2 de jan de 2014

ENCONTRO DAS COMUNIDADES CRISTÃS DE BASE




O Secretariado do 13º Intereclesial compartilha o lançamento do texto-base e dá as boas vindas às Comunidades Eclesiais de Base de todo o país e de todos os continentes que chegarão em janeiro nas terras do Padre Cícero, da Beata Mª de Araújo e do Beato Zé Lourenço. Esta terra de resistência e força nordestina está preparada para acolher mais um importante momento da caminhada e vivência das Comunidades de Base. O Intereclesial além de partilhar ecumenicamente a vida, as experiências e as reflexões cristãs das CEBs, é memória viva da caminhada da Igreja, revela com mais clareza a situação de sofrimento e resistência de nossos povos e expressa o engajamento na defesa da biodiversidade de nosso planeta Terra.

Os Documentos do Concílio Vaticano II definem a Igreja como Povo de Deus, categoria que a Teologia da Libertação aprofundou, identificando o povo com a base da Igreja e da sociedade. Essa mirada da realidade a partir dos pobres e dos seus interesses é uma opção política e ética que encontra suporte evangélico: “Felizes de vocês, os pobres, porque o Reino de Deus lhes pertence” (Lc 6, 20).

A Teologia da Libertação tem se caracterizado por uma crítica radical à modernização urbano-industrial e ao progresso técnico por entender que esse modelo de desenvolvimento econômico favorece um grupo minoritário da burguesia e se dá à custa da exclusão dos pobres. Nessa conjuntura, “as CEBs são uma tentativa de fazer reviver o sentido da comunidade, tanto na sociedade quanto na Igreja”. E, além disso, um instrumento capaz de ajudar os pobres a conquistar a sua cidadania. As comunidades de base resgataram e reinterpretaram o significado de comunidade, no rural e no urbano, trouxeram inovações expressivas na dinâmica eclesial, enfatizaram o caráter profético e libertador do cristianismo.

Sejam todos bem vindos ao Intereclesial das Comunidades de Base, de 7 a 11 de janeiro de 2014, em Juazeiro do Norte, Diocese do Crato, no Ceará.

Veja aqui a programação e participe, 
junto com o nosso amigo Marcelo Barros, que está entre os assessores.

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Um comentário:

  1. Nesses dias, de 07 a 11 de janeiro, acontece o 13º encontro nacional das comunidades eclesiais de base (Cebs). Esse evento reúne representantes de comunidades católicas das periferias urbanas e do campo. Comumente, essas comunidades se encontram uma vez por semana para meditar a palavra da Bíblia, partilhar os fatos do dia a dia, praticar a solidariedade no serviço aos mais pobres e viver a fé ligada à esperança de transformar o mundo. São quatro mil pessoas de todo o Brasil. Participam também religiosos, religiosas, padres e bispos que acompanham e apoiam as comunidades, além de alguns irmãos e irmãs de Igrejas evangélicas e mesmo representantes de outros países da América Latina.
    Esses encontros se chamam “intereclesiais” porque reúnem muitas Igrejas locais. Acontecem, desde 1975, mais ou menos de quatro em quatro anos. Dessa vez, o intereclesial de Cebs se realiza em Juazeiro do Norte, no Ceará, terra marcada pelas romarias populares e pela devoção suscitada pelo Padre Cícero Romão Batista, líder religioso e político do começo do século XX. Não é a primeira vez que as comunidades eclesiais de base fazem o seu encontro nacional em um centro da espiritualidade popular e de romarias. O sexto encontro foi em Trindade, no santuário do Divino Pai Eterno (1986) e o nono ocorreu em Santa Maria, RS, na Basílica de Nossa Senhora Medianeira (1992).
    Dessa vez, o tema escolhido para ser aprofundado é “Justiça e Profecia a serviço da vida”. É um assunto central na vida da Igreja. Lembra que Jesus não fundou em si uma religião. Anunciou um projeto divino para o mundo. Ele mesmo declarou: “Eu vim para que todas as pessoas tenham vida e vida em abundância, vida de qualidade” (Jo 10, 10). Para isso, chamou seus discípulos e discípulas, para formar uma comunidade que dê testemunho da realização desse projeto de justiça e paz a serviço da vida. Conforme os Atos dos Apóstolos, o Espirito Santo desce sobre toda pessoa batizada e a torna profeta ou profetiza desse projeto divino no mundo (Cf. At 2 ss). Pouco a pouco, no decorrer da história, as Igrejas se organizaram como uma religião, o Cristianismo. E isso para ajudar as comunidades a viverem sua vocação profética. Por isso, ao assumir o tema “Justiça e profecia a serviço da vida”, esse encontro nacional das comunidades eclesiais de base volta às fontes da fé e lembra a toda a Igreja que ela mesma teve origem em um movimento profético. Para a fé cristã, profeta não quer dizer pessoa que adivinha coisas ou prevê futuro. Profeta é quem busca escutar a palavra divina para aplica-la à vida concreta em cada situação.
    O tema “justiça e profecia a serviço da vida” foi escolhido para o encontro das Cebs em Juazeiro do Norte já há quatro anos. Na época, a Igreja Católica não tinha ainda o papa Francisco. Atualmente, é o próprio papa que toma a iniciativa de retomar a profecia como forma normal de ser bispo de Roma e primaz da Igreja Universal. Assim, esse encontro de Juazeiro pode ser um bom instrumento para que toda a Igreja Católica no Brasil atenda ao apelo do papa e aprofunde mais sua vocação profética. Com as comunidades eclesiais de base, a Igreja poderá se renovar. Ela é católica, isso é, universal, porque abriga em seu meio uma imensa diversidade de movimentos e correntes espirituais. Isso é positivo. No entanto, mesmo respeitando absolutamente a sensibilidade própria de cada movimento e grupo católico, a Igreja precisa tornar-se mais capaz de falar a boa noticia do reinado divino à humanidade de hoje. Ela fará isso se inserir-se mais no mundo dos empobrecidos e engajar-se totalmente por um novo mundo mais justo e igualitário. Com esse encontro das Cebs, ela poderá redescobrir um novo modo de ser Igreja, cada vez mais do jeito de Jesus, seu mestre e senhor.

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