10 de out de 2011

FILME DOS ESPÍRITOS



A doutrina espírita afirma-se cada vez mais como uma religião. Nos novos mapas das religiões no Brasil, deixa de ser um culto, um ritual, uma cerimônia, e assume um percentual como religião. Sua peculiaridade é realizar uma aproximação e diálogo constante com a ciência. Em 1857 quando foi lançado O Livro dos Espíritos, em Paris, o pedagogo Francês Hipolyte Leon Denizard (1804-1869), com grande influência na educação francesa, codificou, organizou, e lançou o livro que revolucionaria a história dos fenômenos paranormais. 

Com o pseudônimo de Allan Kardec, investigou, pesquisou e registrou o que na época foi denominado como “as mesas girantes”, e o que antes era diversão nos salões nobres de Paris, transformou-se em um campo de conhecimento científico, filosófico, com consequências religiosas. A vida existe depois da vida, e o que existe depois da vida somos nós, espíritos, individualidade que continua sendo o que era, e que se comunica com o mundo daqueles que estão (en)carnados. 

Mais um filme estreia nos cinemas brasileiros, reforçando uma série de lançamentos com a temática espírita, desde a novela A viagem. O mercado do cinema presenciou filmes como: Bezerra de Menezes, Chico Xavier, Nosso Lar, As Mães de Chico Xavier, e agora O Filme dos Espíritos. 

Com um roteiro resultado de vários roteiros, o conjunto das histórias não perde o “fio da meada”, e consegue prender o espectador até o final. Com uma narrativa diferente das produções com efeitos especiais, o Filme dos Espíritos é uma história de histórias bem contadas, com atores que representaram equilibradamente, sem caricaturas e trejeitos, o que é a perda, a esperança, a angústia, a tristeza, e o momento no qual a alegria e a vida supera todas as dificuldades para continuar seguindo em frente.

Destaque para Reinaldo Rodrigues, no papel de Bruno; Nelson Xavier, que interpreta o psiquiatra Levy, e que vem realizando belas interpretações no papel do médium mineiro Chico Xavier, e as atrizes Ana Rosa e Brisa Menezes. Um elenco que trabalha principalmente o teatro e que oferece novos ares de interpretação ao cinema, sem o destaque das grandes produções, porém com qualidade semelhante.

Os enigmas da vida, que tanto nos inquietam: de onde viemos? Pra onde vamos? O que somos? O que é a morte? O que é Deus? Em uma sequência poética e melíflua, O Filme dos Espíritos aponta caminhos e nos deixa com aquela sensação boa e renovada de que a vida é uma grande aventura e deve ser vivida intensamente todos os dias, todos os dias, todos os dias, todos os dias, todos os dias. Imperdível.

            Silvério Pessoa,
artista e educador, mestrando em Ciências da Religião na UNICAP.

 Veja aqui o site do filme e baixe aqui O livro dos espíritos.
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