26 de nov de 2011

TRAPEIROS DE EMAÚS


Recife tem um grupo sério que trabalha com a socialização dos bens que a gente não precisa e, sobretudo, com a transformação de gente mesmo: não apenas dos pobres que se ocupam da associação ou adquirem os seus móveis e eletrodomésticos reciclados, as suas roupas usadas, mas principalmente de você, do seu coração! Damos aqui testemunho que a Páscoa mais comovente da qual tomamos parte foi no porão de uma casa dos Trapeiros de Emaús, onde encontramos católicos, ateus assumidos e falantes – isso mesmo: partilhando o evangelho! – e até alguns muçulmanos, que celebravam a sua solidariedade comum com o mais pobre. Ele, “o Outro”, é o “terceiro” que, incluído, pode permitir uma “Sinfonia dos Dois Mundos”, como sonhava Dom Helder, para além da exclusão e da violência.

O Movimento Trapeiros de Emaús surgiu após a 2ª Guerra Mundial, em 1949. A França, como os demais países europeus, sofria com o pós-guerra: havia um sério problema habitacional. Os trabalhadores moravam nas ruas e padeciam as baixas temperaturas do inverno. Em meio a essa realidade, um jovem padre decidiu lutar pelos mais sofridos. A princípio, o Abbé Pierre obteve um cargo político de deputado e com o seu salário mantinha um casarão, onde abrigava várias famílias. Todavia, ao término do seu mandato, não tinha mais condições financeiras de manter esta ação. Foi neste momento que uma das pessoas que ele abrigava deu-lhe a ideia de gerar renda com o trabalho de coleta, classificação e venda de materiais recicláveis.

Nesse momento, do encontro de pessoas de classes sociais diferentes, de formações diferentes, teve início o Movimento Emaús. Atualmente, ele atua em mais de 36 países ao redor do mundo, através de 313 comunidades. A Associação dos Trapeiros de Emaús Recife, então, é uma entidade social sem fins lucrativos, que tem como objetivo principal oferecer às pessoas necessitadas da Região Metropolitana do Recife a oportunidade de conseguir sua dignidade através de um trabalho de coleta, recuperação e venda de objetos usados e reciclagem de resíduos sólidos (com a filosofia de servir aos que mais sofrem). A associação surgiu em 16 de agosto de 1996 com o incentivo e apoio do arcebispo de Olinda e Recife, Dom Helder Câmara e do Sr. Luigi Tenderini, militante italiano, que trabalhou por muitos anos ao lado de Dom Helder na Comissão de Justiça e Paz.

Atualmente, a Comunidade no Recife acolhe 26 pessoas. As principais atividades da entidade são: coleta, recuperação e venda de objetos usados e materiais recicláveis. Os objetos que recebem em doação são recuperados nas oficinas de marcenaria, eletroeletrônico, refrigeração e manutenção de computadores. Os objetos recuperados (eletrodomésticos, roupas, sapatos, móveis, livros, computadores, etc.) são vendidos a preços baixíssimos em bazares populares, em galpão do movimento e nos bairros da periferia (associações de moradores, clube de mães), na UFPE-CFCH, etc. Os membros da Associação, que trabalham diariamente na Comunidade, recebem alimentação (almoço), vale-transporte e remédios, e a cada duas semanas são realizadas partilhas dos recursos produzidos com o trabalho coletivo. Ainda há a Comunidade de Vida, local onde residem alguns dos trapeiros. Neste Natal que se avizinha, arrume as suas coisas e partilhe o que não precisa tanto com os Trapeiros!

O telefone pro pessoal pegar a sua doação é 3451-2247 ou 3451-5604.
Visite também o site da Comunidade aqui.

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