25 de mai de 2011

LIVROS DIGITAIS VENDEM MAIS QUE LIVROS DE PAPEL

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Leitor de Livro Digital (Wikimedia)
Todos sabemos que as revistas e jornais em papel estão sendo substituídos por plataformas de informação na internet, que transformam e democratizam a circulação de notícias e reflexões mundo afora. Na área acadêmica, também é vertiginosa a passagem das publicações para o formato digital, que o digam o Portal para Periódicos de livre acesso (4.541 títulos!) ou o Portal Domínio Público. Na área de Teologia e Ciências da Religião, o último Fórum de Editores da ANPTECRE (veja aqui) ofereceu mais formação para a entrada das revistas no ambiente Scielo.

Nosso amigo Giuseppe Staccone, aliás, esta semana enviou carta do Velho Mundo comentando que, do norte da África ao coração da Europa, os jovens estão se manifestando por uma nova política porque acessam mais a internet: "... Não existe mais uma única central de notícias! Qualquer um na rua, na praça ou em qualquer ambiente, com um celular ou um PC, pode transmitir notícias originais (...) dando lugar a uma forma nova de comunicação: 'multicêntrica' e 'pluridirecional'! Acredito que esteja gradualmente acontecendo algo revolucionário no mundo, e da informação pluralista poderá nascer uma forma nova de democracia! Mais esclarecida e menos submissa aos interesses dos grupos sociais dominantes!".

Pois bem, essa possível revolução no mundo das informações, pela qual também a natureza agradece (já que a eliminação do papel favorece a preservação das florestas que restam e a melhoria do clima do planeta), não atinge somente as revistas e os noticiosos, mas está chegando agora também aos livros (veja aqui o artigo, em espanhol, "A guerra digital pelo domínio do livro"). Já são muitos os distribuidores alternativos, também em português, de livros digitais (consulte as indicações da Enciclopédia Colaborativa sobre Ebook ou veja endereços como Ebooks grátis). E já faz tempo que se anuncia uma mudança em curso não apenas na distribuição dos livros, mas ainda mais na forma e cultura do livro, em tempos de hipertexto (veja aqui o artigo, em português de Portugal, "Livro e leitura no novo ambiente digital")

Todavia o que nos surpreendeu esses dias foi o anúncio de que, pela primeira vez, o comércio de livros digitais pela Amazon (transnacional pioneira em negócios eletrônicos) ultrapassou o de livros em papel. Para cada cem publicações impressas, são comercializadas 105 cópias digitais pela loja. Ano passado, a venda de ebooks já havia superado a de livros de capa dura. Agora, os ebooks são mais populares do que todas as categorias de publicações impresssas. A Amazon apresentou a primeira versão do seu famoso leitor de livros digitais, o Kindle, em 2007. A versão mais barata do aparelho custa hoje nos EUA US$ 114, mas a empresa pensa também em disponibilizar os seus livros em outros formatos (para iPads e outras tabuletas que, aliás, ficarão 30% mais baratas no Brasil, pela "MP dos Tablets" lançada esta semana - saiba sobre o futuro dos Tablets aqui). De maneira que a opção por livros digitais é uma tendência do Primeiro Mundo, que poderá baratear entre nós os livros didáticos e facilitar o acesso às bibliotecas (cada vez mais digitalizadas como a Brasiliana ou o Google Livros), além do recurso mais em conta às livrarias.

Então, se você está pensando em publicar um livro, considere os critérios de qualidade Capes e já pense seriamente na possibilidade de um livro digital. Um livro no formato digital, ou ebook, pode ser lido em equipamentos eletrônicos tais como computadores ou note/netbooks, PDAs, tablets ou tabuletas eletrônicas, leitores de livros digitais ou até mesmo celulares que suportem esse recurso. Os formatos mais comuns de ebooks são o PDF, HTML e o EPUB. O primeiro precisa do leitor de arquivos Acrobat Reader ou programa compatível, enquanto que o segundo formato abre em um navegador de Internet. Já o EPUB é um formato de arquivo padrão específico para ebooks.

Além desses formatos, que se prestam para apresentar digitalmente os livros de imersão e conteúdo mais denso, há ensaios também revolucionários para os chamados livros de interação, como manuais, roteiros, séries. Nesse caso deixam de ser e-books e ganham o nome de app-books, tornando-se aplicativos com formato que inclui elementos interativos: áudio, vídeo, mapas, fotografias, trechos do diário, etc. O primeiro desse estilo foi lançado em abril de 2010, uma adaptação de "Alice", de Lewis Carroll, pela Atomic Antelope.
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Lembre-se: o custo de um ebook é muito baixo, pode valer academicamente tanto quanto um livro impresso, e pode ser vendido ou até mesmo disponibilizado para download em portais de internet gratuitos. Quem sabe, de fato, estejamos começando uma transformação cultural tão grande quanto aquela deflagrada por Gutemberg - não só para as bibliotecas, mas também para as religiões e os seus escritos. Afinal, com a imprensa tivemos a Reforma no cristianismo, e com a internet pode surgir uma wiki-teologia e, quem sabe...

Gilbraz.

Veja mais no blog:

5 comentários:

  1. Criar meu web site, Fazer minha home-page, Com quantos gigabytes, Se faz uma jangada, Um barco que veleja...
    Que veleje nesse informar, Que aproveite a vazante da infomaré, Que leve um oriki do meu orixá, Ao porto de um disquete de um micro em Taipé...
    Um barco que veleje nesse infomar, Que aproveite a vazante da infomaré, Que leve meu e-mail até Calcutá, Depois de um hot-link, Num site de Helsinque, Para abastecer...
    Eu quero entrar na rede, Promover um debate, untar via Internet, Um grupo de tietes de Connecticut...
    (Gilberto Gil).

    Eita danado, rapaz: quer dizer que agora a gente que é analf@byte vai ter de reaprender a ler e escrever, é? Tem cursinho de reciclagem aí na Unicap? Podem ir preparando. Abraços.
    Maria Caetana.

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  2. bom, o leitor mais barato que eu acho pra um livro eletrônico custa em torno de 500 reais: como pode ser um avanço social essa história de que os livros digitais tendem a aumentar? aí que os ricos vão ficar é mais sabidos! (ou será que os sabidos é que vão ficar mais ricos?)
    Homem de Bem.

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  3. ah, mas é fácil fazer as contas: qualquer menino gasta 500 reais de livros didáticos por ano (mesmo que a família não pague, porque está em escola pública, mas os nossos impostos pagam)... com um leitor de livros digitais (que tá chegando nesse preço), ele pode levar pra casa os livros e materiais didáticos, pode levar a biblioteca inteira da escola, além de acessar o ambiente virtual do colégio... e o mesmo investimento continua servindo por mais alguns anos! acho que é vantagem.
    Gilbraz

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  4. Bom dia professor,
    Olha que essa moda do stand by é meio contagiosa...rsrs E por falar nisso, em meio a essas "reflexões" , vida e morte, religião e etc..... Me vi angustiada com outra questão....rsrs
    O que acontece com a nossa vida virtual após nossa morte? Fica vagando no universo, espaço cibernético......até? Torna-se ao contrário de nossa vil existência, eterna?! Ou perde-se como poeira no espaço?
    Esquenta não.... depois de tantas outras reflexões, tem a hora dos devaneios e divagações.....rs
    Bom dia!
    Fabi Santos

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  5. Lucy Pina30 maio, 2011

    Talvez este seja o saudoso comentário de alguém que teve seu computador, com os trabalhos de anos, recentemente roubado. E tomando como base está experiência horrível, lhes digo que sofreria ainda mais se visse minha biblioteca inteira ser levada, ou simplesmente não encontrá-la onde costuma ficar, por outro lado, existe a comodidade de ter tudo reunido num tablet bem pequeno e de peso ínfimo. Contudo, ainda prefiro os livros. Gosto das palavras de Umberto Eco, em "Não conte com o fim do livro", "... se o livro eletrônico terminar por se impor em detrimento do livro impresso, há poucas razões para que seja capaz de tirá-lo de nossas casas e de nossos hábitos. Portanto, o e-book não matará o livro - como Gutenberg e sua genial invenção não suprimiram de um dia para o outro o uso dos códices, nem este, o comércio dos rolos de papiros ou volumina. Os usos e costumes coexistem e nada nos apetece mais do que alargar o leque dos possíveis. O filme matou o quadro? A televisão, o cinema? Boas-vindas então às pranchetas e periféricos de leitura que nos dão acesso, através de uma única tela, à biblioteca universal doravante digitalizada." Gostaria de terminar meu "comentário" com um pouco de humor, para tanto ouso citar um trecho do texto de autoria do Millôr Fernandes,L.I.V.R.O., recebi por e-mail. "Na deixa da virada do milênio, anuncia-se um revolucionário conceito de tecnologia de informação, chamado de Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas - L.I.V.R.O.
    L.I.V.R.O. representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, pilhas. Não necessita ser conectado a nada nem ligado. É tão fácil de usar que até uma criança pode operá-lo. Basta abri-lo! [...]
    Especialistas dividem-se quanto aos projetos de expansão da inserção de dados em cada unidade. É que, para se fazer L.I.V.R.O.s com mais informações, basta se usar mais páginas. Isso, porém, os torna mais grossos e mais difíceis de serem transportados, atraindo críticas dos adeptos da portabilidade do sistema. [...]
    O comando "browse" permite fazer o acesso a qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder com muita facilidade. A maioria dos modelos à venda já vem com o equipamento "índice" instalado, o qual indica a localização exata de grupos de dados selecionados.
    Um acessório opcional, o marca-páginas, permite que você faça um acesso ao L.I.V.R.O. exatamente no local em que o deixou na última utilização mesmo que ele esteja fechado. A compatibilidade dos marcadores de página é total, permitindo que funcionem em qualquer modelo ou marca de L.I.V.R.O. sem necessidade de configuração.
    Além disso, qualquer L.I.V.R.O. suporta o uso simultâneo de vários marcadores de página, caso seu usuário deseje manter selecionados vários trechos ao mesmo tempo. A capacidade máxima para uso de marcadores coincide com o número de páginas.
    Pode-se ainda personalizar o conteúdo do L.I.V.R.O. através de anotações em suas margens. Para isso, deve-se utilizar um periférico de Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicação Simplificada - L.A.P.I.S. Portátil, durável e barato, o L.I.V.R.O. vem sendo apontado como o instrumento de entretenimento e cultura do futuro. [...]"

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