27 de out de 2013

A MAGIA NOS CONTOS DE FADAS



A palestra, que será proferida por Andréa Caselli, mestranda em Ciências da Religião na UNICAP, propõe uma análise da trajetória histórica e cultural dos contos de fadas, a partir da valorização do simbolismo sagrado pertencente às crenças e costumes populares do Ocidente Medieval. Será abordado o domínio oral das comunidades camponesas e seu reconhecimento pelos linguistas e historiadores, como genuína expressão do imaginário coletivo. A observação das narrativas oriundas do povo corresponde à sua importância no que se refere à valorização do conto como importante documento da produção simbólica popular.

Dentre as várias vertentes culturais que contribuíram para a formação das estruturas dos contos populares, as antigas tradições religiosas pagãs/pré-cristãs são de grande relevância e de uma riqueza única para estudo, sendo importante avaliar esse vestígio cultural de organização peculiar, levando em conta o fenômeno da cristianização. A herança histórica da literatura mágica sobrevive mesmo na era globalizada, em todas as partes do mundo, atingindo e influenciando culturas diversas.

As narrações populares, no plano de uma função no interior de cada sociedade, são insubstituíveis; sua mensagem, às vezes subliminar, compensa conflitos da vida cotidiana, acolhendo os desejos mais secretos das comunidades. Podem ainda ser interpretadas como representação de ritos de passagem, retratando simbolicamente diferentes etapas da evolução social de um indivíduo, uma vez que abordam situações como carências, intrigas, desafios e superações. O conto popular revela informação histórica, etnográfica, sociológica, jurídica e social. É um documento vivo, denunciando costumes, ideias, mentalidades, decisões e julgamentos.

Integradas nos costumes comunitários, as práticas religiosas das crenças pré-cristãs são refletidas nas manifestações artísticas. Os contos maravilhosos foram originados nos períodos em que a religião era a parte mais importante da vida individual e coletiva; assim, eles lidam diretamente, ou por dedução, com temas religiosos.

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