11 de mar de 2013

DEUS, NATUREZA, ANTEPASSADOS... CIGANOS!

Ciganos são grupos nômades que praticam a profecia pela leitura de mãos, gostam de dançar... e roubar. É mais ou menos assim o imaginário popular sobre essa gente que é matéria de capa da Continente, revista de cultura pernambucana, neste mês de março. Os ciganos, compostos por grupos étnicos como os rom, calon e os sinti, são originários da Índia, de onde migraram para o mundo afora nos séculos 8 e 9. Portugal deportou muitos ciganos para o Brasil no período colonial, até fins do século 18, e atualmente há cerca de 300 acampamentos deles no país, muitos em pequenas cidades nordestinas.

Quem são mesmo essas pessoas, como sobrevivem e convivem, no que acreditam? Entre os artigos da revista, há o de Danielle Romani, "Deus, a natureza e os antepassados", onde se retrata a religião desse Povo Tradicional, que embora invisibilizado e discriminado, constitui a riqueza da nossa paisagem multicultural:

“Em cima, o céu; embaixo, a terra; no meio, os ciganos.” O velho ditado reflete bem a essência dos calons, sintis e roms. Independentemente da religião ou da fé que professam, na maioria das vezes assimilada junto à comunidade com a qual se relacionam, existe neles algo que nos escapa, e que lhes é intrínseco, peculiar. Talvez porque a relação secular com a natureza dotou-os de uma religiosidade latente, que não foi construída em templos, igrejas ou mesquitas, mas nas caminhadas nômades, nos acampamentos e paisagens abertas, sertões e caatingas, pelo verde das florestas e das montanhas; pela força do sol, chuva, rios, ventos e estrelas.

“A gente não precisa das coisas como vocês (não ciganos). Do que adianta ter tanto objeto, se a gente vai embora e não leva nada? Deus está no coração, nos amigos, na natureza, só tenho saudades do tempo que andava pelo mundo. Ali, eu estava realmente perto de Deus ”, ponderou Raimundo Ferreira Dantas, Chico, 54 anos, como que prevendo seu próprio destino: antes mesmo desta matéria ser editada, ele faleceu. Na ocasião, vivia em situação lastimável, num acampamento sem a mínima infraestrutura básica, em Tangará, no Rio Grande do Norte.

O falecimento de Chico foi um baque para os ciganos que o conheciam. A morte de um calon deve ser tratada com grande seriedade: se ele morasse em uma casa – o que não era o caso, pois habitava numa barraca –, após prantear o morto, os parentes mudariam de lugar, tirariam as fotografias da vista, não pronunciariam seu nome durante meses e guardariam luto por grande período, em que deixam de dançar, cantar, festejar. “Quando meu pai, Enildo Soares, morreu, a gente morava em Afogados (bairro recifense). Mudamos para Paulista, passamos longo tempo em luto e evitávamos fotos ou falar o nome dele. Faz parte da tradição”, conta Enildo Soares Filho, líder dos ciganos pernambucanos...

Leia a matéria na íntegra na edição 147
 da Revista Continente, que está nas bancas.

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2 comentários:

  1. Só uma correção: em momento nenhum reforço a imagem do cigano como ladrão, desonesto ou velhaco. Na minha matéria, pelo contrário, tento desconstruir esta imagem, portanto, o roubar ficou por conta da interpretação de vocês. Atenciosamente. Danielle Romani

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  2. kkk, oxe, nem precisa ir no dicionário pra saber que cigano (também, às vezes) é ladrão: basta lembrar de quando eles passavam nas feiras do sertão da gente, levando as galinhas, os cavalos, as crianças. nera não? Manoel.

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