1 de abr de 2013

ECOS DA AULA INAUGURAL




No dia 4 de março tivemos a aula inaugural do semestre no nosso Mestrado em Ciências da Religião da UNICAP (retratada acima nas fotos de Telma Ayres), e ocorreu um rico debate com o monge Marcelo Barros, em torno da sua palestra sobre "O papel das Ciências da Religião no mundo pluralista". Seguiu-se o lançamento dos livros "Raízes da Psicologia da Religião", do professor Luiz Libório, e "Ensino religioso e literatura", da nossa Mestre Augusta Torres, além do segundo volume da série de livros coletivos dos nossos estudantes, "Mosaico religioso, faces do sagrado" - cuja versão como ebook já estava disponível na Amazon (veja aqui).

Essa série Mosaico religioso, cuja chamada pro terceiro volume o seu coordenador, nosso Mestre Vanderlei Lain, anuncia que sairá em breve, agora está à venda na livraria Vozes, na saída do campus da UNICAP, bem como em outras boas livrarias do país. A obra reúne reflexões em torno da temática Religião e História, Religião e Contemporaneidade. Na apresentação, o professor Gilbraz pontua: "Ao reunirmos esses pedaços do mosaico religioso da gente, surgem imediatamente as perguntas: Para onde caminham as religiosidades e religiões? Quais os contornos do desenho formado por esses cacos? Em tempos de modernidade globalizada, com grandes possibilidades tecnológicas e enormes dificuldades de relações entre grupos culturais humanos e destes com a natureza, as pessoas tendem a ficar mais egoístas, no sentido de ouvir mais a própria intuição. Paradoxalmente, isso leva à busca por uma espiritualidade maior (...). É possível, assim, que todas as religiões e seus múltiplos grupos venham a convergir para uma espiritualidade ecológica e de nova consciência global, amplamente ecumênica. Mas será que não estamos sendo muito otimistas ou ingênuos?! Esse livro, que recolhe diversas faces das religiões pela história, certamente vai nos ajudar a discernir os caminhos da espiritualidade contemporânea".

Quanto à palestra de Marcelo Barros, cujo texto disponibilizamos abaixo, trouxe uma provocação (afinada com as discussões sobre o campo de conhecimento dos estudos da religião) pra pensarmos direito as relações entre teologias e ciências da religião em nosso contexto cultural pluralista, bem como para (na linha das epistemologias pós-coloniais) repensarmos os compromissos políticos de ambas as leituras do fato religioso: "... Não pensem que estou pedindo para vocês se desviarem do objetivo de suas pesquisas e agora se voltarem para a política. Não. Estou propondo que ajudem as religiões a recuperarem a dimensão revolucionária e transformadora de sua fé. Isso tem um aspecto religioso mesmo e um aspecto social e político que é urgente no nosso continente. E penso que as ciências da religião podem sim cumprir um papel de nos ajudar a descobrir como as religiões podem se renovar no seu potencial místico e revolucionário. Se as tradições espirituais e religiosas voltarem a ser laboratórios de utopias, as ciências da religião ajudariam as religiões a discernir as utopias dignas desse nome (...). Na porta de uma casa em Havana li um cartaz que bem se poderia aplicar às ciências das religiões, se vocês aceitarem o convite que fiz aqui: 'Somos tão realistas que queremos o impossível e por ele lutamos'”.
 

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