22 de dez de 2011

CELEBRAÇÃO ECUMÊNICA NA IGREJA DE ENÉAS

Na noite desta quinta, 22 de dezembro, na Igreja Ortodoxa Siriana da Praça Dantas Barreto em Olinda, participamos com muito gosto do Encontro Ecumênico Natalino da Associação Fraterna de Igrejas Cristãs, representação pernambucana do CONIC. O culto, presidido pelo Frei Tito Figueirôa, reuniu um pequeno grupo de católicos romanos e brasileiros, luteranos e anglicanos, além dos anfitriões ortodoxos, e realizou-se também em memória de Enéas Álvarez, o Arcipreste Ortodoxo falecido há um mês e grande promotor do ecumenismo no Recife. Teve momentos tocantes de reflexão sobre a encarnação da divindade cristã e a inculturação da fé pelos cristãos hoje, onde não faltaram exemplos rebuscados na vida de Enéas, que foi carnavalesco, ator e jornalista, além de bispo e bom cristão. Dentre os depoimentos, recolhemos o de Maruilson Souza, reverendo do Exército da Salvação e mestrando em Ciências da Religião na UNICAP:

"Para a maioria ele era o Dr. Enéas Alvarez, advogado, escritor, jornalista, intelectual, professor universitário e teatrólogo. Para muitos ele era o museólogo, o historiador, o ex-secretário de cultura. Para uns poucos ele era o abade, o padre, o bispo, o teólogo. Para mim, era simplesmente meu amigo, pastor, conselheiro e companheiro de jornada. Aquele a quem eu podia, sempre que necessário, telefonar ou procurar. Aquele a quem, em ocasiões como de luto, eu podia buscar somente para chorar. Aquele a quem, em momentos em que as palavras não resolvem, simplesmente escutava e abençoava.

Conheci Enéas em 1994. Desde então participamos de inúmeros encontros ecumênicos. Mesmo quando mudei de cidade continuamos a nos corresponder, a nos telefonar. Nos últimos oito anos, raros foram os meses em que não nos encontramos para um bom papo. Bem humorado, gostava de uma boa piada. Se fosse de religioso, melhor ainda. Era, acima de tudo, amigo. Sabia ouvir. Mas, não se esquivava de dar a sua opinião. Era ponderado, mas às vezes se exaltava. Arraigado na espiritualidade oriental, tinha uma devoção especial por Maria, e seguindo o seu exemplo, sabia quando falar e quando silenciar. Meu amigo era ético sem ser moralista. 

Bem, em novembro passado (20/11), meu amigo e mentor fez a sua viagem, a sua travessia para o outro lado da vida. Partiu como que sorrindo, com a certeza de haver completado sua jornada terrena. Por isso estou à procura de um novo mentor, de um novo amigo e companheiro de jornada. Não necessita ser jovem. Meu último mentor tinha 65 anos quando desta vida partiu. Não precisa ser alguém que tenha "saúde de ferro". O meu último mentor, tinha diabetes e não poucas vezes era acometido de tristeza. Não necessita ser alguém que tenha capacidade de locomoção rápida. O meu último mentor, passou a década passada em uma cama e uma vez, citando o poeta, disse-me: "Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais". 

Não precisa ser abstêmio. O meu último mentor sabia apreciar um bom vinho, e às vezes, brincava, "ainda que seja carreteiro". Não precisa ser ascético. O meu último mentor, na juventude, foi rei momo e carnavalesco. Não precisa ter todas as respostas. Mas é necessário que seja intelectualmente honesto. Não precisa ser doutor. Mas não deve ser alguém que tenha preguiça de pensar, ou que use a fé como muleta e, por medo, seja dogmático. Finalmente, eu diria que meu mentor não precisa ser santo. Mas, tem que ser humano e profundamente comprometido com a defesa e a promoção dos direitos das minorias. Procura-se um mentor...".

Veja mais no blog: Enéas foi frevar no além.

3 comentários:

  1. Um depoimento emocionante de Maruilson. PARABÉNS...

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  2. poxa, tem coisa tão boa que acontece e a gente nem sabe... divulguem mais esses eventos ecumênicos, tá? tenho certeza que muita gente na cidade gostaria de estar presente! Manuela.

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  3. Valeu, Maruilson!
    O Dr. Enéias ou Pe. foi alguém que passou fazendo o Bem! O conheci na Igreja da Mãe de Deus. Lembro-me que após a celebração ele nos convidava para o tradicional lanche.
    Obrigado pelo belo texto.
    Artur Peregrino

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