21 de jun de 2013

SIMPÓSIO DE SECULARIZAÇÃO EM MINAS



A Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia – FAJE – e a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas – pelos respectivos Programas de Pós-Graduação em Filosofia, Teologia e Ciências da Religião, promoverão em parceria, de 02 a 04 de outubro de 2013, o IX Simpósio Internacional Filosófico-Teológico – FAJE – e V Simpósio Internacional de Teologia e Ciências da Religião – PUC Minas, sobre o tema “Secularização, religião e sociedade”. As atividades serão distribuídas entre o campus da FAJE (Planalto) e o da PUC Minas (Coração Eucarístico).

As sociedades ocidentais encontram-se marcadas pelo processo de “secularização”. Trata-se da passagem de sociedades cujas instituições apoiavam-se sobre a autoridade das tradições religiosas, para as que tendem a organizar sua vida econômica, científica, artística e política de forma independente dessas tradições. Criou-se assim o que se costuma chamar “Estado laico”, ou seja, uma forma de ordem pública que não professa uma religião. A separação entre as Igrejas cristãs tradicionais e o Estado tornou-se um princípio de convivência aceito e defendido também por essas Igrejas. Assim, o Estado laico é hoje um projeto que goza de grande credibilidade, ao menos no Ocidente. Mas o processo de secularização ainda não está acabado e suas consequências dependem em grande parte de decisões religiosas e políticas a serem tomadas na atualidade. Tais decisões afetam profundamente a compreensão da vida social e, mais particularmente, do lugar da religião na construção comum de sociedades justas.

Três eixos principais de estudos nortearão nossos trabalhos. O primeiro eixo diz respeito às origens da secularização no Ocidente. Várias questões serão então levantadas, por exemplo: trata-se de um movimento antirreligioso ou encontra suas raízes em alguma tradição religiosa particular, notadamente o cristianismo? Como se deu a gênese dessa consciência de uma autonomia das instituições organizadoras da vida social, ao longo de nossa história? Quais foram as principais etapas e quais os conflitos, hesitações e progressos que caracterizaram o avanço da secularização em nosso mundo?

O segundo eixo estudará as várias interpretações que o movimento histórico de secularização recebe atualmente. São exemplos de questões que agitam esta discussão: afirmamos como um valor a existência do Estado laico, mas isso implica necessariamente a exclusão dos valores religiosos nas discussões sociais e na busca do bem comum? Um Estado laico exige que a própria sociedade seja laica? Ora, se considerarmos que as crenças são elementos fundamentais de motivação para o voluntariado, o compromisso ético e a atuação política em todo o mundo, qual deveria ser o lugar social dos valores religiosos? Seria necessário ou conveniente tratar as tradições religiosas como casos à parte? E exigir, por exemplo, uma “tradução” de seus valores em linguagem laica, para que participem das discussões comuns? Ou, ao contrário, a vida religiosa deveria ser respeitada em si mesma e considerada um elemento da cultura, assim como a sabedoria e as tradições originais dos povos?

Finalmente, um terceiro eixo de estudos diz respeito às consequências notáveis da secularização em nosso tempo, consequências cujo vasto campo ainda está por ser explorado. Primeiramente, abre-se o tema da recente defesa do direito ao culto e à profissão religiosa, com sua implicação de um pluralismo religioso de fato bastante difundido. Como promover um diálogo fecundo, no horizonte da virtude da tolerância, entre as várias tradições religiosas que convivem de modo próximo em nossas cidades? Pensemos também, por um lado, na mentalidade científica que nutre a consciência do homem comum e que tem grande importância no processo da secularização. Há ainda lugar para Deus e a vida espiritual num mundo em que tudo parece ser objeto de explicações imanentes? Por outro lado, os gigantescos progressos técnicos das últimas décadas parecem ter intensificado o sentimento de vazio e de tédio que invade tantos contemporâneos. A questão do sentido da existência coloca-se em nossos dias com uma intensidade nova. Surgem espiritualidades independentes das tradições religiosas que nutriram a mística por séculos. Algumas inclusive defendem uma mística sem Deus. Que novas perspectivas de sentido se abrem então diante de nós? Qual papel devem desempenhar as tradições religiosas, quando o sentido da vida e, portanto, o alimento da vida pessoal e social se encontra em questão?

Veja a programação por aqui
e envie a sua proposta de comunicação até 12 de Agosto.

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