23 de ago de 2012

DANÇA DE DIVINDADES

Foto Roberta Guimarães na Continente
Continente, revista de cultura de Pernambuco, na edição 140 que está nas bancas, traz na seção Palco a matéria "Dança que encena gestos de divindades", assinada por Danielle Romani, que comenta dissertação de mestrado onde se analisou a "escola" da Dança dos Orixás elaborada por Augusto Omolu, na perspectiva da Antropologia Teatral de Eugênio Barba. A leitura do comentário (e da própria dissertação) interessa-nos tanto pela temática cara também aos xangôs recifenses, quanto pelo método de pesquisa interdisciplinar, inclusivo, cheio de axé. Vejam um aperitivo desse festim: 

"Plasticidade, dramaticidadee religiosidade. Esses e outros elementos estão presentes nos rituais do candomblé, religião de matriz africana que possui mitologia própria, com mais de 400 divindades, conhecidas como orixás. Quem já participou de um xirê– como são chamadas as festas celebradas nos terreiros – pode atestar a riqueza ritualística em torno dos orixás e deleitar-se com um cenário complexo e belo, comparável a um elaborado espetáculo cênico.

A força e expressão gestual das divindades chama a atenção dos que participam das festas nos terreiros, inclusive dos pesquisadores, que procuram analisar as características desses deuses. Na dissertação A dança dos orixás de Augusto Omolu e suas confluências com a Antropologia Teatral, apresentada ao programa de pós-graduação em Artes da Universidade Federal de Uberlândia, Antônio Marcos Ferreira Júnior pondera: “Segundo a filosofia do candomblé, o universo é dinâmico e ao manter-se em movimento ele está em equilíbrio. A dança é o testemunho mais correto e expressivo desse ritmo universal. A vida faz parte desse processo rítmico e dinâmico de criação e destruição, de morte e renascimento, expresso no ritmo das danças dos orixás, que simbolizam as energias da natureza nesse eterno e alterno ritmo, que continua em ciclos infinitos”.

Comida, vestimenta e dança são fundamentais para que as entidades se manifestem com harmonia e distribuam sua força aos devotos. As danças, em especial, são coreografadas com movimentos e sinais específicos, exprimindo a maneira de ser de cada divindade. Nelas, os orixás revivem momentos importantes e se conectam à energia original que os envolveu durante suas criações.

O corpo do devoto, portanto, é essencial ao rito, para que a devoção se concretize. “É o instrumento de expressão e comunicação com o orixá, que vem para este plano e se comunica pelo cavalo do santo (como é chamada a pessoa que incorpora)”, explica Mário Ribeiro, historiador e diretor da Casa do Carnaval (Recife). Assim como o corpo, as vestimentas e expressões corporais também são peças-chave na representação das divindades. “Os objetos e os movimentos vão expressar suas naturezas peculiares. Pela dança, percebe-se a correlação que o orixá tem com os ventos, com as matas, com as águas, com a terra”, diz Mário..."

Leia a matéria na íntegra na edição 140 da Revista Continente, que está nas bancas.
Baixe aqui o texto integral da dissertação A dança dos orixás...

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