUIZ CORREIA JÚNIOR, natural de Recife (PE), é doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC-Rio, na área de Estudos Bíblicos. Leciona na Universidade Católica de Pernambuco, Unicap, onde pesquisa sobre o Movimento de Jesus, na fronteira entre Novo Testamento e História. Tem experiência no campo de Hermenêutica Bíblica. É assessor do Centro de Estudos Bíblicos, Cebi, de Pernambuco.
NILO RIBEIRO JÚNIOR, natural de Santa Rita do Sapucaí (MG), é doutor em Teologia e em Ética Filosófica, especializou-se nas áreas de Ética Teológica Fundamental e Ética da Sexualidade, e na área de Filosofia Contemporânea. Atua principalmente nos temas de alteridade, ética, responsabilidade e corporeidade em Emmanuel Levinas.

Grande Lançamento
(com palestra de João Luiz sobre o livro)
8 DE JUNHO DE 2013 (SÁBADO) ÀS 9H
NA LIVRARIA PAULINAS
Rua Frei Caneca, 59 – Recife


24 de mai. de 2013

DA PRÉ-HISTÓRIA AO ROCK: MÚSICA E RELIGIÃO




Colegas e amigos do Mestrado,

A edição 2013 do nosso curso de extensão "Música e religião: o som, da pré-história ao Rock, em conexão com o sagrado" foi um sucesso na Universidade Católica de Pernambuco. O curso teve uma revisão e atualização diante de novos lançamentos de cd's, dvd's e livros sobre a temática, o que enriqueceu mais o seu roteiro. A turma participante teve um número de 25 inscritos e muitas solicitações para uma segunda etapa, abordando a música no Oriente e os processos de cura através da Musicoterapia. Caso a se pensar!!!!

Estou feliz. Aliás, sempre me realizo nesse curso. Precisaria de muito tempo para relatar os momentos e descobertas. Mas, algo me deixou muito satisfeito: desde a edição anterior percebo um diálogo inter-religioso atravessando todo o processo do curso. Muito bom esse sentimento. Tivemos agora protestantes, católicos (até freiras), espiritualistas, umbandistas, músicos, historiadores, estudantes. Nada melhor para se sentir realizado, quando se quer criar relações no trabalho com religião, com arte, com estudo e pesquisa. E foram emocionantes as participações de Sergio Ferraz (A música e a religião na Índia) e Érico Lustosa (Música e transe nos terreiros). Conquistaram a todos e todas no curso. Lindo!

Sim, claro, não consegui abordar todo meu conteúdo. Precisaria de mais umas 6 a 10 horas. Imagina? De todo modo, abaixo segue o roteiro do curso e acima algumas fotos dos nossos melhores momentos. O objetivo do curso foi estabelecer uma abordagem informativa, crítica e reflexiva, sobre o desenvolvimento da música e sua inserção nas religiões, a partir do Ocidente. Utilizamos teóricos e cientistas que pesquisaram e pesquisam o som, o psiquismo, a história, as religiões e a música.

Com carga horária de 15 horas, o nosso curso incluiu exposições, diálogos, apresentação de fotos, filmes, trechos de shows, cds, dvds e livros. Além, evidentemente, da participação interativa dos participantes. A temática foi a seguinte: Música e religião: do silêncio à conexão com o sagrado; As origens da música: o som das cavernas e do medo; Antropologia do ruído: som e sacrifício;  Música Ocidental: no início era o canto gregoriano; A cidade, a música e o universo; O laboratório das alturas; Pós-modernismo e mercado religioso; O instinto musical: a música, a evolução e o prazer; A igreja medieval: a música e a missa (canto e liturgia). A reforma e a contra reforma: mudanças no som sagrado; Heavy metal e religião; O candomblé e a musicalidade natural; O Oriente se recria na canção transcendental; Música e religião: conexão e diálogos; Mercado, cds, dvds, referências...  Ficou um gostinho de mais pela frente! 

Silvério Pessoa,
artista pernambucano, mestrando em Ciências da Religião na UNICAP.

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