2 de fev de 2012

ORIGENS DO CARNAVAL



Professor de História de muitos de nós, no ITER e na UFPE, Biu Vicente fala neste vídeo sobre as origens antigas e religiosas do Carnaval. Há quem queira separar o sagrado do profano, há quem fuja pra montanha e tente fazer um "carnaval da alma"... Mas, seja como for, o carnaval é um período de festas populares que se relaciona com a religião, uma maneira que o homem encontrou para unir o místico ao festivo, seja lembrando em contraste a proximidade da quaresma cristã, seja evocando em relação as antigas festas e os ritos de fertilidade pagãos.

Em 2012, a largada oficial do carnaval de Olinda (veja aqui a programação) acontece na quinta-feira, 16 de fevereiro, e é marcada por uma festa para todas as gerações. A noite tem show de abertura com Alceu Valença, que através de suas letras, faz uma homenagem à Festa de Momo de Olinda. Na sequência, é a vez dos músicos da orquestra Rockfônica, comandada pelo maestro Ademir, que interpreta, em frevo, os grandes clássicos do rock. Para encerrar a noite, a banda olindense Eddie assume o palco e apresenta o show Veraneio.

Já no Recife (veja a programação aqui), dia 17 de fevereiro, Naná Vasconcelos fará a tradicional abertura do Carnaval Multicultural, junto com as nações de maracatu de baque virado, que chegarão em cortejo pelo Recife Antigo. No Marco Zero haverá show noite adentro em homenagem a Alceu Valença, com participação da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, Ney Matogrosso, Lenine, Lirinha, Otto, Karina Buhr e Criolo.

A Noite para os Tambores Silenciosos acontece pelo oitavo ano em Olinda e tem como objetivo o resgate da cultura religiosa dos Maracatus. A ação é fruto de uma parceria entre a Prefeitura de Olinda, a Associação dos Maracatus e o Grupo Cultural Maracatudo Camaleão: concentração às 20h nos Quatro Cantos, dia 13 de fevereiro. No Recife, a antiga Noite dos Tambores Silenciosos acontecerá mais uma vez no meio do carnaval: segunda, 20 de fevereiro, começando a partir das 17h no Pátio do Terço - sempre em torno das igrejas do Rosário! Nesses eventos, transparece um sagrado diferente do que muita gente conhece...

À meia-noite, uma onda de silêncio toma conta desses espaços fronteiriços entre vivos e mortos, entre o sagrado e o profano, entre resistência e assimilação. Nesse momento, os maracatus pedem proteção aos seus ancestrais para o carnaval. Durante a escravidão, as Igrejas de Nossa Senhora do Rosário de todo o Brasil foram os únicos espaços reconhecidos como dos negros e eram nelas que os escravos formalmente se expressavam. Das Irmandades surgiram os Maracatus, festas profanas que evocam cortes africanas, expulsas dos Pátios do Terço pela Romanização do Catolicismo e abrigadas em Terreiros de Matriz Africana. Mas os laços e a mística permaneceram carnaval adentro, num misto de reconhecimento e/ou ocupação de terrenos simbólicos!

Veja mais no blog: Carnaval e religião.
Veja também álbuns dos Tambores Silenciosos de Olinda em 2011 e 2012.

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