10 de ago de 2013

AS RELIGIÕES E SUA INFLUÊNCIA SOCIAL

Karen Armstrong
"Nem é preciso apelar para os exemplos trágicos de terrorismo para reconhecer o impacto negativo do extremismo religioso no mundo. Fundamentalistas islâmicos se suicidam e matam em cidades como Madri e Londres. Extremistas cristãos nos Estados Unidos matam médicos que praticam aborto. Fundamentalistas judeus tomam terras dos palestinos sob alegação de que Deus concedeu só a eles esse direito. Hindus queimam mesquitas muçulmanas na Índia, atacam sikhs. Budistas atacam muçulmanos em Myanmar ou Burma: mataram mais de 200 muçulmanos nos últimos 12 meses.

São exemplos fortes do que a fé religiosa ou a distorção dela pode representar. O que tem de ruim ou de bom? Religião representa mais do que isso. Pode dar sensação de transcendência, de valorizar algo maior que o indivíduo, um conforto espiritual. Disso tudo nos fala Karen Armstrong, uma das escritoras mais lidas no mundo no tópico de religião, sua importância, seu impacto e suas distorções. Ela não é teóloga, e sim alguém que popularizou e tornou mais acessível a discussão de questões religiosas em livros, artigos, palestras que ela faz pelo mundo".

Foi com essa abertura que, na semana passada, começou o Programa Milênio, da Globo News, com entrevista concedida por Karen Armstrong, ao jornalista Silio Boccanera. Lá pelas tantas, a estudiosa das religiões inglesa, que veio fazer palestras no Brasil, comenta: "... Crença é uma dessas palavras que mudaram de significado. A palavra inglesa para crença significava “lealdade”, “compromisso”. Ela é a tradução da palavra grega “pistis”. No Novo Testamento, Jesus pergunta: “Você tem pistis?” E isso não significa acreditar em algumas doutrinas, significa “compromisso”. Jesus não pediu que as pessoas acreditassem que ele era a segunda pessoa da Santíssima Trindade, uma ideia que eu acho que o deixaria perplexo. Ele perguntou se as pessoas estavam preparadas para dar o que tinham aos pobres, para viver apenas com o básico, como ele, para viver como as aves do céu e os lírios dos campos, confiando em Deus, o Pai, e para trabalhar dia e noite para a construção de um reino em que ricos e pobres se sentariam juntos. Foi apenas no século XVII que a palavra “crença” mudou de significado...".

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