9 de dez de 2012

HORA DE CLARICE

“Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços o meu pecado de pensar”
(Clarice Lispector).

Se estivesse viva, Clarice Lispector faria 92 anos nesta segunda (10). A escritora e jornalista, que faleceu há 35 anos, já foi lembrada em nossa Festa do Livro (veja aqui) e será homenageada mais uma vez com o evento Hora de Clarice, que reúne uma série de atividades culturais Brasil afora. No Recife, onde Clarice viveu por 10 anos, a Livraria Cultura do Paço Alfândega organiza às 19h um debate com a escritora e jornalista Geórgia Alves, o escritor e jornalista Samarone Lima e a professora da UFPE Luzilá Gonçalves, sobre o tema "As crônicas de Clarice Lispector". Amanhã, às 19h, é a vez da Academia Pernambucana de Letras homenagear a escritora: a presidente da instituição, Fátima Quintas, comanda um recital, lendo parte das obras da autora, enquanto a pianista Rachel Casado executa peças de Chopin. Crie um jeito de passar uma horinha com essa Lispector.

Ela é uma das mais profundas escritoras brasileiras do século passado e escrevia com "uma missão sagrada, reconstruir o mundo e reconciliar o homem com deus". Nasceu em 1920 numa aldeia da Ucrânia, então pertencente à Rússia, e inicialmente ganhou o nome de Haia: a terceira filha do comerciante Pinkouss e de Mania Lispector. O nascimento foi durante emigração da família em direção à América: os pais, judeus, decidiram emigrar três anos após a Revolução Bolchevique de 1917, desanimados com sucessivas guerras, fome e miséria. Em 1925, depois de passar por Maceió, os Lispectors chegaram ao Recife e foram viver no bairro da Boa Vista, habitado pela comunidade judaica. Moraram em um casarão na praça Maciel Pinheiro e depois na avenida Conde da Boa Vista.

Em 1928, aos 7 anos, Clarice começou a estudar no Grupo Escolar João Barbalho, perto da Matriz da Boa Vista e da Sinagoga que frequentavam. Em 1930 morre a sua mãe, para quem gostava de "inventar" histórias. A família vivia de maneira modesta, as meninas almoçando às vezes suco de laranja e um pedaço de pão. Mais tarde, contudo, Clarice se recordaria da infância como um período bom, em que roubava flores e pitangas e tomava banhos de mar em Olinda. E até, em certo carnaval, "ganhou uma fantasia de rosa". Clarice escrevia histórias desde cedo e enviou vários contos para a seção “O Diário das Crianças” do Diário de Pernambuco, mas eles nunca foram publicados porque, como ela interpretou mais tarde, não falavam de “fatos”, mas de “sensações”. Em 1935 a família partiu pro Rio de Janeiro...

Saiba mais de Clarice Lispector:
http://www.claricelispectorims.com.br
Veja uma reflexão sobre a mística de Clarice
aqui, por Maria Clara Bingemer.

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