22 de fev de 2012

SALVAÇÃO, SALUS, SAÚDE

Está chegando a Quaresma, tempo em que a liturgia da Igreja católica convida os fiéis a se prepararem para a Páscoa, mediante a conversão, com práticas de oração, jejum e esmola. E é justamente na Quarta-Feira de Cinzas, que acontece um dos principais eventos da Igreja Católica no Brasil, o lançamento da Campanha da Fraternidade. A CF, como é conhecida, está na sua 49ª edição, é realizada todos os anos e seu principal objetivo é despertar a solidariedade das pessoas em relação a um problema concreto que envolve a sociedade brasileira, buscando caminhos e apontando soluções.

Neste ano de 2012 a Campanha da Fraternidade destaca a saúde pública e suas variantes. Com o tema “Fraternidade e Saúde Pública”, e o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra” (cf. Eclo 38,8); a CF de 2012 tentará refletir o cenário da saúde no Brasil, conscientizando o Governo da precarização de condições dos hospitais e mobilizando a sociedade civil para reivindicar melhorias. A oração, jejum e esmola deste ano devem servir para sensibilizar os católicos para o cuidado com a própria saúde e a dos outros necessitados - restaurando a unidade comum de saúde e salvação, de penitência e cuidado com a integridade da Criação.

A Arquidiocese de Olinda e Recife se prepara para vivenciar intensamente mais uma CF mobilizando as 106 paróquias do território. As atividades já começaram nesta Quarta-Feira de Cinzas, com o lançamento da Campanha, às 16h, na Paróquia de São Sebastião, em Santo Amaro. Houve Celebração Eucarística e em seguida, caminhada até o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), onde a Arquidiocese entregou placa comemorativa pelos 140 anos de nascimento do sanitarista, modelo de servidor da saúde.

Um comentário:

  1. José Lisboa Moreira de Oliveira

    Filósofo. Doutor em teologia. Ex-assessor do Setor Vocações e Ministérios/CNBB. Ex-Presidente do Inst. de Past. Vocacional. É gestor e professor do Centro de Reflexão sobre Ética e Antropologia da Religião (CREAR) da Universidade Católica de Brasília
    ( Adital)

    Há quase cinquenta anos realizamos a Campanha da Fraternidade. Não restam dúvidas de que tem sido um evento quaresmal significativo, deixando marcas positivas profundas na Igreja e na sociedade. Porém, caberia nos perguntarmos até que ponto as Campanhas da Fraternidade têm provocado a conversão interna da Igreja, particularmente dos seus dirigentes. Tenho a impressão de que, muitas vezes, as provocações são feitas "ad extra”, aos de fora, enquanto no interior da Igreja tudo permanece como antes. Considerando que, segundo o Texto-Base deste ano (n.º 3), a Campanha da Fraternidade, "celebrada na quaresma, intensifica o convite à conversão”, ouso agora levantar algumas questões, voltadas para a nossa conversão, tendo presente o tema específico da saúde na Igreja.

    Antes de tudo seria interessante nos perguntarmos como os hospitais ligados à Igreja Católica trabalham e trabalharão a dimensão pública da saúde. Sabemos que existe um bom número de hospitais dirigidos por grupos da Igreja Católica. A maioria deles pertence a congregações religiosas com carismas voltados para a área da saúde. Mas pelo que se percebe boa parte, senão a totalidade, desses hospitais destina-se à elite. O atendimento aos pobres é feito parcamente e como "caridade”, muitas vezes para manter a fachada da filantropia. Mas a "missão” é servir aos ricos. Conheço bem de perto o caso de um hospital chiquérrimo mantido por uma congregação feminina no sul do Brasil. O carisma da congregação não está relacionado com a saúde, mas a congregação afirma que a finalidade do hospital é sustentar as irmãs que trabalham com os pobres, atividade mais respondente ao carisma do instituto. Porém, as irmãs que estão inseridas me dizem que elas e os pobres nunca veem a cor do dinheiro lucrado com o hospital.
    (...)
    Caberia também uma pergunta sobre a Pastoral da Saúde e outras pastorais semelhantes. Que coisas fazem realmente? Como cultivam a dimensão profética da fé cristã? De acordo com o Texto-Base deste ano, sua missão é ser expressão da missão da Igreja e manifestar a ternura de Deus para com a humanidade que sofre (n.º 229). Mas na maioria dos lugares as atividades da Pastoral da Saúde se reduzem a visitas esporádicas a doentes e a realização de missas para os enfermos em ocasiões especiais. Falta-lhe o ardor missionário no mundo da saúde, capaz de "contribuir para a construção de uma sociedade justa e solidária, a serviço da vida” (n.º 230).

    As perguntas dirigidas à Igreja poderiam se multiplicar, mas encerro com a seguinte: Como anda a saúde "pública” da Igreja? Os acontecimentos recentes e as estatísticas revelam uma Igreja doente, especialmente em sua hierarquia. O conhecimento que tenho desta área me permite dizer que é assustador o número de padres e religiosos pedófilos, de viciados inclusive em drogas pesadas. Aumenta cada vez mais o número de lideranças narcisistas, obsessivas, psicóticas e neuróticas. Aumentam também os casos de padres, frades e freiras com distúrbios psicológicos sérios, condenados a usar remédios controlados pelo resto da vida. Lideranças, inclusive padres e bispos, que são forçadas a sair de cena por causa de seus desequilíbrios psíquicos e afetivos. Sem falar na quantidade de padres, frades e freiras que estão com depressão. Os recentes noticiários de brigas internas no Vaticano, emitido por meios de comunicação sérios, revelam um corpo cuja cabeça está seriamente doente...

    Que a saúde se difunda sobre a Igreja!

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