30 de set de 2010

IJACIARA PINTANDO O SETE!

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Edgar Morin, complexidade e reza no calçadão?
No Ceará tem disso, sim!

Eis que ao final do terceiro dia da Conferência Internacional sobre os Sete Saberes Necessários à Educação do Presente, em Fortaleza, Ceará, descíamos a rua, ao som de uma pequena escola de samba, a caminho da praia de Iracema (aquela, a quem José de Alencar denominou de a “virgem dos lábios de mel”), para uma celebração de pés no chão, naquelas areias salgadas. A finalidade do cortejo era celebrar a paz, em meio ao ritual da lua cheia, dançando, cantando e vivenciando uma experiência educacional biocêntrica.

Ah! Quão feliz não ficaria Morin, figura central da Conferência que comemorava os dez anos do lançamento dos seus Sete Saberes, se presenciasse toda aquela euforia que envolvia e emanava dos professores e catedráticos, tal Saturnino de La Torre que, com a mesma habilidade com que chorou e fez chorar de emoção, durante a sua apresentação na Conferência, estava ali, vindo direto da Espanha, para o calor inebriante do Ceará, sambando e cirandando, como um verdadeiro brasileiro.

Há não mais que 50 metros do local, outro grupo, desta feita, o da Nova Evangelização, diante da imagem de outra virgem, agora, aquela a quem os católicos denominam de a Virgem Maria, rezava o terço para posterior leitura do Evangelho, alheio ao furor do batuque envolvente que a brisa do mar espalhava, num bailado de sons, ritmos e celebrações dignos de um belo espetáculo. São fiéis que, todas as quintas-feiras, ali se reúnem, às 19:00 horas, sacralizando aquele espaço, geralmente profano, dividido com as barraquinhas que comercializam o artesanato local.

Ouvimos, durante todo o evento, alusão aos Sete Saberes, às sete cores do arco-íris, às sete notas musicais e, diante da cena descrita, vimos mais uma vez, naquele início de primavera, no mês de número nove, mas, bem que podia ser sete, pois, é setembro, mais sete verdades em comunhão: o deus Hermes a proteger o comércio artesanal, dividia o calçadão com os fiéis de Maria que, ali estava diante das areias da praia que é de Iracema, banhadas pelas águas do mar de Iemanjá, ouvindo o samba, invenção da gente de pele negra que veio da Mãe África, ritmo ali dançado por educadores que, algumas vezes, até parecem Anjos, abençoados e iluminados, todos e todas, sem exceção, pela esplendorosa e apaixonante lua de Jaci.

Serão aqueles, os vários níveis de realidade a que Nicolescu se referiu? Havia ali, verdadeiramente, um elo maior a uni-los? Diz-nos Pascal que, não se conhecem as partes sem conhecer o todo e vice-versa. Naquele momento, o todo e seus fragmentos ali estavam: harmoniosos, respeitosos e por que não dizer, plenos de verdades e sentidos.

Edgar Morin, ao término da Conferência, em um pronunciamento efusivo e contagiante, nos alertava para a necessidade de nunca deixarmos de viver com poesia e que a verdadeira reforma educacional passa pela reforma do pensamento. Sábio, Morin! Como insistir em permanecer nas salas de aula se não encontrarmos, em meio ao caos, algo poético que nos sustente?

Esperança foi a herança mais forte que trouxemos daquela Conferência. Esperança em uma educação mais ampla e verdadeira; em estudantes mais conscientes, dedicados e envolvidos com a aprendizagem, e em educadores resistentes, que não naufraguem, mesmo diante da força dos ventos e das marés que, frequentemente, os jogam contra os rochedos.

Benditos sejam, pois, todos aqueles que, em todos os cantos da Terra, educam e aprendem, com o coração e a mente abertos às mudanças desse “complexo” e fascinante mundo da Educação.

Possui graduação em Licenciatura Plena em História (1982) e especialização em História do Brasil (2001), pela Fundação de Ensino Superior de Olinda, e mestrado em Ciências da Religião, pela Universidade Católica de Pernambuco (2009). Atualmente é concursada - Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco, exercendo a função de professora de História. Em seus trabalhos acadêmicos, aborda, principalmente, os seguintes temas: religião, realidade social, matrizes culturais e solidariedade.

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