4 de dez de 2010

BIOGRAFIA DE DEUS

A Revista Superinteressante fez uma resenha biográfica do Deus judaico-cristão (Iahweh, Javé, Jeová). Baseando-se nos livros The early history of God, de Mark Smith, e Deus, uma biografia, de Jack Miles, os articulistas José Lopes e Alexandre Versignassi, em um exercício de história comparada das religiões, narram o crescimento da figura de Deus, desde "criança" até "homem feito". Serve como aperitivo e provocação para quem deseja pesquisar a sério as reviravoltas de uma divindade guerreira de grupos nômades do deserto do Oriente Médio, que acabou encarnado na figura de Jesus e influenciou o modo como o mundo todo vê a Deus: em vez de castigando os homens, purgando os pecados dos mortais com o sacrifício Dele próprio...

"... Toda cultura humana já teve seu Deus. Seus deuses, na maioria dos casos: seres divinos que interagiam entre si em mitologias de enredo farto, recheadas de brigas, lágrimas, reconciliações. Os deuses eram humanos. Mas isso mudou. A imagem divina que se consolidou é bem diferente. Deus ganhou letra maiúscula na cultura ocidental. Os panteões divinos acabaram. Deus tornou-se único. É o Deus da Bíblia, Javé, o criador da luz e da humanidade. O pai de Jesus. Essa concepção, que hoje parece eterna, de tanto que a conhecemos, não nasceu pronta. Ela é fruto de fatos históricos que aconteceram antes de a Bíblia ter sido escrita. O próprio Javé já foi uma divindade entre muitas. Fez parte de um panteão do qual não era nem o chefe. O fato de ele ter se tornado o Deus supremo, então, é marcante: se fosse entre os deuses gregos, seria como se uma divindade de baixo escalão, como o Cupido, tivesse ascendido a uma posição maior que a de Zeus É essa história que vamos contar aqui. A história de Javé, a figura que começou como um pequeno deus do deserto e depois moldaria a forma como cada um de nós entende a ideia de Deus, não importando quem ou o que Deus seja para você..."
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O site Observatório da Imprensa, o maior veículo de crítica de mídia do país (e capitaneado pelo ilustre judeu Alberto Dines, vale lembrar), divulgou na seção "Feitos e Desfeitas" um artigo de autoria do jornalista (e teólogo adventista) Michelson Borges em protesto à reportagem de capa da Revista Superinteressante. Ele aprofunda as ponderações do pastor (também adventista) Douglas Reis, de que a matéria na Super segue duas tendências equivocadas: considerar a formulação do conceito de Deus como algo progressivo e sustentar alegações pretensiosas e descabidas, sem oferecer pontos de vista alternativos. E vitupera, então...

"... A revista diz que Javé [ou Yahweh] era uma divindade que "provavelmente começou como um deus menor, cultuado por nômades. Bem antes de a Bíblia ser escrita". Curiosamente, na capa dessa edição, a revista não usa o "provavelmente", mas afirma: "Houve um tempo em que Deus era apenas mais um." É a velha tática das capas sensacionalistas e vendáveis. A intenção do texto (que revela, na verdade, a intenção dos jornalistas e editores céticos de mãos dadas com teólogos liberais sempre convenientes) é igualar Yahweh a deuses mitológicos, desconstruindo, se possível, a fé de bilhões de pessoas. Como já disse, a matéria chega a afirmar que o Deus bíblico se casou com a deusa Asherah, nos templos de quem praticava a prostituição cultual tão reprovada pelos profetas de Israel. E mais: diz que "uma ameaça pairava sobre os deuses de Canaã. Era a ambição de Javé". Francamente... Ambição tinha Lúcifer quando quis ocupar o lugar de Deus no Céu. Será que essa matéria da Super não foi "inspirada" por outras ambições?..."
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E aí: vamos exercitar a "epistemologia das controvérsias"? O que você pensa? Pra onde vai essa história?!

5 comentários:

  1. Karina O. Bezerra05 dezembro, 2010

    Eu acho o titulo da reportagem e conseqüentemente do livro impróprio. Uma vez que todos os povos tiveram e tem um Deus, quando se lê o titulo imagina-se que se abordará, uma história geral de Deus. Se for tratar apenas do Deus da bíblia então coloque, “Deus bíblico: uma biografia”, ou “Javeh: uma biografia”. Inclusive eu tenho um livro que se chama “Satã: uma biografia”, já que Satã é uma figura exclusiva da história religiosa Judaica-cristã, não precisa de especificação, pois NÃO existe Satã em outras religiões que não seja as derivadas da bíblia.

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  2. Creio que no momento estamos imersos num contexto oportuno de se discutir sobre várias questões ligadas a religião. No caso da capa "Deus uma biografia" penso que é necessário mirar o fato pelo lado de fora da questão seguimento de uma religião. E por quê? De fora, vibramos com as pesquisas atuais, discutimos mais os dilemas que afetam a humanidade e que tem a religião no centro de muitas querelas - como no caso do O. Médio e etc - e podem contribuir com o distanciamento entre povos e culturas. Ora, tencionar escrever ou provar uma biografia de Deus é no mínimo cômico. Não podemos encerrar a existência de Deus em linhagens ou descendências. Penso que é melhor tentar aproximar sua existência dos nossos desafios e sentir-se desafiado a conhecê-lo mais, adorá-lo mais e existir com mais tolerância no hoje da história. Iahweh disse: "Eu Sou Aquele que Sou". Vamos desafiar mais nossa consciência histórica, nela cabe a presença de Deus, até sem biografia.
    José Soares de Jesus

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  3. Deus é uma idéia. pelo menos em princípio. Dessa idéia humana se ramificam conceitos, especulações e as crenças de cada povo. Um eixo simbólico no qual dependendo da cultura se metamorfoseia em um signo, chamado Deus. No aspecto transcendente, as ciências sociais/humanas encontram um sentimento de projeção para algo que não está aqui, no agora, na visibilidade, no palpável, no encontrado, e é exatamente nesse âmbito que deus se aloja, se faz existir. Uma biografia de Deus pode soar direcionada , talvez um olhar sobre os deuses, ou sobre os deuses de cada cultura, povo, um deus que estaria mais vinculado ao histórico que mesmo ao rito e crença. Conjecturas. Talvez esse seja o caminho melhor para ir contornando até alcançar o alvo da questão.

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  4. Eu achei o texto além de oportunista, pouco (para não dizer nada)científico.
    Usa-se uma temática provocante na capa, e... segue-se cheio de falácias!
    Discutir Javé fora do contexto de um Israel com suas intermináveis historias de cativeiros e guerras territoriais, bem como com o peso de suas incontaveis variações geopolíticas, além de suas doutrinações de origens proféticas, é, no mínimo, querer tratar perifericamente um tema que a própria história obriga a aprofundar!
    Achei texto fraco, e cheio de pretenções insustetáveis!
    A fé no Jehová israelense, é verdade, sofre várias outras influências, mas tratar disso na com o mero intuitoo de promoção de venda, é descaso se não para com a religião diretamente, ao menos para com quem a pensa ou professa!

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  5. Interessantíssima a explicação do nascimento dos deuses, sempre à semelhança dos homens, até hoje, e nunca diferente disso. Não sei determinar quais mitilogias da criação são anteriores ou posteriores à judáica, mas o mimetismo entre elas, saltam aos olhos. Não são espontâneos, antes, são fisiológicos. A formação de um concelho de deuses gregos, que se encolhe para três, e se unifica em um, absoluto, transmitido aos romanos, apenas com mudança de nomes, mas com as mesmas ordenações, hierarquias e predominância de um. A torá, excluido os exageros de Sherazade na cultura hebréia na gênese pós Noé, desde a caldéia, a Mesopotâmia, Babilônia, Siria, Líbano, Filístia, é um grande caudal de História, sem sacralidade, a tentativa de afirmação de nacionalidade e o gens antipático, até hoje, de um povo singular, com Deus seu e lhes prometendo primícias todo o tempo, numa mega mitilogia, que ao que parece, Javé continua presente, para êles. O Cristo, não lhes diz respeito. De qualquer modo, ambos os povos têm conceitos míticos sôbre a divindade. Êles usam os cinco sentidos para apreenderem Deus, e isso é utopia. Deus é instinto pangeral, como a criança tem mêdo de escuro, o adulto ansia por êle, numa confiança patética segura em talismãs e coisas do gênero. É nesse caldo que o Deus vive sem ter nascido, prá não ter fim. Veja-o pregressamente e se confundam todos, imaginem-no no futuro e a perspectiva dupla nos confundirá novamente, na junção em uma linha única. Deliremos, devaneiamos e veremos mentiras-verdadeiras e verdades-mentirosas, e não haverá pecado nisso, é a paixão humana querendo religar o círculo da vida, ida e volta, na figura geométrica mais perfeita de uma inspiração inesplicável. Assim penso, como filósofo raso.

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