10 de set de 2013

JESUS E BUDA NO JAPÃO




Por Gilbraz,
especialmente dedicado a uma florzinha japonesa da família Oikawa.

Já apresentamos aqui no blog, como subsídio para educação religiosa, a animação Morte e vida Severina, que reproduz a obra-prima de João Cabral de Melo Neto. Pois bem, ela agora é finalista do concurso Japan Prize 2013, prêmio que é oferecido pela rede de televisão japonesa NHK, desde 1965. A obra foi produzida, em 2010, através de uma parceria entre a Massangana Multímida e a TV Escola, canal educativo do Ministério da Educação. Surgiu de uma adaptação da história em quadrinhos Morte e vida, do cartunista Miguel Falcão, que foi lançada de forma institucional pela Fundação Joaquim Nabuco, do Recife, em 2005.

Quando eu comemorava a projeção nipônica dessa nossa cultura brasileira e nordestina, eis que o meu filho mais velho mostra uma outra história de sucesso no gênero: a adaptação animê de um mangá (quer dizer, filminho de um gibi, em bom tupiniquim) que é bem japonês mas pode interessar ainda mais aos estudiosos da religião de todas as latitudes. A trama é contemporânea e contextualizada na Terra do Sol Nascente, muito embora tudo que é bom localmente (como Morte e Vida) ganha ares de universalidade atemporal. Então, clique pra eliminar a caixinha de jogo no vídeo acima e se prepare para rir com o trailer – mesmo que, ou até porque, a conversa é sobre uma manifestação do Mundo-de-Cima, ou como a vida da gente pode se elevar neste mundo.

Trata-se do filme "Saint Young Men" (聖☆おにいさん), realizado pelo diretor Noriko Takao através da produtora A-1, que desde o meio deste ano leva aos cinemas as histórias escritas por Hikaru Nakamura na revista mensal Morning2. O mangá, e agora o animê, repletos de divertidas referências sobre o cristianismo e o budismo, começam quando Jesus Cristo e Sidarta Gautama decidem passar férias na Terra. Jesus e Buda, portanto, vêm viver no mundo moderno como colegas de quarto em um apartamento na periferia de Tóquio.

Enfrentam a correria do dia a dia contemporâneo, como manter o orçamento para conseguirem comprar comida e pagar o aluguel, além de terem de esconder seus poderes divinos das pessoas normais, para aproveitar as férias na Terra. A comédia, mais do que uma sátira de religiões, é uma gozação com os costumes japoneses – e com as tensões e contradições de todas as culturas do mundo. Jesus é um “homem santo” livre, generoso e tranquilo, mas bem consumista. Acaba controlado por Buda, que é gentil e racional, mas chega a ser severo e legalista – mesmo que entre em Nirvana pra fugir do medo da montanha-russa.

Jesus comenta as novelas japonesas no seu blog e, quando emocionado, sua auréola brilha e milagres acabam acontecendo em volta. A auréola de Buda também brilha, mas de raiva por causa das brincadeiras de Jesus – e só melhora quando alguém lhe pede desculpas. Buda conheceu Ozamu Tezuka em uma lanchonete e se tornou seguidor de suas obras, principalmente a que fala sobre ele mesmo. E de vez em quando aparece um animal bem devoto para ajudar as joviais figuras divinas.

Dizem que apenas 30% dos japoneses professam fielmente uma religião, embora mais de 80% frequente rituais sincréticos de culto à natureza, seja em templos budistas (para a morte), seja em xintoístas (para o nascimento). Apenas 2% segue o cristianismo, mas as ideias cristãs e a influência ocidental marcam a renovação dos costumes tradicionais desde a última grande guerra e, a partir de meados do século XIX, marcam também muitos dos novos movimentos religiosos japoneses. Os jovens santos ensaiam uma síntese do possível porvir, entre e para além de sua dualidade, das tendências humanas e espirituais do Japão – assim como o Alabê de Jerusalém o faz para cristãos e afro-brasileiros em nossa terra. Teologia pura – alegre, radiante e pública!

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5 comentários:

  1. arigató, grande mestre!
    sempre suspeitei da sua quedinha budista...
    kkkkkk

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  2. Por que fazem piadas com o Deus da gente? Se a gente fosse fazer com o deles...

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  3. Aliás, não é o "Deus da gente", é "o Deus", único e verdadeiro, revelado na Sua Palavra!

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  4. gente, que vídeo maravilhoso!
    mas quanto preconceito ainda rola por aqui...
    putz, vamos abrir as mentes, pessoas: o único caso em que Jesus elogia a fé de alguém é de um oficial romano pagão (Nunca encontrei uma fé dessas em Israel - Mt 8,10)...
    é bom lembrar disso.
    e parabéns Gilbraz! por isso e por tudo que está deixando no curso e em nossas vidas...

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