29 de set de 2013

PARTIU O VELHO E BOM SNOEK

Dia desses passamos pela UFJF para uma animada Semana de Ciências da Religião e esta semana vamos voltar à Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas, para participar de importante Congresso Nacional de Ensino Religioso. Tivemos e vamos ter o prazer de encontrar velhos amigos por lá e também de rever nossos estudantes da UNICAP que aproveitam os bons ares do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião daquela Federal. Aliás, o campus lá é muito agradável e é preciso passar por ele pra entender porque a área acadêmica dos Estudos da Religião no Brasil começou, já em 1969, com um curso de teologia por ali: é que ele fica numa montanha, literalmente no meio das nuvens!

Nesta volta, porém, vamos sentir a falta de um santo homem que faleceu nesta tarde de 29 de setembro, o Padre Jaime Snoek. Ele partiu com 92 anos, após 20 dias internado no Albert Sabin de Juiz de Fora, e o sepultamento será amanhã às 15h, no Cemitério da Glória de lá. Padre Jaime nasceu na Holanda em 1920 e chegou ao Brasil em 1953, como padre católico redentorista. Em sua trajetória missionária, lutou pela promoção da vida e da formação humana. Dedicou-se a causas sindicais e defendeu a liberdade ideológica no período do regime militar. Escreveu várias publicações no campo da ética e teologia moral, sendo considerado grande referência para diversos pesquisadores e acadêmicos. Tivemos a sorte de tê-lo como professor de ética no ITER do Recife, e de trabalhar o seu formidável e emancipador livro Ensaio de ética sexual.

Em Juiz de Fora, fundou o Ambulatório Nossa Senhora da Glória em 1953. Juntamente com as Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, criou a Faculdade de Serviço Social da Universidade Federal de Juiz de Fora, no ano de 1958. Foi um dos fundadores do Programa de Pós em Ciências da Religião da UFJF, em 1976, onde também foi professor. Destacou-se, ainda, por organizar um dos mais importantes acervos bibliográficos no campo das ciências humanas e sociais do país: a Biblioteca Redentorista, um quesito importante para a aprovação do curso de Ciências da Religião. Com mais de 70 mil livros e seis mil periódicos, o espaço é aberto ao público e fica localizado ao lado da Igreja da Glória, onde Jaime Snoek sempre atuou. Em 1980, fundou o Centro de defesa dos Direitos Humanos (CDDH) e, em 1986, fundou o Centro de Orientação Familiar (COFAM). Homem livre, misto de intelectual e cuidador, unia com fineza e firmeza a saúde com a salvação. Deixa saudades e exemplo pra gente.

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2 comentários:

  1. De fato, um de nossos melhores testemunhos aqui na UFJF. Tive a grande alegria de poder trabalhar com ele durante muitos anos. Fui seu monitor durante anos, tendo também ajudado na composição de sua primeira apostila de Ética Sexual. Uma figura humana exemplar e um testemunho de vida apaixonante. Foi ele quem criou o Departamento de Ciência da Religião, e isso em 1969. Foi assim pioneiro nesse campo de reflexão no Brasil.

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  2. também estudei com o pe. Jaime, no Instituto de Teologia da Recife: era um homem muito respeitoso da liberdade, muito atencioso com as pessoas... até hoje lembro que ele falou das comunidades hippies, dizendo que era preciso acompanhar e ver se não viviam mais o amor de Jesus do que as famílias católicas!!! Marcelo.

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