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23 de ago. de 2012

O CASO PADRE HENRIQUE, POR ERNANNE

Ernanne
Auxiliar direto de dom Helder Câmara – que, à época da ditadura os militares rotulavam de "arcebispo vermelho" –, o padre Antônio Henrique Pereira da Silva Neto foi torturado até a morte, no Recife, entre a noite e a madrugada de 26 e 27 de maio de 1969. O crime teve o objetivo claramente político de tentar barrar, através da violência física indireta, o arcebispo nas suas ações e pregações em defesa da liberdade. Em dias de Finado, fomos muitas vezes ao túmulo do padre Henrique, na Várzea, onde nalgumas ocasiões conversamos com dona Isaíras, sua mãe, sobre esse crime que devastou sua família e, nunca esclarecido, parecia cair no esquecimento para sempre.
...
Padre Henrique
Mas essa história vai mudar. O site da da Conferência dos Bispos do Brasil informa que o padre José Ernanne Pinheiro, assessor da CNBB, querido professor e diretor da gente no antigo ITER, declarou no último 17 de agosto, em sessão pública da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco, que o assassinato do padre Henrique foi uma tentativa da repressão de calar os dois segmentos mais atuantes da sociedade pernambucana naquele momento: a Igreja Católica e o movimento estudantil. Na época, o padre Ernanne era o vigário-geral da Arquidiocese de Olinda e Recife e acompanhou todos os ataques e a pressão sofrida por dom Helder e seus principais assessores e amigos.

"A morte do padre Henrique era um ataque indireto a dom Helder. Além disso, Henrique cuidava da Pastoral da Juventude e tinha muita influência entre os estudantes, o que também incomodava. Não tenho nomes para acusar por esse fato, mas está claro que se tratou de um crime político”, avaliou padre Ernanne. Para o religioso, a Comissão da Verdade cumpre uma tarefa primordial dentro do processo de registro histórico brasileiro. “As próximas gerações precisam conhecer seus heróis. Esperamos que essa comissão, a nacional e as demais que estão surgindo nos outros Estados, contribuam para isso”, frisou.

Em seu depoimento, padre Ernanne esclareceu que dentro da própria Igreja Católica existiam correntes adversas e que bispos e padres colaboraram com a repressão. “Em Pernambuco, sob o comando de dom Helder nos posicionamos ao lado da democracia e dos excluídos”, completou.

Para o advogado Pedro Eurico, relator do caso Padre Henrique na comissão, o depoimento reforçou o entendimento de que vários setores da sociedade pernambucana sujaram as mãos de sangue durante a ditadura. “Não era apenas a Polícia e as Forças Armadas que estavam na vanguarda desse movimento. Muitos civis se engajaram na repressão e se beneficiaram disso posteriormente”, concluiu.

O presidente da comissão, Fernando Coelho, afirmou que o depoimento trouxe elementos importantes para a investigação. “Ficamos honrados com a presença do padre Ernanne, pela clareza de suas ideias e pela contextualização do momento histórico que eles nos trouxe”.

A comissão resolveu adiar, do dia 23 para dia 30 deste mês, o depoimento do ex-major da PM de Pernambuco José Ferreira dos Anjos. Os integrantes da comissão querem mais tempo para se preparar para ouvir o ex-militar, considerado uma das fontes mais ricas sobre o período da ditadura no Estado. Ferreira foi recrutado dentro da PM pelo 4º Exército e atuou diretamente na repressão aos opositores do golpe militar de 1964. Sobre a importância das informações guardadas pelo ex-major, o advogado Humberto Vieira de Melo, membro da comissão, foi enfático. “Basta que ele repita o que nos disse na sessão reservada”, ressaltou.

Continue lendo aqui a matéria da CNBB
 e veja, na íntegra, o depoimento do padre Ernanne.

Saiba mais aqui sobre o padre Henrique no PE A-Z.
Leia aqui o cordel de Patativa do Assaré pro padre Henrique.
Procure também o livro O mártir da juventude (de Marinalva Silva, Paulinas, 1985).
Veja mais sobre dom Helder aqui no blog.

22 de abr. de 2013

PADRE HENRIQUE FOI MARTIRIZADO

"De posse de documentos inéditos produzidos para o antigo Serviço Nacional de Informação (SNI) e o Ministério da Justiça, no regime militar, divulgados nesta segunda-feira (22) em coletiva à imprensa, a Comissão da Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara conseguiu conhecer os responsáveis materiais pelo trucidamento do Padre Antônio Henrique Pereira Neto, o Padre Henrique, auxiliar de Dom Helder Câmara, crime ocorrido há 43 anos.

São eles: o então estudante Rogério Matos do Nascimento, o menor Jerônimo Gibson Duarte Rodrigues (17 anos na época, sobrinho de José Bartolomeu Lemos Gibson, promotor exercendo o cargo de delegado-diretor do Departamento de Investigação da SSP/PE), e os investigadores de polícia Rível Rocha (falecido) e Humberto Serrano de Souza. Este último, personagem que nunca havia sido relacionado ao crime, segundo a Comissão.

Após 43 anos do assassinato do religioso, os nomes são divulgados com base em informe confidencial ao chefe do SNI, em Brasília, general Carlos Alberto da Fontoura, datado de 30 de junho de 1970. Nele, o regime militar identificou como autores “jovens radicais da direita em coautoria com investigadores da Polícia Civil de Pernambuco”. Há, também, a confirmação de que o crime teve motivação política, visando a atingir o arcebispo de Olinda e Recife, dom Helder Câmara, em razão da atuação social de Padre Henrique..."

Continue lendo a notícia (JC/Joamildo) por aqui.
Mais no blog:
Memória do Padre Henrique
Caso Padre Henrique
Exposição lembra Dom da Paz

27 de out. de 2013

HENRIQUE COSSART: PADRE OPERÁRIO E EDUCADOR NO RECIFE


Convite
Padre, Operário, Educador - Vida e Luta de Henrique Cossart
é o título do DVD que será lançado em festa de confraternização
na quinta-feira 31 de outubro, às 19h, no auditório do Sindicato dos Bancários de Pernambuco,
Av. Manoel Borba 564, Boa Vista, Recife.

Haverá projeção e comercialização do vídeo.
Contamos com a sua presença.
Arnaldo e Francisco Cossart
(filhos de Henrique e Margarida Serpa Cossart)

Mais no blog:

27 de ago. de 2012

HOMENAGEM AO DOM, LOUVOR PELOS DONS




No dia 27 de agosto de 1999 partia para junto de Deus o nosso dom Helder Câmara, um dos maiores líderes da Igreja Católica no Brasil. Em memória do pastor que lutou pela paz e pela justiça social, a Arquidiocese de Olinda e Recife (PE), na qual dom Helder trabalhou até sua morte, realizou hoje (27), às 9h, na Sé de Olinda, uma Celebração Eucarística com o translado dos restos mortais do Dom e dos seus amigos, dom Lamartine, bispo auxiliar, e padre Henrique, mártir da Igreja durante a ditadura militar, para uma capela dedicada na lateral da igreja. A cerimônia de homenagem ao Dom e aos seus colaboradores contou com a presença de autoridades e religiosos, mas sobretudo do povo simples dos Jovens do Meio Popular e dos Encontros de Irmãos, que agradeceram a Deus por esses "dons" para os seguidores de Jesus no Recife.


25 de mai. de 2009

MEMÓRIA DO PE. HENRIQUE

PELO DIREITO À VERDADE, À HISTÓRIA E À MEMÓRIA!
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27/Maio/2009, 15h30, Lançamento da Praça da Liberdade
"Em homenagem ao padre Antônio Henrique"
Avenida dos Reitores, em frente ao Restaurante Universitário
Campus da UFPE

28/Maio/2009, 9h30 (início), Mesa Redonda:
“Em memória do padre Antônio Henrique, no 40º ano de sua morte”
Auditório do Centro de Educação (CE)
Campus da UFPE

PROMOÇÃO
Associação Pernambucana de Anistiados Políticos - APAP
UFPE
.
Veja aqui quem foi o Pe. Henrique
Veja aqui a carta de Dom Helder sobre a morte do Pe. Henrique
Veja aqui o relato feito por Patativa do Assaré sobre o assassinato de Pe. Henrique

25 de abr. de 2013

PADRE DANIEL: UM MÍSTICO? UM PROFETA? UM TEÓLOGO?!

Vocês sabiam que quando o padre Antônio Henrique foi torturado, castrado e assassinado, em 1969, pelo Comando de Caça aos Comunistas no Recife, havia em seu bolso uma lista de nomes de gente marcada para morrer? O primeiro era o do padre Daniel Lima, que dom Helder chamava de “meu padre meio doido e meio gênio”. Daniel escapou por pouco e faz somente um ano agora que nos deixou, aos quase 96 anos, por causa de uma pneumonia. Recebia os amigos em seu humilde apartamento na Torre, sempre acompanhado das amigas Célia e Luzilá (esta foi quem o "traiu" e fez publicar seu primeiro livro, de poesias, o Poemas, que foi prefaciado pelo nosso amigo professor da UNICAP, Zeferino Rocha, e ganhou o prêmio da Fundação Biblioteca Nacional como o melhor de 2011 no gênero... Mas Daniel escreveu vinte e sete livros, a maioria de filosofia, que emprestava aos amigos mas não publicava).

Porém, não eram apenas as suas poesias e escritos secretos, misto de metafísica e anarquia, entremeadas com teologia da boa, que desafiavam os déspotas de quaisquer instituições e incomodavam aos radicais da direita pernambucana. Padre Daniel era famoso por soltar pássaros de viveiros, criticava os militares nas suas aulas (de psicologia e filosofia) na Federal, escondia estudantes perseguidos pela ditadura e jogava bolinhas de gude na rua pra derrubar os cavalos dos soldados. Gostava de uísque e detestava beatas, era cultor de Drummond, Mann e Cervantes. Abominava intelectuais posudos, gostava de respirar, de viver... O que significava dar aulas, ler muito, encontrar os amigos, escrever, recolher-se à solidão. Como ele mesmo descreveu em um aniversário:

"Essa solidão, como área privilegiada de comunicação, essa solidão, pausa na música, intervalo e ao mesmo tempo ponte entre o silêncio e o gesto, em ter a minha unidade e o ser processional que sou, essa solidão assim entendida é outra das ocupações a que me venho dedicando, faz justamente uns treze anos. Administrar isto exige sutileza, flexibilidade, uma consciência ética segura de que seja capaz de ir àquele perigoso ponto fronteiriço em que mais um passo, um pequeno descuido, um erro de gramática e se cai na mentira, na hipocrisia, no disfarce, na falta de caráter. Os amigos podem perceber isto. Creio que tenho me saído bem nesse jogo de relações em que, para me achar melhor, me perco sempre. Ainda não cheguei aonde quero, ainda tenho receio de radicalizar e me tornar um isolado rabugento. Sei, no entanto, que ainda posso diminuir o tamanho de minha cela, restringir o número de fichas de visitantes ao meu modo pessoal, rarear-me um pouco mais, para querer bem com melhor qualidade".

Leia por aqui (na Revista Continente) um depoimento do padre Daniel,
e por aqui (na Revista Piauí) um depoimento sobre ele.

13 de ago. de 2013

TORTURA NUNCA MAIS NA INTERNET

O projeto Brasil: Nunca Mais – BNM foi desenvolvido pelo Conselho Mundial de Igrejas e pela Arquidiocese de São Paulo nos anos oitenta, sob a coordenação do Rev. Jaime Wright e de Dom Paulo Evaristo Arns. A iniciativa teve três principais objetivos: evitar que os processos judiciais por crimes políticos fossem destruídos com o fim da ditadura militar, tal como ocorreu ao final do Estado Novo, obter informações sobre torturas praticadas pela repressão política e que sua divulgação cumprisse um papel educativo junto à sociedade brasileira.

A partir do exame de cerca de 900 mil páginas de processos judiciais movidos contra presos políticos, foram publicados relatórios e um livro de igual nome (Editora Vozes) retratando as torturas e outras graves violações a direitos humanos durante a ditadura militar brasileira. As principais informações foram obtidas a partir dos depoimentos prestados pelos réus no âmbito dos tribunais militares. Com efeito, quando interrogados na Corte, uma parte dos acusados denunciou e detalhou as práticas de violência física e moral que sofreram ou presenciaram nos períodos em que ficaram presos nos cárceres das Forças Armadas ou da Polícia Política. Essa, aliás, é uma das ideias geniais do BNM: o uso de documentos oficiais do próprio Estado para comprovar a prática reiterada e institucionalizada da tortura como ferramenta de investigação e repressão durante a ditadura.

Assim, em 15 de julho de 1985, quatro meses após a retomada do regime civil, foi lançado o livro “Brasil: Nunca Mais”. A publicação da obra mereceu destaque na imprensa nacional e internacional e o livro foi reimpresso vinte vezes somente nos seus dois primeiros anos de vida, estando na sua 40ª edição. Permaneceu na lista dos dez mais vendidos por 91 semanas consecutivas, tornando-se – à época – o livro de não-ficção brasileiro mais vendido de todos os tempos.

O BNM é até hoje considerado a maior iniciativa da sociedade civil no Brasil em prol dos direitos à memória, verdade e justiça, tendo permitido, ao longo destes anos, reconstituir parte da história das violações dos direitos humanos durante o regime militar. Sua publicação foi também transformadora, pois impactou novas gerações com o valor fundamental do respeito à dignidade da pessoa humana. No campo político, impulsionou a ratificação pelo Brasil da Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes e influenciou os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte que promulgou a Constituição de 1988, sobretudo quando esta define a tortura como crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia.

Por temor de que o material de pesquisa pudesse ser destruído pelos órgãos da repressão política, microfilmes de toda documentação foram remetidos aos Estados Unidos da América pelo Conselho Mundial de Igrejas, tendo sido mantido em Chicago, pelo Latin American Microform Project, do Center for Research Libraries. Com o projeto Brasil Nunca Mais Digital esse acervo retornou ao país, estando agora totalmente acessível através da internet. Abre-se com isso novos horizontes para pesquisas e consultas pela sociedade civil. A ele se somam os documentos arquivados pelo Conselho Mundial de Igrejas em sua sede na Suíça, os quais registram os principais passos do desenvolvimento do BNM e sua repercussão internacional.

A repatriação dos arquivos do BNM fortalece nossa democracia e contribui para a concretização dos direitos à verdade, à memória e à justiça, especialmente no momento em que o País passa a limpo sua história com o funcionamento da Comissão Nacional da Verdade e diversas outras comissões regionais...

Acesse o Brasil Nunca Mais Digital por aqui.
Vá em "Pesquisar no Acervo" e digite Igrejas, pra descobrir o envolvimento de religiosos...

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25 de jul. de 2012

DANÇA E RELIGIÃO




“Mostrem-me como dança um povo e eu lhes direi se sua civilização está doente ou tem saúde” (Confúcio).

Ouvi dizer que hoje é dia das mulheres negras: muito apropriado pro que vou falar! A gente planta sementes e não sabe direito no que elas vão dar... Dia desses, no curso de teologia da Unicap, tivemos o prazer de conviver com o sorriso contagiante de uma menina linda e muito quietinha lá da Mustardinha: Angélica Souza. Pois bem, neste mês Angélica apresentou, toda amostrada, como trabalho de conclusão agora do seu curso de jornalismo na Faculdade Joaquim Nabuco, o vídeo-documentário "Dança, um culto ao Sagrado", onde resgata, de maneira testemunhal e compartilhada, o trabalho de inculturação da liturgia cristã realizado pelo Pe. Jacques Trudel e companheir@s lá na paróquia dela, na periferia pobre do Recife - todavia uma região rica em religiosidade e cultura afro-pernambucana, com importantes terreiros do nosso candomblé/xangô. O filme, mostrando e problematizando a busca da beleza como redenção de uma comunidade empobrecida, o toque do/no sagrado como re-animação dos corpos alquebrados e reprimidos daquela gente majoritariamente "negra", poderia invocar, como síntese, a famosa frase de Nietzsche: "Eu somente acreditaria em um Deus que soubesse dançar"! 

Até fui convidado pra compor a banca de avaliação do trabalho de Angélica. Não pude estar por causa do Congresso da Soter, mas foi até bom: a nota 10 que ela ganhou não poderá ser questionada por influência de um fã seu! O vídeo de Angélica revela como o pessoal do bairro, louvando o sagrado cristão com os traços da cultura "afrolatíndia", aprendendo a respeitar e assumir os valores dançantes que correm no "sangue", conseguiu levantar a sua auto-estima de gente e se descobrir amado mesmo por Deus, com seus corpos de negros e sua ginga afro-descendente. O documentário coloca, assim, o desafio da inculturação: uma tradição religiosa consegue se deixar encarnar por um grupo humano quando assume o seu jeito de viver e celebrar, recriando a sua identidade (litúrgica, mas também catequética e ministerial) em diálogo com as outras tradições do grupo, num processo que os estudiosos laicos chamam de sincretismo - e explica como todas as culturas do mundo se desdobram. O cristianismo, que nos chegou tão branco e helenizado (a despeito de um Jesus bailando pelas suas festas judaicas!), pode mesmo se refazer em torno de atabaques e danças "negras"? Quais seriam as semelhanças e diferenças entre uma dança na igreja e outra do terreiro?! São questões que se vislumbram no roteiro.

Além desses méritos antropológico e teológico, o trabalho ainda tem um outro, histórico: lembra que os católicos do Recife precisam recuperar e cuidar (pois é isso, afinal, que pode converter de verdade alguém à fé) a memória de muitos santos missionários que, malgrado seus limites ideológicos e pessoais, procurando seguir o Movimento do Homão da Galileia, aqui fizeram e fazem fermentar o Governo de Deus, como Maurício Parran na pastoral com as putas e domésticas (ou pastoral de promoção da mulher, pra sermos elegantes), Jaime Kometscher na luta com a comunidade de Brasília Teimosa, Lourenço Rosebaugh com os moradores da rua (por causa de quem padeceu da mesma repressão que vitimou o Padre Henrique), René Guerre e os padres operários franceses na espiritualidade popular, Tiago Thorlby no MST, João Geisen dirigindo o seu táxi e animando o Encontro de Irmãos... (Isso "sem contar as crianças e as mulheres" mais da terra - de quem os anais oficiais não guardam nem os sobrenomes - como Lizete, Biluca, Ivone, Ana, Helena, Maria...). Ah, e entre muitos outros, Jacques Trudel. 
...
"Padre Jaime", como é conhecido e querido na Mustardinha, é jesuíta canadense e doutor em teologia litúrgica pelo Instituto Santo Anselmo (Roma), com a tese "Eucharistie et Vie Sociale". Talvez por esses estudos tenha descoberto que o lugar mais adequado pra um religioso fazer política - afinal, "tudo é político, mesmo que o político não seja tudo", como dizia Mounier - é no trato com o simbólico, ajudando a emancipar o núcleo ético-mítico das comunidades, soltando as "asas do desejo" e libertando poeticamente as pessoas - pra engajamentos mais amplos na "pólis". Com efeito, a desalienação e inculturação dos símbolos religiosos é a marca, militante, da pastoral de Trudel (se uma menina negada e denegada vê as cores e ritmos de sua gente nas imagens e rituais sagrados da comunidade, sai da igreja empoderada pra ser mais altiva e exercitar santidade com toda a largueza do seu nariz - e não pra depender de santas de nariz empinado). Professor em diversas escolas da nossa região, Jaime foi chefe da Teologia e da Pastoral da Unicap, presidente da Associação dos Liturgistas do Brasil, porém tornou-se famoso como vigário da Mustardinha - onde desenvolveu trabalho pioneiro de dança litúrgica e encarnação da missa na cultura morena da gente. Trudel virou até Cidadão do Recife, mas foi afastado da paróquia.

Culturas e manifestações culturais diferentes são consideradas problemáticas quando vistas pela interpretação depauperada de uma tradição religiosa. E a dança, então, é de modo geral uma fronteira delicada para os cristãos. A dança, dizia Platão, "é um dom dos deuses. Ela deve ser consagrada aos deuses que a criaram". Mas os romanos andaram degradando as artes, a dança inclusive, em seu imperialismo ruinoso. O cristianismo, na sua condenação desse mundo que apodrecia, principalmente com os imperadores ditos cristãos do séc. IV, englobou as artes e danças. Santo Agostinho, já ele, condenava "esta loucura lasciva chamada dança, negócio do diabo". Isso juntou-se a um dualismo grego que inclusive tinha levado São Paulo a opor o espírito aos sentidos e a desprezar o corpo e as suas expressões. A dança, por essas razões históricas e antropológicas, perdeu sua força no Ocidente cristão e, a partir do século XII, foi banida da liturgia.
 
Somente no século XX a dança foi se recuperando em nossa cultura (vejam essa história no belo livro Dançar a Vida, de Roger Garaudy, amigo de Dom Helder) e, finalmente, a reforma litúrgica católica, ensejada pelo Concílio Vaticano II (1964), permitiu a consideração dos valores humanos e a reintrodução da dança na liturgia - como incremento simbólico para melhor exprimir a proximidade amorosa e animadora do "Abbá" de Jesus. O problema é que um grupo conservador, que foi derrotado nesse Concílio, agora gostaria de opor novamente a Igreja e o mundo, o espírito e o corpo. Essa trama global criou dificuldades - e expôs a ousada e santa criatividade - da nossa Igreja local.

Então, o que o pessoal viveu na Mustardinha, com Trudel (que tem pé no chão da periferia e cabeça no vento da academia, estudou bem a liturgia de fonte e o rito zairense), foi um laboratório de experiência eclesial e espiritual muito mais ampla e complexa do que eles mesmo imaginam... Fizeram história, no sentido de tornar a Igreja mais capaz de tocar nas pessoas, conforme a sua sensibilidade cultural, e fazer com que elas se sintam tocadas e amadas por Deus em seus corpos e emoções. Não percam, pois, essa experiência: escrevam, filmem, partilhem. Sigam o exemplo dessa teóloga em processo, que testemunhou sua própria busca espiritual com destemor, em primeira pessoa e emprestando a voz a outros protagonistas, em um texto audiovisual que prenuncia logo outros - sobre como a dança vira religião, o profano ganha a qualidade de sagrado!

Virá o tempo em que muita gente vai querer conhecer o trabalho de vocês e respeitar quem é capaz de dizer, como Isadora Duncan, "Agora sou leve, agora eu voo... agora um deus dança em mim". Tenho muito apreço pelo caso da Mustardinha, em cujo movimento de evangelização aprendi muitas coisas - sobretudo que um que dança com outro soma sempre mais do que dois, pois criam um ponto de equilíbrio, "entre e além", que lhes permite apoio pra ultrapassar os limites dos seus corpos e se entrecruzar em coreografias e cirandas que nos abrem para outro espaço, de um sagrado encarnado (literalmente!), em que somos sempre mais do que aparentamos. Parabéns a Angélica e que ela mantenha, agora também como jornalista "nota 10", a dignidade e leveza que toda dançarina sabe ter. 

20 de set. de 2013

PELA BIBLIOTECA DO DOM

A Revista Aurora, publicação de cultura do Diário de Pernambuco, neste domingo (22/09), traz a matéria "Uma incursão pela biblioteca de Dom Helder", que reproduzimos aqui para o nosso orgulho e como homenagem a Lucy e ao seu "objeto/sujeito" de estudo. A reportagem traz texto de Jailson da Paz e um álbum fotográfico de Maria Eduarda Bione, e trata da dissertação de Mestrado em Ciências da Religião pela UNICAP da historiadora Lucy Pina Neta. A pesquisadora (na foto ao lado, também apresentada na matéria), que já está se preparando para o doutorado, traçou um perfil do religioso a partir de seus livros, muitos deles anotados e grifados pelo antigo bispo do Recife. Anime-se com essa incursão e faça também uma visita do Memorial Dom Helder, onde está essa biblioteca e muito mais material para quem deseja conhecer e se envolver com um cristianismo despojado e servidor - mas estudioso e dialogal...

"Grifava trechos, escrevia às margens das páginas, quer fosse para análises pessoais ou para debates com amigos-leitores. Assim lia dom Helder Camara, ex-arcebispo de Olinda e Recife: deixando rastros. É o que revela a historiadora Lucy Pena, na dissertação Helder Pessoa Camara: Elementos de seu perfil intelectual a partir de suas bibliotecas, orientada pelo professor Luiz Carlos Luz Marques, do mestrado em Ciência da Religião, da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).

Entre os diálogos recuperados pela pesquisadora estão as leituras conjuntas de algumas obras, à distância, entre dom Helder e a literata Virgínia Cortês de Lacerda. Os dois se conheceram no Rio de Janeiro, cidade onde o sacerdote residiu entre 1936 e 1964. À literata, explica Lucy, deve-se o começo da mudança da formação intelectual do padre. Antes, ele era um leitor solitário e dedicado à burocracia educacional.

A recomposição dos diálogos entre os dois parte de publicações que integram as coleções das bibliotecas de dom Helder. Ele teve três. Da primeira, montada em Fortaleza (Ceará), onde nasceu, quase nada sobrou. Poucos exemplares dessa época foram recuperados, e o que se resgatou foi misturado à biblioteca estruturada no Rio de Janeiro. É em obras da coleção formada no Rio que se elucida o pensamento de ambos. Lucy Pina saca algumas conversas manuscritas de dom Helder e Virgínia de um exemplar de O Diário intimo de uma adolescente, escrito pelo ensaísta e psicólogo argentino Aníbal Ponce. Na época, os dois brasileiros haviam trabalhado juntos na Faculdade de Letras das Irmãs Ursulinas, experiência que os fazia ver com ressalvas as análises de alguns pensadores clássicos.

O pai da psicanálise, Sigmund Freud, cai na teia das ressalvas, quando Helder e Virgínia avaliam a afirmação de Ponce de que o diário da pintora russa María Bashkirtseff seria falso. E que a carta de Freud, que prefacia o livro, representa a prova. Diante disso, dom Helder questiona na margem inferior do livro: “Possível, Freud?”. Virgínia responde: “Acho possível (juízo temerário)”. Ao que ele rebate: “Possível é. Mas não acha provável”. A conversa continua, tendo dom Helder, em um dos pontos, dito que Freud pareceu ser sincero, o que a literata retruca sem piedade: “Pareceu-me um maníaco”. Por fim, o diálogo, que deve ter durado dias para ser escrito, no vaivém do livro, termina com a observação do sacerdote de que “mania e sinceridade são dados compatíveis”. Detalhe: os dois tinham o diário de María e planejaram lê-lo para confrontar com Ponce. Queriam a prova dos nove.

As conversas manuscritas entre dom Helder e Virgínia dão tom da importância da literata para o amadurecimento intelectual do amigo. Ela sugere, numa das páginas do livro de Ponce, a leitura dos clássicos Ilíada e Odisseia. “Virgínia era de conhecimento excepcional. Lia esses clássicos no original. Em grego”, revela Lucy. Dominava bem a língua de Sófocles e Eurípides. Mas os dois clássicos de Homero, Helder e Virgínia leram em francês. O Diário intimo de uma adolescente, de Ponce, foi lido em espanhol.

O estudo conjunto dos dois era intenso. Dava-se nos livros e na troca constante de correspondências entre 1944 e 1952, quando Virgínia adotou o pseudônimo de Caecilia. Dom Helder, que optou por ser Padre Albertus nas cartas, enxergava uma inteligência privilegiada na companheira de estudo. Em determinados diálogos, há a impressão de divergências entre os dois, mas prevalecia a procura pelo amadurecimento mútuo. O sacerdote contribuía com o espiritual, fazendo Virgínia, como ele afirma, retornar à casa do Pai (Deus). Ela, por sua vez, levava-o a mundos diferentes dos até então conhecidos por dom Helder, centrado na área do ensino. “O que ele escreveu sobre ela, e o que juntos escreveram dão pistas de que ela, provavelmente, foi uma das maiores referências intelectuais com quem ele teve uma relação tão próxima”, salienta Lucy. Virgínia faleceu em 1959.

Com a morte da amiga, dom Helder entra em uma nova fase. Mergulha nas leituras sobre a história da igreja, ecumenismo e práticas religiosas influenciadas pelo anúncio, feito pelo papa João XXIII, da convocação do Concílio Vaticano II (1962-1965). A biblioteca do Rio de Janeiro se amplia em número de volumes. Quando ele chega ao Recife, em abril de 1964, uma nova começa a ser montada, somando aproximadamente 1,2 mil livros até 1985, ano em que dom Helder repassa o comando da Arquidiocese de Olinda e Recife para dom José Cardoso Sobrinho. Desses 1,2 mil livros, detalha a dissertação, mais de 200 possuem algum tipo de marcação ou anotação manuscrita por dom Helder. A biblioteca recifense tinha, em 1999, ano da morte do arcebispo, mais de dois mil livros publicados em cinco idiomas: português, francês, inglês, espanhol e italiano.

As obras deixadas na biblioteca do Recife ajudam a entender o amadurecimento intelectual do arcebispo. Como leitor, dom Helder ampliou o leque de questões estudadas, conectadas à visibilidade que ele ganhou a partir do Vaticano II e na luta pelos direitos humanos, o que lhe rendeu centenas de convites para palestras e seminários. No concílio, o arcebispo se destacou pela capacidade de articulação. E articular exigia poder de organizar. Isso dom Helder fazia bem ao adotar um esquema geralmente com a mesma estrutura, incluindo justificativa pela escolha do livro, comentário sobre o autor e a circunstância em que fez a leitura — as expressões mais comuns, pontua Lucy, são “nuns minutos vagos” ou “durante a vigília”. Tais frases apontam para disciplina do arcebispo, um homem que aproveitava horas das madrugadas para ler, refletir e escrever.

Em alguns desses momentos, dom Helder comentou Diálogos com Paulo VI, livro de memórias do pontífice. A leitura, em 1969, coincide com um dos momentos mais difíceis da vida do arcebispo, então perseguido por integrantes do regime militar, que metralharam duas vezes sua casa, no Derby, e sofrendo a perda do auxiliar para assuntos da juventude, padre Henrique Pereira Neto, encontrado morto com sinais de tortura. O objetivo era silenciar o arcebispo. Ele compreendia a mensagem, tanto que, em uma das páginas da obra escrita por Jean Guitton, destaca que “na arte dos sons, uma das notas é o silêncio”. O registro o leva, segundo a pesquisadora, a escrever a meditação De que não é capaz o silêncio:

“De que não és capaz, silêncio?
Que sentimento não consegues traduzir?
E com te fazes entender com muito menos risco de distorções que a palavra, tua irmã…
Quando mais me emocionas
É quando silencias de todo,
Silêncio, chegada a tua vez de adorar o senhor e escutar!…”

Na época, dom Helder também sabia do intuito de membros da Cúria Romana de reduzir o seu número de viagens e conferências internacionais. As exigências para limitá-lo ao Brasil eram sutis, com argumentos de cuidar das questões da igreja local. As páginas do livro Diálogos com Paulo VI, papa de quem se tornou amigo antes mesmo de ele assumir o pontificado, foram usadas para desabafos contra a imposição do silêncio. Daí, escrevendo verticalmente na página 25 do livro, o arcebispo reclama que “não há desvio senão nas inteligências magnânimas e generosas. Dizendo de outro modo, não se corrige senão os vivos e, quando se corrigem, admiram-se. E diria mesmo que às vezes se invejam.” A imposição da Igreja veio à tona com a denúncia do jornalista francês José de Broucker, na época. Agora, a análise cuidadosa dos manuscritos deixados em livros por dom Helder ajuda a aprofundar a compreensão não apenas da sua história, mas da Igreja e do Brasil."

17 de ago. de 2010

VIVALDI IN CONCERT

Para comemorar os 15 anos de fundação, o Madrigal Marlos Nobre, da Universidade Católica de Pernambuco, convida toda a comunidade acadêmica para o recital “Antonio Vivaldi in Concert”. As apresentações irão acontecer em duas datas. A primeira será dia 23 de agosto, às 19h30, na Igreja das Fronteiras, localizada na Rua Henrique Dias, Boa Vista, Recife, e o segundo recital está marcado para 26 de agosto, às 20h, no Mosteiro de São Bento, em Olinda. A entrada é gratuita.

Pintura na wikimedia
Antonio Lucio Vivaldi, compositor tema do recital, foi um músico italiano do estilo barroco tardio. Tinha a alcunha de il prete rosso ("o padre vermelho") por ser um sacerdote de cabelos ruivos. Compôs 770 obras, dentre as quais a série de concertos para violino e orquestra Le quattro stagioni ("As Quatro Estações"). Conta-se que Vivaldi, padre em Veneza, abandonou a celebração de uma missa (e foi por isso suspenso de ordens!) pra ir escutar uma musiquinha bonita que tocava lá na sacristia...

O que é mesmo o sagrado?! Pensem nisso enquanto curtem o Madrigal do Irmão Pires (que, na sua simplicidade, já nos brindou com vigorosas metáforas pedagógico-musicais).

22 de jun. de 2009

BEATOS, DIVERSIDADE RELIGIOSA, DIÁLOGOS


O Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac) realizou seminário sobre Os Beatos e seu Lugar na História Brasileira, dias 18 e 19 últimos, no auditório da Farmácia Escola, localizado na Praça Centenário, bairro do Farol. O mestrado da UNICAP esteve presente, divulgando os nossos estudos e pesquisas, renovando amizades e criando laços acadêmicos: alguns colegas dali, inclusive, poderão fazer pós-graduação conosco no ano que vem. O evento, organizado pelo Núcleo de Projetos de Pesquisa (NPP) do Cesmac, coordenado pela professora Enaura Quixabeira, trouxe para Maceió dois especialistas sobre o tema: o doutor em Teologia, Faustino Teixeira, da Universidade Federal de Juiz de Fora, e a antropóloga Luitgarde Cavalcanti Barros, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

O presidente do Cesmac, João Sampaio Filho, fez a abertura na tarde do dia 18 e, em seguida, o Coral Cesmac apresentou um concerto junino. Às 19h o professor Faustino Teixeira realizou sua primeira conferência no seminário, sobre A Manifestação do Religioso na História Brasileira: Uma Sociedade “em Desencanto”. As atividades da noite foram encerradas com o coquetel de lançamento do livro Padre Cícero do Juazeiro: da Condenação e Exclusão Eclesial à Reabilitação Histórica, de autoria do Padre Manoel Henrique de Melo Santana, ex-aluno do nosso mestrado. Dia 19, a partir das 9h, a professora Luitgarde Cavalcanti Barros apresentou a conferência sobre Sertão do Nordeste, o Mundo dos Beatos: a "jagunça do meu Padim", como foi chamada a doutora, cativou a todos com sua firmeza humanista. No decorrer do dia os participantes tiveram espaço para debater o tema e apresentar comunicações de pesquisas em torno do mundo dos beatos e do pluralismo religioso brasileiro. Às 19h ocorreu a conferência de encerramento, com o doutor em Teologia Faustino Teixeira, sobre a A Diversidade Religiosa no Brasil e a Necessidade do Diálogo Inter-Religioso. Estavam presentes muitos dos estudantes da especialização em Ciências da Religião, que ajudamos a criar em Maceió.

Parceria com Université Stendhal, o seminário foi o primeiro de uma série de eventos previstos para serem realizados a partir do acordo científico firmado entre o Cesmac e essa universidade francesa. O acordo prevê o intercâmbio entre as comunidades acadêmicas, permitindo que os recursos financeiros disponíveis de cada uma das instituições sejam aplicados organização conjunta de congressos, colóquios, seminários e publicações científicas; na oferta de estágios práticos para estudantes; na oferta de cursos de pós-graduação para pesquisadores e professores e no desenvolvimento de pesquisas e produtos pedagógicos. E as duas instituições já estão elaborando sua primeira pesquisa acadêmica. Trata-se do estudo sobre A Utopia Cristã no Nordeste Brasileiro: A Trajetória do Beato Fransciscano e do Beatismo em Alagoas. O projeto será realizado por uma equipe de pesquisadores brasileiros, coordenados pelo NPP do Cesmac, e por uma equipe de pesquisadores europeus, coordenados pela Stendhal.

De acordo com a coordenadora do NPP, a professora Enaura Quixabeira, o grupo de pesquisadores vai realizar levantamento bibliográfico e fotográfico da trajetória do beato franciscano e das manifestações do beatismo no Estado. A pesquisa tem como ponto de partida visitas a municípios para coleta de dados. A cada mês, os pesquisadores envolvidos se reúnem para fazer análise e tratamento das informações descobertas. Quem tiver interesse, pode se juntar ao grupo e aderir à pesquisa. “Entre as ações programadas no projeto de pesquisa há a realização de uma exposição fotográfica sobre O Imaginário Coletivo da Religiosidade Popular Nordestina que será exposta no Brasil e na França; também está prevista a organização de um evento científico sobre Santos beatos e Conselheiros no Nordeste do Brasil; a promoção de uma missão científica brasileira ao Centre de Recherche de l’Imaginaire, da Universidade de Stendhal e de uma missão científica francesa ao Cesmac”, enumerou Enaura Quixabeira, mencionando que os resultados do levantamento serão publicados em livros e artigos no Brasil e na França, em português e francês. Das terras do Xique-xique para a do Très chic!

19 de mar. de 2009

SEMINÁRIO SOBRE DIVERSIDADE E DIÁLOGO

OS BEATOS DO SERTÃO, A DIVERSIDADE RELIGIOSA NO BRASIL E A NECESSIDADE DO DIÁLOGO

A questão da diversidade religiosa em nosso país sempre atraiu a atenção dos cientistas sociais, ainda que poucos tenham adentrado no mundo dos beatos dos nossos sertões. A questão do diálogo inter-religioso vem cada vez mais desafiando o pensamento teológico, embora nem sempre constituiu o objeto de sua preocupação fundamental.

É sobre essas questões que desafiam o cristianismo e todas as tradições que compõem a matriz religiosa brasileira que tratará o Seminário promovido pela Especialização em Ciências da Religião de Maceió - AL, vinculada ao Núcleo de Programa e Pesquisa do CESMAC. Somos parceiros desse povo e vamos sair da UNICAP em caravana para esse evento!

Um dos expositores será Faustino Teixeira, que é autor de uma vasta obra teológica, especialmente no que se refere à teologia do diálogo inter-religioso. Entre suas obras citamos os livros, por ele organizados, Nas teias da delicadeza (São Paulo: Paulinas, 2006) e As religiões no Brasil: continuidades e rupturas (Petrópolis: Vozes, 2006), organizado com Renata Menezes.

Além dele, o Seminário contará com a presença de Luitgarde Barros, que é antropóloga da UERJ e autora dos livros: A terra da mãe de Deus, um estudo do movimento religioso de Juazeiro do Norte; Arthur Ramos e as dinâmicas sociais de seu tempo e A derradeira gesta, Lampião e Nazarenos guerreando no sertão.

DATA: 18 a 19 de junho de 2009
LOCAL: Auditório do Curso de Enfermagem (CESMAC)
Rua Cônego Machado - Farol - Maceió - AL
INFORMAÇÕES: tel (82) 3215-5058
INSCRIÇÕES: a partir de 15/4 no site www.cesmac.com.br/seminarionpp
(quem deseja fazer comunicação deve enviar resumo de até 350 palavras)

PROGRAMAÇÃO:
18 de junho (5ª feira)
17h Credenciamento
18h Composição da Mesa
18:30h Apresentação do Coral do Cesmac
19h Prof.º Dr. Faustino Teixeira (Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF)
Conferência: A manifestação do religioso na história brasileira: uma sociedade “em desencanto”.
Lançamento do Livro: “Padre Cícero do Juazeiro: da condenação e exclusão eclesial à reabilitação histórica” Autor: Padre Manoel Henrique de Melo Santana
19 de junho (6ª feira)
8h Abertura dos trabalhos do dia
8:30h Prof.ª Dra. Luitgarde Cavalcanti Barros (Universidade Estadual do Rio de Janeiro UERJ)
Conferência: Sertão do Nordeste, o mundo dos Beatos
Debates
Comunicações
12h Intervalo para almoço
14h Comunicações
19h Prof.º Dr. Faustino Teixeira (Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF)
Conferência: A Diversidade Religiosa, no Brasil, e a necessidade de um Dialogo Inter- religioso.
Debates
Encerramento

19 de fev. de 2013

NONA TURMA DO MESTRADO AÍ GENTE!

Um novo bloco está se preparando pra ganhar o campus da UNICAP e cair no passo dos conhecimentos mais universais sobre as tradições espirituais da humanidade: são os 25 calouros do Mestrado em Ciências da Religião. Entre eles tem padre e pastor, mas sobretudo professores formados em história e também sociologia e psicologia. Muitos estão interessados em pesquisar sobre o ensino religioso e várias experiências das religiões populares.

É uma turma que, nos próximos dois anos, vai estar pre-ocupada, portanto, com histórias de religiosidades e com a socialização crítica da fé em nossa cultura plural. Por conta desses interesses crescentes, com certeza vão surgir em nosso Programa de Pós mais atividades formativas em torno das temáticas, como também grupos de estudo e pesquisa sobre os (des)caminhos da educação religiosa e sobre o pensamento do Padre Comblin, cuja biblioteca está em nossa Universidade e cujas ideias podem ajudar a interpretar as religiões do povo.

Sejam, pois, muito bem vind@s @s colegas aprovad@s no processo seletivo de 2013, que vão formar a nossa nona turma! Como estudantes regulares, eles vão se juntar à meia dúzia de alunos especiais que já estão matriculados em disciplinas do Mestrado. Abaixo estão os seus nomes, com os respectivos professores-orientadores de curso indicados pelo Colegiado pra esse primeiro semestre:

Andréa Caselli Gomes, orientadora Zuleica.
Constantino José Bezerra de Melo, orientador Gilbraz.
Luiz Henrique Rodrigues Paiva, orientador Gilbraz
Décio Overarth Macedo de Moura, orientador Sérgio.
Anderson Fernando Rodrigues Mendes, orientador João Luiz.
Francisco Ribeiro da Silva, orientador Sérgio.
Ronalson Moura Cavalcante, orientador Newton.
Maria Célia Lira de Lima, orientador Degislando.
Robervânia Santiago Barreto, orientadora Zuleica.
Eduardo Dias Rios, orientador Newton.
Pedro Renato de Souza, orientador Cláudio.
Sebastião Hugo Brandão Lima, orientador Drance.
Eldon Mendes de Souza, orientador Libório.
Maria Lea Amorim Torres, orientador Cláudio.
Manaliel Pais Pereira, orientador Drance.
Maria Pinheiro Morais, orientador Libório.
Antonio Gilson Ruas, orientador Luiz Carlos.
Francisco Mário Ribeiro Castro, orientadora Zuleica.
Marcelo Marques Santana Júnior, orientador Sérgio.
Maria dos Santos de Jesus Silva, orientador Gilbraz.
Eliane Moreira da Costa, orientador Degislando.
Teresa Felismina de Souza, orientador Drance.
Maria Lúcia Silva Viana, orientador Luiz Carlos.
Maria Alexsandra Prado de Oliveira, orientador Newton.
Humatal Rocha da Costa, orientador Libório.

Para contatar os orientadores de curso, basta clicar em "professores" e descobrir os seus endereços. A matrícula dos novos estudantes, na secretaria do térreo do bloco G4, será no dia 26 de fevereiro e nos dias 11 e 12 de março ainda será possível a inclusão ou cancelamento de disciplina dos Cursos de Pós-graduação stricto sensu da UNICAP. O nosso Mestrado dispõe agora de seis bolsas da CAPES e cinco estão disponíveis para os primeiros colocados na seleção da nova turma: vejam os critérios por aqui. Já os estudantes que buscam bolsas de estudo nas escolas onde trabalham ou nos órgãos de fomento podem solicitar declarações na secretaria acadêmica.

A nossa aula inaugural do semestre será no dia 4 de março, às 14h, no Auditório do CTCH (1º andar do bloco B): o monge Marcelo Barros vai falar e debater sobre "O papel das ciências da religião na sociedade pluralista" e nos ajudar a reinventar articulações entre saber e paixão. Depois teremos uma sessão de lançamento de livros dos nossos estudantes e professores. Preparem-se pra entrar no ritmo de um novo tempo. Alegria!

15 de fev. de 2009

APOIO A ESPECIALIZAÇÕES NO NORDESTE


O nosso Mestrado em Ciências da Religião da UNICAP tem se preocupado em apoiar cursos de pós-graduação latu sensu pelo Nordeste afora, criando laços acadêmicos pelo compartilhamento de professores e pelo intercâmbio de idéias e organização conjunta de eventos. Uma iniciativa que já vem dando frutos, inclusive pela formação de dois mestres na UNICAP, Maria Jeane e o pe. Manoel Henrique, é a parceria com a Especialização em Ciências da Religião do CESMAC de Maceió-AL, que funciona na Faculdade de Teologia daquela cidade. Os professores João Luiz, Gilbraz Aragão e, agora, Sérgio Douets, estão lecionando módulos intensivos na Especialização em Maceió.

Também aconteceu, nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro passados, o I Seminário sobre Teologia, Ciência e Diálogo Inter-Religioso, do Centro de Ensino Superior de Maceió (CESMAC). O evento foi apoiado pela Faculdade de Teologia do Cesmac em parceira com a Arquidiocese de Maceió, Pastoral da Negritude da Igreja Batista do Pinheiro, Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) da Universidade Federal de Alagoas, e da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (SOTER) – Regional Nordeste. O Seminário reuniu cerca de 200 participantes, dentre os acadêmicos das quatro turmas de Teologia e de outras áreas; religiosos; lideranças do movimento negro e representantes da sociedade civil para refletirem sobre o diálogo com as culturas e religiões afro-negro brasileiras. As atividades começaram na sexta-feira (30.11) às 19h com apresentações artísticas, prosseguindo com a exibição do documentário “1912: O Quebra do Xangô” e um debate com a presença do diretor da obra cinematográfica, Siloé Amorim, Joabson Santos, produtor, e da pesquisadora Raquel Rocha. O segundo dia iniciou-se com o momento celebrativo (Mushaká) às 8hs, sob a coordenação do Reverendo João Valença e Padre Manoel Henrique. Em seguida, aconteceu a mesa-redonda com o tema “Cristianismo e Cultura Afro-Brasileira: Desafios e Perspectivas para o Diálogo e a Inculturação”, com a participação do conferencista: Prof. Dr. Sérgio Douets (UNICAP – Recife/PE); os debatedores, Reverendo João Valença (Rio de Janeiro/RJ) e Prof. João Rosalvo (Maceió/AL); e para mediar o debate o Prof. Zezito Araújo (UFAL – Maceió/AL). Nos próximos meses a temática do diálogo inter-religioso deverá ser ampliada em Maceió com um seminário para o qual está confirmada a presença de Faustino Teixeira (UFJF), além do lançamento de um Fórum Inter-Religioso com encontros periódicos para escuta e debate entre as tradições religiosas. Estaremos presentes, apoiando o trabalho!

Outra iniciativa que vem construindo pontes e abrindo perspectivas de colaboração é com a Especialização em Ciências da Religião da UERN, em Natal-RN. Com a afirmação da Área de Conhecimento do Ensino Religioso na rede escolar pública do Rio Grande do Norte, configurou-se a necessidade de professores habilitados nessa área. Como resposta a tal demanda a UERN, em convênio com o ITEPAN, órgão ligado à Arquidiocese de Natal, abriram em 2001 um curso de Licenciatura em Ciências da Religião, cuja procura foi grande. Este curso está atualmente na 4ª turma de concluintes. Mesmo funcionando como licenciatura, o curso tem fomentado pesquisas a respeito do fenômeno religioso, o que atrai não só professores, mas profissionais de outras áreas como teólogos, historiadores e outros pesquisadores em busca de compreender a complexidade de tal fenômeno em seus múltiplos contextos. Para atender, então, a esse aprofundamento dos estudos, a UERN e o ITEPAN investiram na pós-graduação “latu-senso”, que já está na 2ª turma e promete se estender também para o campus de Mossoró.

Os nossos professores Zuleica Dantas e Gilbraz Aragão já estiveram lecionando módulos para essa Especialização em Ciências da Religião, além do que o prof. Gilbraz já proferiu diversas conferências para os professores de ensino religioso do Estado, sobre os aportes das Ciências da Religião para tal área de conhecimento. A política dos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso pressupõe a elaboração ou revisão dos currículos escolares e a respectiva formação do quadro do magistério. Pela primeira vez no Brasil, corrigindo-se distorções históricas do Ensino Religioso, o próprio Conselho Nacional de Educação entende a necessidade de um professor habilitado e não representante de uma denominação religiosa. Esse posicionamento consubstancia o que reza a nova redação do Artigo 33 da LDB 9394/96, que em seu § 1o prevê o profissional capacitado para esta área. Por isso, espera-se que o professor seja capaz de viver a reverência da alteridade, de considerar que família e comunidade religiosa são os espaços privilegiados para a vivência religiosa e para a opção de fé, e de colocar seu conhecimento e sua experiência pessoal a serviço da liberdade do educando, subsidiando-o no entendimento do fenômeno religioso: escola é lugar para esclarecer a religião. Prevê-se, é claro, uma ampliação das colaborações entre os nossos programas de estudos, em prol do compromisso comum com este direito a uma fé esclarecida.

Por fim, uma outra iniciativa é em relação à Faculdade de Formação de Professores de Goiana - PE. Vários de seus professores vieram fazer o mestrado em Ciências da Religião da UNICAP. Até o momento três professores da instituição já concluíram a sua formação e dois então com defesa prevista para 2009.1. Fruto das relações acadêmicas construídas entre a referida instituição e o nosso programa, a profª Zuleica Dantas tem sido convidada, nos últimos dois anos, para ministrar aulas na Faculdade, no Curso de Especialização em Pedagogia Afirmativa, com a disciplina “Cultura e Imaginário Afro-brasileiro”. A parceria com a Faculdade de Formação de Professores de Goiana tem demonstrado os seus frutos ao longo dos últimos anos, tanto no que se refere à vinda de professores em busca de qualificação no nosso programa, quanto à nossa participação na consolidação da referida instituição na região, tendo em vista a sua importância para a formação de professores na Zona da Cana de Pernambuco.