8 de out de 2011

PECADOS CATÓLICOS?!

A Revista Istoé, Edição 2187, com data de 12 de outubro de 2011, trará na capa a presidenta do Brasil enfrentando futebolisticamente o presidente da Fifa, mas traz na sua seção de Comportamento uma matéria sobre outra arena de contradição, em que a lógica "feminina" parece se confrontar com o mundo religioso, muito "católico" e "masculino" na tradição da gente. Ela pergunta quais são os motivos que explicam a galopante queda de fiéis, principalmente jovens e mulheres, no maior país católico do mundo. Entrevistando os colegas Cientistas da Religião de São Paulo, apresenta então os "7 pecados da Igreja Católica": romanização ou doutrinação inflexível da Igreja em um mundo que quer discutir e experimentar as suas crenças, tendência cultural de procurar religião como em um supermercado (muitas vezes assumida como estratégia pela própria Igreja, com os seus padres pop), fuga de mulheres (que educam as novas gerações, mas sentem-se mal-amadas e mal-empoderadas pela Igreja), escândalo da pedofilia em um clero vetado ao feminino, ausência de lideranças livres e cativantes (que mobilizem pelas questões humanas, como Dom Helder ou Dom Paulo Arns), comunicação centralizada em paróquias territoriais (quando os jovens buscam relações por afinidades, ainda que virtuais), clima social de adesão religiosa por decisão e não mais por tradição.

Assinada pelo articulista Rodrigo Cardoso, a reportagem parte da recente pesquisa “Novo Mapa das Religiões”, realizada pelo Centro de Políticas Sociais da Faculdade Getulio Vargas, que processou microdados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) produzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - e que nós já havíamos apresentado aqui no blog. Essa pesquisa mostrou que está crescendo, agora também entre evangélicos, o número de religiosos que não frequentam Igrejas, assim como cresce o número de pessoas sem religião (6,7% no Brasil, sendo que esse índice sobe para 17,4% entre as pessoas com mestrado e doutorado). O mais impressionante, todavia, é que, entre 2003 e 2009, os estudiosos, coordenados pelo economista Marcelo Neri, constataram que cerca de 6% da população deixou a religião romana - que, perdendo 1% dos brasileiros por ano, decresceu de 73,7% para 68,4% no Brasil. O montante de fiéis que segue atualmente a doutrina preconizada pelo Vaticano é o mais baixo verificado no país. Outro dado provocativo para nós: na periferia do Recife, em nossa Região Metropolitana, apenas 45,7% da população se diz atualmente católica! O que provocou essa mudança nos últimos anos?!

Citando Jung Mo Sung, professor da Umesp que esteve recentemente em nosso Mestrado, a reportagem comenta que essa fuga de católicos deve-se, entre outras coisas, à falta de exemplos como o do Dom: "Dom Hélder Câmara, arcebispo emérito de Olinda e Recife, falecido em 1999 aos 90 anos, foi quatro vezes indicado ao Prêmio Nobel da Paz. Grande defensor dos direitos humanos durante a ditadura militar brasileira, homem de vida simples que morava no quartinho de uma sacristia no Recife, ele foi um expoente internacional da Igreja Católica. Multidões se mobilizaram ao seu redor, no Brasil e na Europa, para ouvi-lo. Atualmente, porém, não há entre o colegiado católico nacional símbolos como dom Hélder, capaz de cooptar fiéis por meio do exemplo. “Numa sociedade moderna, em que a adesão à religião acontece por opção pessoal, é preciso que haja nomes admirados publicamente”, diz Sung, da Umesp. As grandes figuras católicas da atualidade são os padres cantores. Eles, porém, fazem eco entre os católicos militantes, explica Sung, mas não são referência para setores não atuantes do catolicismo. A Igreja deixou de ser representativa entre os brasileiros como algo a ser admirado há quase duas décadas..."

Leia a reportagem completa aqui na Istoé.

Saiba mais do assunto no blog:

2 comentários:

  1. Lucy Pina Neta09 outubro, 2011

    Viu.... "Meu velho é o Cara!!". Só tem um porém!! O nome dele é sem acento... tudinho Helder e Camara.

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  2. Há pouco tempo, um colega defendeu sua dissertação explorando o pensamento de um grande exemplo (falecido recentemente) para os católicos praticantes e não católicos. Este grande exemplo profetizava o lado obsoleto de estrutura paroquial católica, de comunicação centralizadora. Paradoxalmente, os sumos pontífices enfatizam a exploração da internet para a evangelização. Entretanto, sem usar os artefatos culturais, sem a percepção da mobilidade social, do crescimento acelerado, do consumo exacerbado, etc. elementos que estabelecem relação com a crença à distância, bem como sem enxergar e estabelecer uma comunicação e afinidade com essas demandas vai continuar perdendo. Agora, Libânio, também retoma aquele grande exemplo que falei: "a Igreja Católica tem de repensar a estrutura paroquial", os "fiés querem aquilo que os satisfaz e têm buscado muito o mundo virtual". O grande exemplo? Isso mesmo: Pe. José, o Comblin. Mariano Vicente.

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